quinta-feira, abril 01, 2010

BMX

primeira série

I

“saudade é uma palavra bonita pra cacete, mas dói mesmo quando tá parada no peito da gente.” – Marina F.

Sempre gostei da palavra saudade e do que ela causa na gente e por isso copiei esse trecho acima do blog de uma amiga que há muito tempo não vejo e nem falo, mas alguém por quem tenho muito carinho. Pra ler o resto do texto, acesse o blog dela com link ai do lado.

II

É movido pela saudade que sempre acabo fazendo o monte de merda que sempre faço. Saudade é uma palavra freqüente nos meus textos, principalmente na dramaturgia, às vezes bem diretas e outras vezes mais diretas ainda.

Não foi a toa que bloguei este vídeo no post abaixo. Fuçando vi sem querer um vídeo no youtube daqueles viadinhos azuis, os smurfs e continuei mexendo até chegar neste de aberturas. Lembrei duma porrada de coisas.

“Ò dia, ó vida, ó azar.” Flinstones, Jetsons, Smurfs, Thundercats, Gato Félix, Pantera Cor de Rosa, Manda Chuva e por ai vai. No INFANTv com link ai do lado também, tem mais coisas sobre isso. Vale a pena rever.

III

O presente que mais almejei durante quase toda a minha infância ganhei num Natal de mil novecentos e oitenta e tantos. Eu devia ter uns 8 anos. Minha primeira bike cross. Compramos no Carrefour. Ir ao Carrefour era muito divertido. Comia todos os salgadinhos e doces que não tínhamos grana pra comprar e depois deixava o pacote abandonado no balcão. Normal. Uma vez fui pego e deu uma puta treta. Mas não é esta a história agora.

Chegamos em casa tardão com as duas caixas imensas. Nem sei como coube no porta malas do Corcel I marrom coco, do meu padrasto. Depois de muita pentelhice, conseguimos convencê-lo a montá-las naquela noite. Falo de nós porque, meu meio irmão também ganhou. Eu tenho um meio irmão, meio japa.

Capotamos quase 3 da madruga, mas é óbvio que a alegria e ansiedade eram tantas que male má pregamos os olhos. Meu meio irmão, que na época devia ter 6 anos de idade, acordou às 4h30 da madruga e começou a me cutucar ao pé da cama. Depois de muito esforço consegui abrir os olhos e ele com um jeito que nunca mais vi, disse:

- Vamos? A chuva já passou.

Garoava um pouco ainda. O cheiro de terra molhada da vila onde eu morava não deixava o tempo mentir.

- O pai e a mãe estão até roncando. – riu ele.

Vestimos os nossos moletons amarrotados. E sem lavar o rosto, sem comer ou escovar os dentes, pegamos nossas Monarks Cross de pneus coloridos e fomos pra rua, debaixo daquela fina chuva.

Aquela não era exatamente a BMX que eu almejava, mas se parecia um pouco. A BMX era bem mais cara, da Caloi, mas a minha tinha espumas nos canos e pneus azuis. E era o que importava. Era o suficiente pras pessoas ficarem impressionadas olhando, cochichando e apontando. Foram poucas vezes na vida que me senti fodão e essa foi uma delas e me lembro bem.

Eu tava todo encharcado, mas me sentia o bonitão diante daquelas pessoas escondidas debaixo dos seus guarda-chuvas. Meu irmão parecia um pinto molhado. O cheiro de terra molhada dava um ânimo naquela manhã.

Como me liguei que as pessoas não paravam de olhar, empinei o nariz e comecei a fazer umas gracinhas. Umas pequenas empinadas. Era o máximo que conseguia. Sei lá quando isso iria se repetir novamente. Eu era um pouco pequeno praquela bike. Um pirralho. Rua de terra, toda molhada e cheia de lama. Já sentiram a merda, né?

Nenhum segredo. Chegamos em casa horas depois. Minha mãe preocupadíssima, mas nem apanhamos desta vez. Nossos sorrisos alegres devem ter causado algum bom efeito nela. Perdemos a hora da escola e tudo, mas brincamos a tarde toda e ainda comemos bolinhos de chuva, assistindo os Goonies na Sessão da Tarde. Enfim. Lembro disto tudo, porque é bom pra cacete. Nem sei por onde anda meu irmão e é claro que tenho saudade do cara que um dia já foi meu melhor amigo.

Tenho uma baita saudade daquelas bikes e daquelas pedaladas descompromissadas. Saudade do pão caseiro da minha velha, saudade de não fazer nada. Saudade daquela música infernal dos Smurfs lá, lá, lá, lá... que sempre cantavam em suas caminhadas. Saudade... de sorrir? Lembro exatamente do dia em que tirei esta foto acima.

8 comentários:

Thais disse...

Acabei chegando aqui por acaso, li seu texto e ele me fez chorar. Saudade... saudade.

Lorena disse...

Eu gosto muito de uma música cantada pelo Nelsinho cujo um dos trechos diz 'SÓ SE TEM SAUDADES DO QUE É BOM'.
Abraço grande pra você!

camilo disse...

Olá, Pankada. Bom, para quem achava meus textos nostálgicos, agora me sinto elogiado. Legal. Quem não sente saudade? E das boas como essa, muita gente vai dizer a mesma coisa que você quando ler. Quanto ao seu meio irmão japa não é tão difícil de achá-lo não. Na net se acha de tudo e depois tem a telefonica, etc. Um abraço.
VOu passar no blog sua amiga.

Albérico disse...

Também chorei cara , vc consegue EMOCIONAR a todos ... ADOREI ! Abs !

Anônimo disse...

especial... histórias como a sua não se esquece e fica guardada pra sempre em seu coração...nas lembranças lindas que a vida lhe proporcionou...sentir saudade é uma delícia, principlamente nesses momentos vividos...fique com deus, um grande beijo ***

Priscila Nicolielo disse...

paulinho, que texto lindo. deu saudade de vc. rs
lembrei até de quando ganhei a MINHA monark rosa com cestinha e uma cartilha dentro. rsrsr
beijos.

PANKADA disse...

Thais... volte mais vezes. beijo

PANKADA disse...

Valeu Lorena, Albérico, anônimo?, Ma e Pri, saudade de tu também. Beijo