sexta-feira, setembro 24, 2010

quinta-feira, setembro 23, 2010

terça-feira, setembro 21, 2010

BIZARRO

segunda-feira, setembro 20, 2010

UMA PAUSA

Pequena pausa.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Blog- Livro

A parada é a seguinte. Ontem, 9 de setembro descobri que este blog ta participando de um concurso. Se ganhar, pode virar livro. Bem legal. Fico feliz pra cacete, porque gosto bastante dele. A questão é que a primeira fase é de votação pública. Então pra eu passar por ela preciso de todos os votos possíveis. Esse lance ta rolando faz tempo e eu descobri só ontem, como já disse.

E a bomba é que descobri também que pode votar só até o dia 12. A concorrência ta um pouco injusta, pois tem gente nessa parada há pelo menos 2 meses. Mas como nada é impossível... Vamos lá. Se puderem votar e divulgar em vossos blogs como fez a querida Talita Godoy. Por favor. E pra votarem é só clicar ai na imagem ao lado e preencher umas letrinhas lá. Valeu.

Não dizem que nesta vida temos que plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro?

Poxa, facilitem minha vida ai. O filho depois dá-se um jeito rs… A árvore já devo ter plantada alguma por ai. 

O link pra votação é este. É só enviar como quiserem.

http://www.blogbooks.com.br/blogs/votando/YmxvZ2Jvb2tzXzg0NA==

quarta-feira, setembro 08, 2010

Ida Dalser

vincere-thumb1

Serei breve. Só numas de dar um toque mesmo, porque já havia uma cara que eu não assistia um filme que me fazia sentir que valeu a pena sair de casa. E ontem por acaso cai lá no Cine Sesc, a convite de uma amiga que encontrei também por acaso na rua, pra assistir o italiano Vincere que conta a história do amor secreto e do filho bastardo de Benito Mussolini.

Esse lance do amor secreto foi descoberto só em 2000 por um jornalista. Enfim, o filme é espetacular. Marco Bellocchio mais uma vez acertou em cheio com sua direção precisa e inteligentíssima. Um tipo de direção que tava demorando pra aparecer por aqui.

Diminui muito meu ritmo de ir ao cinema, por estar cansado de sempre ver as mesmas coisas, mas desta vez valeu cada moeda e cada minuto do meu tempo. Fotografia excepcional, direção de arte e blá blá. Quero escrever melhor depois que revê-lo, porque é isto que vou fazer. E não percam porque já deve estar saindo de cartaz. Depois me contem se desta vez não tenho razão.

V MOSTRA

Vacilei.

Começou na semana passada a V Mostra de teatro do Cemitério de Automóveis. Bom, pelo que vi na programação terão outras apresentações de Música Para Ninar Dinossauros que foi a peça que abriu a mostra semana passada. Dá tempo de corrigir meu erro.

São peças du caralho. Conheço todas e recomendo. Hoje e amanhã terá a adaptação que o Marião fez do livro do grande brother e escritor Marcelo Mirisola. O Herói Devolvido. Sensacional. Apareçam. Ingressos a preço de banana. 10 pilas. Vale a pena. Lá no Centro Cultural São Paulo. Metrô Vergueiro. Mais informações aqui.

terça-feira, setembro 07, 2010

POPEYE

DSC_3563

Entre as duas casas ao fundo o pé de amora. A minha é a casa da esquerda. E o enorme pasto da fazenda.

I

As mães dos meus amigos não gostavam que eles brincassem comigo. Elas não iam muito com a minha fuça. Diziam pros seus filhos o tempo todo que eu me tornaria bandido quando crescesse. Não entendia o porquê.

Ta certo que não fui nenhum santo. Vivia quebrando os vidros das janelas das suas belas casas, riscando seus carros seminovos, invadindo construções pra fazer a sede da minha turma, que não passava nunca de quatro caboclos e por ai vai. Quando enjoava do local que eu tomava como sede, eu o quebrava todo aos pontapés pra melhorar a potência dos meus chutes. Eu já era lutador de caratê nessa época. Essa também foi minha a primeira encrenca com a polícia, que um dia me pegou na porta de casa. Dois carros cheios deles me fecharam no exato momento em que eu ia entrar com a bike na garagem. Conto tudo melhor num próximo conto.

Isso não era indício de que eu viraria marginal, acredito. Tava querendo ficar forte. Já sentia talvez que teria que aprender a me virar sozinho desde cedo. Andava todo maltrapilho, mas eram as roupas que minha mãe tinha condição de me dar naquela época. Tudo isto também não era nada anormal pra um moleque da minha idade crescido em vila. Na minha cabeça eu só tava me divertindo. E era só isso que eu queria.

Apesar de ter apanhando pra cacete da minha coroa e passado uma boa parte da infância trancado num quarto, eu gostei dessa época. E afirmo categoricamente que se eu tivesse controle sobre o tempo é pra lá que me transportaria.

Eu ficava olhando através das grades da janela, com o nariz cheio de ranho escorrendo, a molecada brincar no pasto da fazenda que dava fundos pra minha pequena casa. O sol nascia e morria sempre aos meus olhos. Não perdia um instante se quer deste fenômeno.

Esta fazenda era conhecida por causa da lenda de um boi que falou um dia com seu patrão. Foi numa sexta-feira santa. O patrão queria que ele fosse trabalhar e ele respondeu que não trabalharia porque aquele era um dia de folga obrigatória para todo ser vivo. E tem também a lenda da pequena garota que praticava hipismo todo fim de tarde lá e que nunca cresceu. Essa eu conheci mesmo. Fazenda Rio das Pedras em Barão Geraldo, distrito de Campinas. Conhecida como a fazenda do “Boi falou”.

Não culpo minha velha por ter me criado dessa forma. Ela tinha fé de que assim pudesse me tornar alguém. Alguém??? Ela foi criada desse jeito, ou até pior e essa era a única referência que tinha de educação. Claro, nada justifica suas atitudes, mas é foda julgar, porque é difícil entender. A parada é outra. Sacou?

Hoje entendo que é por isso que queria quebrar tudo. Quando saia em liberdade, achava que aquela era a melhor forma de aproveitá-la. Não queria mais voltar pro lar. Minha casa na minha cabeça era um exílio. Sempre que eu conseguia dar uma escapada voltava tarde e a aquela altura do campeonato minha mãe já tava descabelada de preocupação e com a varinha do pé de amora na mão. Ela fazia aulas de pintura e era com as marcas que a varinha deixava nas minhas pernas que ela mais gostava de praticar seus desenhos. Sangrava pra cacete.

Também tive muitos problemas no colégio, principalmente com brigas. Fui expulso e a porra toda. Chegou uma hora em que as escolas da região não aceitavam mais a minha matrícula. Eu já tava com má fama no bairro. Tive que me mudar pra uma escola num outro bairro muito distante. Um perueiro levava a gente, mas depois de um tempo também fui expulso da perua, mas na verdade eu só aprontei porque queria ir de ônibus urbano pra poder fazer o que me desse na telha.

Não sei muito sobre os meus primeiros anos de vida. Nunca vi fotos, nem nada. Lembro que bem pirralho adorava assistir Popeye numa velha TV em branco e preto. Morava em Lorena com uma senhora que eu chamava de Vó Geni. Minha mãe vinha me buscar às vezes. Chegava de charrete. Esse era um transporte muito comum naquela cidade naquela época.

Eu me escondia atrás da televisão achando que o Popeye estivesse por perto e não fosse me deixar ser levado por aquela estranha que eu nunca via. Pra mim era a bruxa inimiga do Popeye. Demorei pra entender que era a minha mãe, mesmo depois de algum tempo já morando com ela. Essa história é toda bagunçada na minha cabeça.


II

Minha mãe se casou com um japa e até ela ir acertando a vida com a família dele, fiquei feito bolinha de pingue-pongue pra lá e pra cá. Era inaceitável, uma mulher já com um filho entrar na família japoranga. Eu tive que morar com uma porrada de gente, entre Taubaté, Lorena e Campinas. Amigos, tios, estranhos etc. Até hoje não sei quem foi a Vó Geni. Aliás “joga pedra na Geni, lá, lá, lá, lá, lá, lá” foi a primeira do Chico Buarque que conheci. Tenho saudade. Nunca mais soube dela. Sei que não era a mãe da minha mãe, porque a velha morreu quando ela tinha onze anos e também não era a mãe do meu pai, porque a conheci há uns quatro anos atrás. É uma senhora toda esclerosada que não fala nada com nada e diz se lembrar de quando nasci. Estranho.

Ela perdeu dois filhos assassinados na porta de casa e uma filha infectada pelo vírus HIV, numa época ainda que pouco se sabia sobre a doença. Ou seja, os únicos três filhos que teve, morreram. Nunca vi a lata do meu pai. É bem compreensível toda a esclerose da pobre senhora.

Pra chegar salvo até as linhas deste texto tive que sobreviver e pra isso tive que aprender a me proteger bem cedo. Porque também bem cedo sai de casa. Mal tinha acabado de chegar.

Fiquei bom de briga. Sempre enfrentei vários malucos de uma vez, mesmo levando uma bela surra, às vezes. Não tinha medo e nem tenho. Encaro qualquer um que bancar de valente pra cima de mim. Não arrumo encrenca com ninguém, mas rezo pra não arrumarem comigo, porque daí... Putz, deixa pra lá. Cachorro que late au, au...

Porém, o medo que eu tinha de ser abandonado mais uma vez, ou ficar trancado no quarto me privando da liberdade, era maior do que toda a minha valentia. Esse troço nunca consegui superar.

III

Uma vez jogando futebol no campinho, a mãe de um dos meus amigos apareceu e chamou todo o time pra comer brigadeiro de panela que ela havia acabado de preparar.

O jogo acabou.

Sorridentes e empolgados todos começaram adentrar a sua casa. Fui o último. Ela me barrou ainda no portão. Em tom baixo, pros outros moleques não ouvirem disse que nunca mais queria me ver ali e nem brincando com o filho dela. Fiquei assustado com o jeito ameaçador da mulher e aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Não vi mais nenhum dos meus amigos depois disso. Fui procurar novos amigos em outra área. O nosso time se desfez. Nunca mais joguei futebol. Graças a Deus.

Eu não tinha nem 14 anos ainda e já tava na estrada pedindo carona pra poder estudar num colégio que ficava em outra cidade distante 50 km da minha. Ia e voltava todos os dias assim, até que resolvi me mudar pra casa dos meus padrinhos na mesma cidade. Depois daí não parei mais e nem voltei pra casa. Não parei mais de pedir carona, conhecer os lugares, as pessoas. Não parei mais de fugir. De ir atrás dos troços que sempre acreditei.

Desde aquela cena do brigadeiro de panela, tive medo de que cenas como essa se repetissem outras vezes. Morria de medo das pessoas. Não sabia reagir. Na verdade, não sei ainda. O medo em menor proporção me acompanha até os dias atuais. É foda, porque a conseqüência disto é o meu instinto protetor animalesco. Enfim. Não tenho medo de porra nenhuma Sempre estive a frente das situações mais perigosas em viagens e aventuras com os amigos, mas... mas...

IV

Não me tornei bandido. Hoje moro numa casa no campo bem ampla. Tenho cachorros e orangotangos. Empregados e cozinheiros. Eu trabalho na roça colhendo tomate no sol à pino, com um grande chapéu mexicano. Ah, às vezes escrevo contos. E sou um tremendo de um mentiroso. É só aqui que posso viajar nas minhas idéias do jeito que bem entendo. Qualquer semelhança com a realidade é mera ficção.

V

Este é um jeito teórico divertido de sobreviver e continuar rindo da vida.

quinta-feira, setembro 02, 2010

3D

Esse eu peguei lá no blog da amiga Fabiana Mello. Aqui. Bem legal!

sexta-feira, agosto 27, 2010

Comemoração

E amanhã vai rolar a festa do pessoal do Cemitério de Automóveis. Será lá no Centro Cultural Rio Verde na rua Belmiro Braga, 119 na Vila Madalena. Na minha opinião é um dos lugares mais bonitos e aconchegantes de São Paulo. Vale a pena.

Vou aproveitar que esta semana completei mais um ano de vida, que nem é tanto assim, mas o corpo já sente a diferença e vou reunir os amigos lá e comemorar com todos. Passa rápido demais e cada vez dói tudo mais um pouco.

Espero que leiam a tempo e apareçam. Vai ser bem legal.

Festa Cemitério de Automóveis

Blog da Talita

E essa semana rolou a apresentação do Homem Com a Bala na Mão. Apesar de todos os problemas técnicos gostei de ter feito. Sempre gosto. Tenho plena consciência de que a peça ainda tem muito o que amadurecer, mas sinto que isso vem acontecendo a cada apresentação, obviamente e por isso insisto em fazer. Enfim…

O legal disto tudo é que na platéia só tinha gente que gosto muito. A maioria conhecidos e alguns desconhecidos. Senti que o público curtiu e isso é o que importa. Essa peça tem uma história e é bem importante pra mim. Recebi alguns emails com bons comentários.

A Talita que vem frequentando a pouco tempo a praça e acompanhando e dando um baita apoio aos meus trampos, escreveu sobre a peça no seu blog. Ela é jornalista. Ta sempre com o Babu, que acho que São Paulo inteiro conhece. São as pessoas mais generosas que já conheci. Não tem tempo ruim e estão sempre apoiando e torcendo pelos amigos. A Talita é dessas pessoas inquietas, pensante. Ta sempre bolando alguma ação de causa nobre. Gostei bastante do que escreveu. Saca só:

 

Monólogo - Paulinho Faria

“Já fomos perfeitos um dia: foi no exato momento em que deixamos o ventre...”

Hoje eu vi O homem com a bala na mão. Ele pensava em suicídio, mas antes de cometer um crime contra si mesmo, ele queria muito falar. Falar e nos fazer pensar. Ele abriu a porta da sua casa, nos convidou a entrar no seu quarto. Sentados ali, diante dele, presenciamos um homem com um pouco mais de 30 anos, desabafando seus ressentimentos.

Ele contou aos presentes algo sobre a vida e morte do seu pai, que abandonado pela mulher criou o filho por alguns anos, mas acabou com a sua própria vida ali mesmo onde estávamos. Sentado na janela, deu um tiro na cabeça.

Também ouvimos a história da vizinha que andava nua pela casa com a janela aberta, até fechá-la, deixando ele louco de desejo por ela. E na mesma janela, este homem viu um outro, que, sentado ali abriu os braços e se deixou levar, sem um grito, sem uma palavra, apenas inclinando seu corpo para a frente, e num piscar de olhos a vida se foi. Antes disso o que houve?

Quantos pedidos de socorro essas pessoas deram antes do crime final? Ninguém os ouviu? Alguém fez que não viu?

Notei que algumas pessoas saíram do espetáculo meio baixo astral, reflexivas demais. Eram pessoas que tiveram amigos ou conhecidos que chegaram ao seu limite e apertaram o gatilho. E pelo que conversamos sobre o assunto, a sensação que fica é essa mesma, de peso, de uma certa parcela de culpa por não ter reagido quando era possível fazer alguma coisa. Um abraço talvez, mudasse a questão. Estamos disponíveis pra isso? Quem quer se envolver?

De quem é a responsabilidade quando se dá as costas para alguém que precisa desesperadamente de um pouco de atenção?

O ator  e autor do monólogo, Paulinho Faria, foi audacioso na escolha do tema.  De fato, é fácil desprezar ou agir preconceituosamente com quem precisa de ajuda; em geral ou julgamos, ou fugimos do assunto.

É desagradável, assumo, não quero nem pensar em coisas do gênero. Mas às vezes vale a pena levar um tranco desses. A linda música que tocou no final do espetáculo, foi composta por um garoto muito talentoso que recebeu na internet apoio, numa dessas comunidades de apologia ao suicídio, para se matar. E ele o fez!

No início do espetáculo o ator colocou no chão, num canto estratégico, um papel dobrado, e nos disse que era uma carta para ser lida quando ele se fosse. Quando tudo acabou, alguém pegou o papel do chão, e lá estava o relato deste caso, um entre tantos milhares que desprezamos.

O tempo todo o movimeto e o tom da luz avermelhada, o sutil som da goteira e do tic-tac interminável, despertavam no público tensas sensações . Que incômodo! Paulinho Faria estava tão entregue quanto envolvente. Eu diria que foi desagradável, e por isso mesmo um grande espetáculo!

Meu coração demorou uns 20 minutos para desacelerar! Isso porque o texto  aborda questões como o silêncio, o tempo, o momento, o estado da felicidade, e a morte como sendo o fim ou o começo de algo novo. Ele assusta com as reações flutuantes do seu personagem, que despeja sobre o público o que pensa, o que sente. 
E para complicar ainda mais, propõe ao público que tudo aquilo não passe de uma grande mentira, que ele possa estar brincando conosco assim como nós brincamos com ele ou com outras pessoas o tempo todo. É sério! Que tipo de trocas andamos fazendo hoje?

Aquele cara estranho, que vive trancado no seu canto, pode estar com a bala na mão. Se você perceber, por favor, não o despreze, talvez um gesto simples, como um abraço, possa ajudar.

OBS:

A apresentação única aconteceu em 24 de agosto, com a casa cheia!

Tinha gente sentada até no cantinho da escada. Acho que alguns não compreenderam, outros ficaram chocados, era espetáculo ou não era? Ele se matou ou não? Se houver uma segunda chance, eu aviso para voce mesmo testemunhar os fatos.

Parabéns ao grande ator e agora autor!!!

quarta-feira, agosto 25, 2010

UMA BOA DO JABOR

A BUNDA DURA 

É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada.


Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps.


Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite?


O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"


Arnaldo Jabor


E não se esqueça....

Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!!!"

segunda-feira, agosto 23, 2010

ÚNICA APRESENTAÇÃO

Vai ser nesta terça 24 de agosto de 2010 às 21h30 lá no Satyros 1. Só essa apresentação. Quem puder dar uma força divulgando, por favor. E apareçam.

o homem

http://satyros.uol.com.br/index.php/satyrosum/programacao-da-sala

BZF_02_11_09_2471

sexta-feira, agosto 20, 2010

E AMANHÃ É DIA…

DOS AMIGOS SE ENCONTRAREM PRA MAIS UM TREINO E JOGAR CONVERSA FORA. APAREÇAM.FLYER JIU

quarta-feira, agosto 18, 2010

DUPLA DE OURO

terça-feira, agosto 17, 2010

MALDITOS SONHOS EM NOITES FRIAS

DSC_3346 

Nesses dias frios tenho tido sonhos ímprobos. Tenho preferido ficar sob os cobertores de lã enrolados sobre minha cama. Tenho seguido o choro estranho que começa no andar de baixo, como o rugido de um leão perdido no telhado da casa de alvenaria da vizinha da vila de onde minha mãe cresceu.

Nesses dias frios, que tanto esperei, abri mão de chocolates quentes, que aquela minha avó do tapete voador preparava, enquanto eu me estilhaçava com pequenos pedaços das sobras das janelas dos apartamentos dos filmes musicais da década de 30.

Nesses dias frios ando sem roupa pelas ruas de Urano. Ando abraçando indigentes e secando seus cabelos com secadores de lojas de “eletrodomésticos falsificados”. E abro todas as janelas para que o vento traga as mais raras canções, vindas da Europa, Ásia, ou da vitrola que vejo ao lado do fogão a lenha com minha luneta hightech aqui do vitrô do meu banheiro, num apartamento distante quilômetros do meu.

Tenho dormido mais do que deveria... nesses dias tão gelados. Tenho cantarolado pequenas frases de comerciais de margarinas cremosas bem mais do que deveria.

E nesses dias frios decoro os textos das novelas de uma antiga emissora falida e os atiro sobre os parabrisas de carros desgovernados guiados por meigas criaturas revelhuscas perdidas na Washington Luis em madrugadas nebulosas.

Leio romances fajutos de autores esquecidos, de autores desconhecidos e de personagens inermes, que buscam, buscam e buscam... até morrerem. De personagens que esperam que algo aconteça amanhã. Personagens que perdem sua história neste momento, pensando que pode aparecer algo melhor depois, mas o depois nunca chega. E choram como a vizinha do andar de baixo, ou como crianças quando perdem seus pirulitos espirais, das cores do arco-íris, de onde consegui minha primeira barra de ouro.

Tenho tatuado diamantes debaixo do superfícilio cicatrizado por causa de um golpe perdido na madrugada de segunda-feira daquele ano que sempre quis não lembrar. Fui atropelado enquanto descia uma banguela sobre uma mountainbike e o aparelho que eu usava pra desentortar os dentes, rasgaram meu beiço de ponta a ponta rendendo-me 50 pontos mal costurados por um açougueiro de plantão de beira de estrada. Foi numa noite fria, madrugada de segunda-feira. Eu tinha 18 anos e hoje tenho um pouco menos. Tinha alguns juízos e agora todos já partiram. Faz um frio de lascar no meio da rua. Meu dedão partiu ao meio depois que a neve o congelou.

Ahh, nesses dias frios... sinto muita dor.

domingo, agosto 15, 2010

QUE MERDA É ESSA?

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Toda vez que vejo o vídeo abaixo, dá um engulho. Nem me pergunto o por quê de tão óbvia que é a resposta.

Que merda somos?

E vejo uma geração de merda da qual faço parte e não faço nada pra que seja diferente. Diferente no sentido profícuo da palavra.

As pessoas acham bonito serem diferentes e criam tribos e ficam mais valentes, se vestem feitos idiotas e se furam inteiros, desenham no próprio corpo, batem, xingam, fazem caretas em fotografias, não tomam banho, não penteiam o cabelo, vestem roupas velhas, decoram textos e os dizem em cima de um palco, ou diante de uma câmera e se acham sensacionais por isso e eu continuo não entendendo porra nenhuma. E tem outras pessoas que ficam criticando tudo isso. E tudo. Eu. E ai?

E toda vez que vejo esse vídeo, fico com vergonha de mim, das minhas conquistas pessoais, profissionais e blá blá, das coisas que ainda corro atrás etc. É tudo muito pequeno, insignificante. E o máximo que ainda consigo é escrever quase chorando neste blog, por causa da vergonha talvez, ou beber umas no fim de semana dizendo que é pra relaxar porque também sou filho de Deus, ou arrumar alguma garota tão perdida quanto eu pra passar a mão na minha cabeça quando a solidão aperta. Ou até receber míseros aplausos, às vezes, após uma apresentação, ou alguns elogios sobre alguns textos, ou uma competição vencida. É o máximo que consigo pra me conformar?

E um soldado moleque, digo moleque porque não devia ter nem 25 anos, porém tão grande perto do seu feito. Cansado de tanta merda e de ver tanta gente morrendo, gente pobre como diz ele, empeitou sozinho um país inteiro e não um país qualquer. Uma potência. E disse o que muita gente queria ter dito há muito tempo, ou estavam excessivamente cegos pra verem toda essa putaria. Denunciou sobriamente.

Enquanto isso os ricos ficam lá acendendo seus charutos, bebendo uísque importado e morrendo de rir, porque quem lhes era ameaça, já não é mais. E cada vez mais ricos, enquanto os pobres cada vez mais fodidos. E o truque deles é uma lavagem cerebral dizendo que estão defendendo e honrando a pátria. Que porra de pátria é essa? Serve pra que?

E a guerra nada mais é do que uma disputa “ingênua”.

E o moleque foi lá e disse tudo o que tinha pra dizer pro mundo inteiro. Sem medo e com a voz embargada no final do discurso, por ter desentalado o mundo que estava em sua garganta.

Não foi só pra se sentir aliviado e se redimir de toda a culpa por ter, provavelmente, tirado a vida de pessoas nessa guerra insana. Pelo brilho dos olhos, foi porque é honesto e acredita pra valer num mundo de verdade. Que pra mim isso sempre foi uma questão utópica.

Não ficou sentado na poltrona da sua casa, ou na mesa de algum bar entre amigos criticando pra se fazer de fodão. Foi e fez. E tanto fez que dois dias depois tiraram sua vida. Obviamente ele tava ciente de que isso iria acontecer.

A autópsia alegou ataque cardíaco. E eis a questão. E como um moleque que está um pouco longe de completar 30 anos pôde ter tido ataque cardíaco, exatamente dois dias depois? Passou por uma guerra e nada aconteceu. Em repouso teve isto? E todos se calaram e estamos calados. É foda ou não é? O inimigo como ele diz está bem mais próximo do que o previsto. Esse sim é um maluco. Gandhi foi maluco, Jesus Cristo foi maluco e poucos outros. E o resto? É resto. É só pressão. E por isso que tudo continua a merda que está.

Obviamente sei que não é só isso, mas parto aqui da premissa de que a maior revolução é a revolução interna.

Sobe tudo. Vivemos num país onde se paga a maior taxa de impostos do mundo e aplaudimos. E amanhã vai subir o arroz e o feijão de novo e vai fazer uma puta diferença pra muita gente que corta cana das 5 da madruga às 5 da tarde num sol à pino filho da puta de quente e vamos aplaudir e dizer que está tudo bem. Ou melhor, vamos parar num restaurante à quilo, encher o nosso prato de rango, comer até entupir o cu e depois jogar no lixo o que não nos couber mais. Eu continuo aqui. Deitado. Escrevendo. Pensando nestas coisas todas e não faço porra nenhuma. Nada além disto.

E agora tem eleição e vamos votar em quem? Tem alguém confiável? Pau no cu. Vamos fazer uma campanha pra todo o país anular e ninguém entrar. Simples assim. Utópico, não é? Vão dar um vale coxinha pra quem ta morrendo de fome e ta tudo resolvido. Serão eleitos.

E eu? Eterna pergunta.

E tem uns babacas que se acham doidos porque picham em lugares absurdamente impossíveis de se conseguir pichar. E sujam a cidade e a merda toda e dizem que é arte. Que precisam se expressar. Vão dar a bunda.

E eu me sinto um merda a cada frase que ouço no vídeo, a cada palavra que digito aqui. E o máximo que consegui foram... vocês já sabem. E como posso me sentir alguma coisa com isso? O que são essas porcarias diante de um ato tão heróico?

Posso até estar supervalorizando isso, mas alguém já soube de algo mais bravo por agora?

Pode soar como demagogia, como papo bicho grilo de barbudinho universitário. Pode soar como a puta que te pariu, mas mais uma vez foda-se.

Dá um engulho. Um engulho danado.

terça-feira, agosto 10, 2010

Via email

Este video me chegou esta semana. Sensacional. Ai sim tiro o chapéu!

“Discurso de um soldado americano, (vejam antes que o vídeo seja banido da net.)
O soldado apareceu morto 2 dias depois do discurso.
A autópsia revelou ter sido um ataque cardíaco.”

Alguém acredita em ataque cardíaco?

CONSULTE A PEDRA

Previsão do tempo

previsao do tempo

domingo, agosto 08, 2010

A PIOR COISA QUE ME ACONTECEU POR ESSES DIAS

caindo de sono

Tomei um susto hoje pela manhã quando vi meu rosto estampado na primeira página do principal jornal de São Paulo. Bebi meu café olhando atentamente para a foto, pra me certificar. Sabe como é quando a gente acorda? Até a ficha cair... Lavei a cara umas 5 vezes pra não restar dúvida nenhuma. Ao abrir o caderno principal, lá estava minha ignóbil figura preenchendo quase toda a página da matéria. Difícil acreditar. Juro que nunca almejei isto, mas aconteceu. E quando eu menos esperava. A-con-te-ceu. Quem me conhece sabe que não sou de brigas, mas já fui. A última briga foi pra defender um amigo que estava apanhando na porta do colégio de uns 4 caras enormes. Eu tinha 13 anos e ainda não raciocinava direito. Então cai na besteira de querer ajudá-lo. Que merda! Dói só de lembrar a surra.

Tudo pra tentar impressionar uma garota, que nunca mais vi. Mesmo fazendo muito tempo é inevitável não recordar este episódio. Ainda guardo de lembrança marcas e cicatrizes daquele dia. Devo admitir que por um lado foi bom, pois isto me fez nunca mais querer me envolver em brigas dos outros, ou melhor, em briga nenhuma. Também convenhamos, puta covardia. 4 gigantes contra dois franzinos.

- “Vai ser burro assim lá na casa do c...” – exclamo pra mim, frequentemente.

Hoje gosto de lutas esportivas e todo fim de tarde saio pra fazer uns treinos e levo comigo uma mochila gigante cheia de coisas. É longe pra cacete e sempre saio de casa no horário de pico de São Paulo. Tenho que enfrentar uma hora de viagem de ônibus lotado com a imensa mochila nas costas. É neguinho olhando feio o tempo todo. Um empurra-empurra fodido. Sei que é foda, mas não tenho outra saída. Ontem aconteceu a cagada toda. Busão transbordando, eu pedindo licença, todos colaborando e no fim do corredor, uma cara de costas, ouvindo walkman, ocupando todos os espaços do busão. Fiquei atrás pedindo licença e o filho da puta não se moveu. Passei atropelando, dai ele virou pra mim e falou:

-“Cara folgado... A mochila tem que passar primeiro sempre.”

Fingi que não ouvi, exatamente porque não estava num dos meus melhores dias. Insistente ele continuou:

-“Sempre tem um engraçadinho que quer ser diferente”.

Quando ele disse isso o sangue subiu pela cabeça, mas procurei me conter pra não fazer besteira maior e só retruquei, igual criança mesmo:

- “A mochila é minha e faço dela o que bem entender.”

Ficou me olhando feio durante uns 5 minutos. Até então não havia me encarado. Não aguentei e perguntei o que foi? Nem respondeu e veio pra cima direto com um cruzado. Me esquivei e já emendei uma voadora no seu peito que o deixou caído ali com os olhos bem esbugalhados e ofegante, olhando pra minha fuça com cara de bosta. A cagada é que do nada apareceram mais dois caras que vieram pra cima com tudo. Fui mais esperto e antes da porrada deles me acertar, dei dois socos no nariz de um e um chute giratório na orelha do outro. Ninguém ficou em pé e o ônibus todo se pôs contra mim. Eu só estava me defendo, poxa. Quando eu vi que o negócio ia esquentar pro meu lado, tentei fugir por cima dos bancos pisando na cabeça de quem estava sentado.

O ônibus tava em movimento e o cobrador logo percebeu que eu tinha gerado a desordem ali e quando eu estava pra saltar pela janela, ele conseguiu me segurar, mas provido de muita esperteza dei-lhe uma cotovelada no queixo que o nocauteou na hora.

O motorista morfético que assistia tudo pelo retrovisor em silêncio, pra evitar que eu fugisse pisou fundo no acelerador. Irritado, caminhei sorrateiramente até ele e apliquei-lhe uma gravata, fazendo-o apagar e ai assumi a direção. Pra completar a minha sorte, logo a frente avisto uma barreira de carros da polícia, onde sou obrigado a parar, pisando seco no freio, pra não fazer mais cagada. Todo mundo do ônibus veio parar na frente.

Os policiais invadiram o busão armados até os dentes. Perguntavam apenas onde estavam os filhos das putas. E os filhos das putas dos passageiros, apontaram pra mim, sem nenhuma hesitação. Os gambé nem quiseram ouvir explicação nenhuma e vieram pra cima feito boi bravo, se não fosse um dos policiais gritar lá do fundo:

-”Achei os filhos das putas. Estão todos aqui no chão”.

Acho que eu teria rodado bem. Todos os lazarentos dos passageiros que quiseram me foder, agora em silêncio voltaram seus olhares admirados pra mim e começaram a aplaudir. Palhaçada!!! Prefiro nem comentar nada. O chefe da polícia perguntou meu nome, apertou minha mão e me levantou no ombro. Puta mico! E um bando de micos ovacionando atrás. Uma multidão já me esperava na porta do ônibus. Repórteres, câmeras, fotógrafos. Flashes daqui e dali e essa putaria toda que fazem quando acreditam que alguém é importante. Não acreditava. Fiquei feliz, me senti um herói, chamaram-me de herói. Parece que fiz algo bacana pelo menos uma vez na vida.

Quando a ficha começou a cair tudo aquilo começou a me encher o saco e pedi pra sair dali. Tenho um pouco de fobia social, sei lá. Comecei a correr e um monte de gente veio atrás. Que merda. Não consegui nem ir pro treino. Tive que voltar pra casa. Descobriram onde eu morava e ficaram a madrugada toda gritando na minha janela. Mandei todo mundo a merda e ignorei-os, achando que não fosse acontecer nada. Os vizinhos se assustaram. Depois de toda a loucura, quando tudo pareceu mais calmo, deitei e descansei. Olhei discretamente pela janela e tinha uns peças dormindo sentados na minha porta. Se foda! Quando acordei... Tudo pareceu só um pesadelo, mas quando olhei la fora de novo, vi alguns sujeitos se levantando e saindo dali, resmungando. Fui pra cozinha peguei o café abri o jornal e o que vejo? Essa semana to fodido.