E é hoje a estréia lá no Satyros 1. Desde o ano passado numa correria danada. Uma criação coletiva. Um trampo que valeu a pena. To feliz pra cacete. Esse último mês passamos internados no espaço. Uma peça um bocado ousada, com umas paradas bem diferentes. Segue o link com mais informações, inclusive de como aconteceu tudo. aqui. E um video com algumas cenas. Espero-os lá.
sexta-feira, abril 30, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
QUEM AVISA AMIGO É
Não me lembro como, mas tempos atrás, fuçando pela internet encontrei uma lista de palavras que jamais devem ser procuradas no google, a não ser que você seja tão idiota e teimoso como eu. Tudo nesta vida é uma questão de opção. Óbvio. Sei que isso deixa todos curiosos, por isso vou postar as palavras aqui, mas deixo bem claro, é uma opção sua procurá-las ou não. Só não me culpem depois e nem me chamem de desocupado.
1º. This is not sexy - e clicar “Estou com sorte”
2º. 2 Girls and 1 cup
3º. GlassAss.com - e clicar “Estou com sorte”
4º. Muito nojento - em Imagens do google
5º. Large anus - em Imagens do google
6º. Goatse - em Imagens do google
7º. Lemonparty - e clicar “Estou com sorte”
8º. Fisting - em Imagens do google
9º. Gypsy 100 - em Imagens do google
10º. Motumbo - em Imagens do google
Agora. Quem for macho mesmo. Quero ver assistir esse video até o final. Aqui.
terça-feira, abril 27, 2010
segunda-feira, abril 26, 2010
domingo, abril 25, 2010
sábado, abril 24, 2010
ESTRÉIA HOJE
Lá no Espaço dos Parlapatões, o novo texto do grande brother Mário Bortolotto. Aos sábados 21h e domingos 20h. No blog dele com link ai do lado tem mais informações.
domingo, abril 18, 2010
CACHO DE MARIMBONDO
Hoje foi um domingo bem bonito. Nunca achei graça nos domingos. São depressivos. Acordei descansado e abri um vão na persiana do meu quarto. O sol deu uma lambida nos tacos do chão. Tava tudo silencioso lá fora. O que é raro. Minha janela da de cara pra Faria Lima que tem sempre um trânsito maldito. Tem muito busão que passa e são barulhentos pra cacete. Já to até acostumado, mas sempre acordo cansado. Não tenho sossego. Durmo com tampões pra ajudar.
O vento tava forte lá fora. Sacudiu a persiana e o cacho de marimbondo que tem dentro dela se manifestou. Fez o barulho costumeiro. Fazia tempo que não o ouvia, pensei que todos os marimbondos tivessem mortos, mas não. Eles ainda estão lá e bravos. Cada vez mais bravos. Rezo pra que nunca fujam dali. Acho que estão presos há mais de 80 anos e imagino que sejam gigantescos.
A luz que vazou pela brecha da persiana deu um certo charme na manhã. Fiquei na cama lendo Bukowski. Fazia tempo que não lia nada. Não conseguia. Ando sem tempo, sem ânimo, mas é muito prazeroso. Pensei em colocar um cd de Anton Bruckner, pra me acompanhar na leitura, mas o silêncio conseguiu ser mais atraente do que a música dele. Fui muito resistente, pois tava convicto de que a música clássica nesta manhã também combinaria muito com o charme da luz de alguns dos raios do sol.
Os fins de tarde do outono tem um brilho diferente. Procuro sempre estar na rua neste horário. O sol procurando um lugar pra se esconder é de uma beleza ímpar. Ele fica tímido nesta época do ano e prefere não irradiar muito. Somos mais amigos assim. Ele me tosta menos. Daqui a pouco esfria pra valer. O inverno. Confesso que mesmo tendo uma tara por noites geladas, saio durante o dia procurando pelo menos por um pedaço do sol, enquanto no verão brinco de esconde-esconde com ele.
Daqui a pouco ficaremos encolhidos em nossas camas, observando lágrimas se transformarem em pedras de gelo, enquanto pensamos num jeito prático de espantar o frio, enquanto na nossa vitrola toca uma bela música, ou esperamos por um sonho que espante os antigos pesadelos, ou tristes lembranças, ou até mesmo aquela sensação criada pelo cheiro daquele doce perfume. Um dia entenderemos que podemos realmente mudar, mesmo que o frio doa, ou rache nossos lábios. Aprenderemos que por algumas coisas valem a pena chorar até a última gota.
Sempre fazemos escolhas equivocadas. Apaixonamos-nos no momento errado, ou insistimos em não gostar de quem realmente nos ama. Vivemos cheios de medo. E na verdade não vivemos o que temos que viver, porque a merda do medo não nos permite dar um abraço daqueles bem apertados na Felicidade. Não sei onde ando com a cabeça pra escrever uns troços nada a ver. Não sei por onde ando desde que resolvi... Só sei que preciso tomar mais cuidado com a porcaria do cacho de marimbondo. Na hora que conseguirem escapar to fodido. Acredito que todos já devem estar de bengalas, mas mesmo assim deve doer pra cacete as ferroadas desses bichos gigantescos.
sábado, abril 17, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
EM VÃO
Alguém sabe me dizer o que é um ANTRO EXPOSTO?
Já conheci muito nego louco, mas igual a um sujeito chamado Ruy Filho, nunca. Eu acho. Quem em perfeita lucidez colocaria o nome de uma companhia de teatro de ANTRO EXPOSTO? Que porra é essa? Encontro muito com os caras, mas nunca tive as manhas de lembrar de perguntar o significado disto.
O pior ainda está por vir.
O cara tem seguidores.
Não sei quem é mais louco. Os malucos que o segue, ou ele.
Mas uma coisa é inegável, inquestionável e indiscutível. Desde que fundaram esse grupo, eles tem feito muito barulho na cena teatral paulistana. Montando peças e outros eventos como performances etc com nomes tão estranhos quanto o do grupo e com o mínimo de apoio.
ENTULHO, COMPLEXO SISTEMA DE ENFRAQUECIMENTO DA SENSIBILIDADE, agora EMVÃO e outras.
E todo esse prólogo pra poder falar desta última peça que citei. EMVÃO. Estreou semana passada, lá no espaço onde ocupam há mais ou menos dois anos, se não me engano. O elegantíssimo Centro Cultural Rio Verde, localizado na Vila Madalena, mais precisamente na Rua Belmiro Braga.
Antes de continuar preciso deixar uma coisa bem clara. Sou ator, como todos sabem e vou muito ao teatro, mas sou um sujeito um tanto burro, duro pra entender o que quer que seja. Uma piada, se eu não tiver quinze minutos pra refletir sobre, não a entendo, ou seja demoro ao menos 15 minutos pra gargalhar, se for interessante, é claro. Agora imaginem com filmes e peças mais complexas.
O trabalho anterior do grupo “Complexo...” tive que assistir duas vezes pra começar a entender alguma coisa. Assisti a primeira vez e sai doidão, transtornado e não sabia o porquê. Fiquei inquieto durante muito tempo até ter coragem de ir rever pra conseguir juntar uns cacos. Ai sim. Mas foi só depois de ter visto EMVÃO que fui entender que o que menos interessa no trabalho dessa rapaziada é entender algo. Como o próprio nome diz, “emvão”, tudo o que precisamos entender está nos vãos, nas entrelinhas. É isso? rs... E a peça te pega por uma outra via. Como as outras também me pegaram. Vixe, espero não estar endoidando de novo.
Confesso que não sou muito chegado em teatro físico, abstrato etc. Não sei se o teatro dessa rapaziada é isso, mas é foda. De tirar o fôlego. Vendo aquilo tive vontade de chorar por uma infância que jamais vou reencontrar, vontade de me atirar lá no meio daquele monte de botões e brincar com a rapaziada, como se fosse ali o poço da salvação, a recordação de belos dias que tive em cima de bikes detonadas quando moleque, sob fortes chuvas de granizo. Vontade de ficar sentado ali até começar a próxima sessão.
Pela primeira vez na vida, o trabalho corporal numa peça não me incomodou. Porque não tem nada sobrando e não é uma tentativa de demonstrar algo, oco, na maioria das vezes, mas é crucial a tudo aquilo. Tudo na peça ta bem encaixado. Pra entendermos melhor. A peça é de tirar o fôlego, como já disse, não é possível piscar e quase não se consegue respirar, porque ela te prende do começo até a hora em que deitamos na cama pra começar a sonhar.
A partir de então fica mais fácil entender porque acho todos eles muito loucos. Quando ouço o Ruy contando algumas idéias, acho todas quase impossíveis de serem realizadas e depois de um tempo o cara a realiza e o melhor, sem grana nenhuma, só com a ajuda e o trabalho árduo de toda a rapaziada. Quando me contou que ia construir um labirinto de plástico bolha, em plena praça Roosevelt pra dar uma prévia de Hamlet, achei absurdo. Dias depois lá estavamos eu e a diva, perdidos dentro daquilo. Eles saem no peito, atrás de alguns apoiadores. Ficam sem dormir etc e conseguem realizar tudo ao que se propõem.
É, meus amigos, ainda existem pessoas com esta disposição toda, porque felizmente ainda acreditam nessa utopia que é a arte, acreditam em mudanças e o caralho a quatro. E com essa dureza toda conseguem realizar um trabalho de uma honestidade sem tamanho e uma das coisas mais interessantes pra se ver aqui em São Paulo. E a pergunta que não se cala. Até quando trabalhos e grupos como estes vão ter que passar por esse perrengue todo? Nada contra os teatrões que tem todos os patrocinadores, leis etc, mas... deixa pra lá e seguimos adiante.
O maluco do Ruy. Opa, antes de mais nada, o Ruy é um sujeito que admiro e meu amigo também. Uma madruga o abordei de sopetão na rua Cardeal Arcoverde e o convidei pra dirigir o monólogo que faço e ele muito lúcido aceitou. Que medo, confesso. Mas voltando ao que interessa. Ruy deve ter levado lá pro espaço as lâmpadas dos abajures da sua casa e fez uma iluminação sensacional. Podem acreditar. Conseguiu um brasileiro agringalhado pra compor a trilha, e que trilha! E arrumou um quarteto de cordas pra executa-la ao vivo. Os músicos são exímios e respiram o tempo todo com os atores, contribuindo pra nos deixar pasmados. Tudo isso, não sei como, mas com certeza toparam por acreditarem muito no projeto.
O figurino é magnífico. A peça tem um classicismo que sinceramente nunca vi nada mais interessante no teatro brasileiro. Estou comparando às diversas montagens que já vi de Tchecov, Shakespeare, Ibsen etc e afirmo categoricamente que nenhuma conseguiu essa sutileza clássica. O elenco sempre surpreendente. O brother Tiago mostrou que chegou pra ficar, foi muito além das piruetas que se propôs a dar. Vê-se um grande ator. Guilherme sempre destruidor. Excelente! Raiani, encantadora. A cada trabalho mais madura e o Diego, ahhhhh, nem tenho o que falar e nem preciso.
Enfim.
Pra finalizar, só mais duas coisas. Não percam nem fodendo esse trabalho e como é bonito o sol de fim de tarde aqui na rua de casa. E o que o cu tem a ver com as calças? Eu não sei. Segue o serviço. No flyer acima. Todas as terças às 21h.
Ah, como admiro gente louca. O mundo realmente precisa de mais malucos como estes pra nos presentear com grandes obras toda a vida. Ai sim vejo esperança. Matem-a.
quinta-feira, abril 01, 2010
BMX
I
“saudade é uma palavra bonita pra cacete, mas dói mesmo quando tá parada no peito da gente.” – Marina F.
Sempre gostei da palavra saudade e do que ela causa na gente e por isso copiei esse trecho acima do blog de uma amiga que há muito tempo não vejo e nem falo, mas alguém por quem tenho muito carinho. Pra ler o resto do texto, acesse o blog dela com link ai do lado.
II
É movido pela saudade que sempre acabo fazendo o monte de merda que sempre faço. Saudade é uma palavra freqüente nos meus textos, principalmente na dramaturgia, às vezes bem diretas e outras vezes mais diretas ainda.
Não foi a toa que bloguei este vídeo no post abaixo. Fuçando vi sem querer um vídeo no youtube daqueles viadinhos azuis, os smurfs e continuei mexendo até chegar neste de aberturas. Lembrei duma porrada de coisas.
“Ò dia, ó vida, ó azar.” Flinstones, Jetsons, Smurfs, Thundercats, Gato Félix, Pantera Cor de Rosa, Manda Chuva e por ai vai. No INFANTv com link ai do lado também, tem mais coisas sobre isso. Vale a pena rever.
III
O presente que mais almejei durante quase toda a minha infância ganhei num Natal de mil novecentos e oitenta e tantos. Eu devia ter uns 8 anos. Minha primeira bike cross. Compramos no Carrefour. Ir ao Carrefour era muito divertido. Comia todos os salgadinhos e doces que não tínhamos grana pra comprar e depois deixava o pacote abandonado no balcão. Normal. Uma vez fui pego e deu uma puta treta. Mas não é esta a história agora.
Chegamos em casa tardão com as duas caixas imensas. Nem sei como coube no porta malas do Corcel I marrom coco, do meu padrasto. Depois de muita pentelhice, conseguimos convencê-lo a montá-las naquela noite. Falo de nós porque, meu meio irmão também ganhou. Eu tenho um meio irmão, meio japa.
Capotamos quase 3 da madruga, mas é óbvio que a alegria e ansiedade eram tantas que male má pregamos os olhos. Meu meio irmão, que na época devia ter 6 anos de idade, acordou às 4h30 da madruga e começou a me cutucar ao pé da cama. Depois de muito esforço consegui abrir os olhos e ele com um jeito que nunca mais vi, disse:
- Vamos? A chuva já passou.
Garoava um pouco ainda. O cheiro de terra molhada da vila onde eu morava não deixava o tempo mentir.
- O pai e a mãe estão até roncando. – riu ele.
Vestimos os nossos moletons amarrotados. E sem lavar o rosto, sem comer ou escovar os dentes, pegamos nossas Monarks Cross de pneus coloridos e fomos pra rua, debaixo daquela fina chuva.
Aquela não era exatamente a BMX que eu almejava, mas se parecia um pouco. A BMX era bem mais cara, da Caloi, mas a minha tinha espumas nos canos e pneus azuis. E era o que importava. Era o suficiente pras pessoas ficarem impressionadas olhando, cochichando e apontando. Foram poucas vezes na vida que me senti fodão e essa foi uma delas e me lembro bem.
Eu tava todo encharcado, mas me sentia o bonitão diante daquelas pessoas escondidas debaixo dos seus guarda-chuvas. Meu irmão parecia um pinto molhado. O cheiro de terra molhada dava um ânimo naquela manhã.
Como me liguei que as pessoas não paravam de olhar, empinei o nariz e comecei a fazer umas gracinhas. Umas pequenas empinadas. Era o máximo que conseguia. Sei lá quando isso iria se repetir novamente. Eu era um pouco pequeno praquela bike. Um pirralho. Rua de terra, toda molhada e cheia de lama. Já sentiram a merda, né?
Nenhum segredo. Chegamos em casa horas depois. Minha mãe preocupadíssima, mas nem apanhamos desta vez. Nossos sorrisos alegres devem ter causado algum bom efeito nela. Perdemos a hora da escola e tudo, mas brincamos a tarde toda e ainda comemos bolinhos de chuva, assistindo os Goonies na Sessão da Tarde. Enfim. Lembro disto tudo, porque é bom pra cacete. Nem sei por onde anda meu irmão e é claro que tenho saudade do cara que um dia já foi meu melhor amigo.
Tenho uma baita saudade daquelas bikes e daquelas pedaladas descompromissadas. Saudade do pão caseiro da minha velha, saudade de não fazer nada. Saudade daquela música infernal dos Smurfs lá, lá, lá, lá... que sempre cantavam em suas caminhadas. Saudade... de sorrir? Lembro exatamente do dia em que tirei esta foto acima.
terça-feira, março 30, 2010
quarta-feira, março 24, 2010
VAZIO DANADO
Em toda grande praça sempre tem uma senhora com suas tralhas que cuida dos pombos. Em cima do viaduto sempre tem alguém pronto pra saltar. Uns mais discretos e outros totalmente indiscretos. Os grandes amigos moram bem longe e têm a agenda lotada. Tem algo mais inconstante que a felicidade? É claro que tem, mas por hora, não consigo pensar em nada. Escrevo sempre pra tentar tampar um grande vazio que aparece de vez em quando. Escrevo porque gosto, mesmo quando não tenho o que dizer, como agora por exemplo.
E a vida como um sopro vai passando e nunca quer saber de voltar atrás. Esta nossa chance é única? E agora debaixo do viaduto muitos dormem embriagados pra se aquecerem do frio. Outros ainda tentam uns trocados e o máximo que conseguem é uma... ah, sei lá. Catarrada?
E a senhora com a tralha continua tentando se comunicar com os pombos. Alguém tem que cuidar deles, ela pensa. E quem cuida dela, penso eu. A esta altura já perdeu toda a esperança de ser entendida. Se é que ainda pensa sobre. Ela deve pensar que deveria se mudar pra Júpiter ou Marte.
E não é que escrever afasta o vazio da gente, pelo menos até o próximo dia, porque agora já são mais de meia-noite e daqui a pouco vou dormir. Nem terei tempo de chorar. O outro dia é... uma outra história. Você sabe o que é passar dos 30 anos, depois de já ter feito uma porrada de coisas na vida e o máximo que você consegue é levar tua garota pra comer no Habib´s? Ou no carrinho de hot dog da eqüina? É... pensando bem, pode até ser um luxo, pensando bem... tem um vazio danado pensando ainda se vai ou se fica. Eu vou, ele que se exploda.
sexta-feira, março 19, 2010
MISSÃO SECRETA
“Tenho esse texto guardado há muito tempo e só agora, como não tenho nada a perder mesmo, resolvi publicá-lo.”
Eu fui mandado uma vez pra uma missão no fundo do mar. Foi louco. Até onde sei, esta tentativa foi feita só uma vez e não sei se por sorte ou azar eu fui um dos cobaias. Nunca comentei com ninguém, mas passei 3 anos servindo na marinha. Tinha que ser segredo de estado, sigilo absoluto, mas a esta altura do campeonato to cagando. Prendam-me se quiserem.
Há algum tempo atrás fiquei sabendo do projeto de uma cidade submarina. Todo mundo achou surreal e absurdo. Só alguns servidores da Marinha sabiam disto. Nunca foi divulgado em lugar nenhum. Lá todo mundo ficou instigado com o negócio, mas por parecer uma idéia um pouco fantástica, poucos acreditaram que poderia dar certo e como sempre acho que nunca tenho nada a perder, me inscrevi pra ver no que dava. Os inscritos iam ter que passar por um monte de exames, preparação, provas etc e nesta época estava tendo um dos maiores concursos para promoção a major da marinha e quem estivesse neste projeto não poderia se dedicar ao concurso. Tive que optar. Deixei pra trás um salário absurdo pra me aventurar. Mais uma vez.
Poucos se inscreveram no projeto e depois de muito sofrimento e tudo mais, 5 sargentos foram escolhidos para viver na cidade submarina durante 3 meses, no mínimo, sem sair de lá. Claro, já estávamos bem preparados, mas na prática, com certeza, como sempre seria outra história. Risco de afogamento era o menor, pois tínhamos todos os equipamentos necessários para não ocorrer isto.
A pequena cidade foi construída dentro de uma caverna submersa, no oceano Pacífico há quase 3 mil pés de profundidade, praticamente no meio dos dois continentes. Foram anos. Eles conseguiram bloquear uma das saídas da caverna com uma redoma de vidro e passaram 15 anos tentando tirar toda água de dentro da redoma e depois construíram um pequeno prédio e algumas casas.
Eu sei que tudo isso foi feito por máquinas e controlado por computadores aqui de fora. O serviço humano era só deixar o material de construção lá embaixo.
Não sei descrever exatamente todo o processo de engenharia. Só sei que ficou muito bom. A idéia era habitar aquilo depois dos testes. Tinha de tudo. Tudo o que imaginarem. Sensacional. Como um pequeno bairro de São Paulo, ou melhor, uns quatro quarteirões como os daqui de onde moro. Aqui, por exemplo, num raio inferior a 100 m, tenho supermercado, drogarias, mc Donald´s, uma infinidade de restaurantes, botecos, academia, todos os bancos possíveis, posto de gasolina, conveniência, casas bahia, marabras, americanas etc, onde costumo torrar toda a minha grana comprando DVD´s.
Voltando. De início foi até curioso e por isso agüentamos 20 dias sem reclamar, mas depois o tédio começou a tomar conta do nosso animo. Não tinha muito o que fazer e estávamos enjoados um do outro também, então cada um começou a se virar com pôde pra fazer o tempo passar.
Como sempre gostei da vida oceânica, comecei a pesquisar mais sobre, aproveitando já estar lá e em pouco tempo eu tava dominando tudo.
Vivíamos rodeados de golfinhos. E o mais louco. Depois de um tempo eu já conseguia nadar sem equipamento nenhum. Percebi que fui adquirindo uns dotes aquáticos. Um processo de osmose. Tipo o Aquamen. Fiquei bem amigo de uns golfinhos e acabei adotando vários de estimação. São extremamente dóceis e gostam muito dos humanos. Fiz vários amigos debaixo da água. Dos mais variados tipos de peixes, algumas arraias, tartarugas etc.
Nadava ali por baixo sob a lua e sob o sol, não tinha nem medo de me perder. Só usava equipamentos quando sabia que ia ficar mais de 10 horas fora da caverna.
Bom, quis explicar tudo isto, pra contar que uma das maiores aventuras e a mais perigosa da minha vida passei nesta época. Carrego traumas e cicatrizes até hoje. Sai de madrugada com uns golfinhos. Havia um lugar que ainda não havia explorado. Nada demais. Voltamos já com o sol ardendo e no meio do caminho um tubarão martelo de mais ou menos 3, 50 m veio em nossa direção. Muito grande. Não da pra explicar.
Um dos golfinhos entrou na frente pra tentar me proteger, mas o tubarão era muito mais forte e acabou assassinando-o. Muito sangue e quase não se via um palmo a frente. Os outros golfinhos rapidamente foram tentar ajudar, mas foram mortos. O tubarão enlouquecido e ensangüentado veio na minha direção. Pensei que estaria ferrado. Não tinha muito o que fazer a não ser rezar e tentar reagir. Do jeito que ele veio eu me esquivei para direita, dando lhe um golpe clássico de caratê, seguido de um “ia”, deixando-o já quase sem todos os dentes. Só assim me senti um pouco mais seguro. Ele ficou me olhando, não sabia se atacava ou não. Como eu tava me sentindo um pouco mais confiante, resolvei atacar. Sempre aprendi assim. Atacar pra sair na vantagem.
Na seqüência dei um mortal triplo, seguido de um giro carpado. Ops! Calma lá. Não se espantem. Na água que bem mais fácil dar esses saltos. Não quero passar por mentiroso. Bom, só sei que cai por cima aplicando um mata-leão (tubarão). Vi os olhos deles se esbugalharem. Ele tentou rodopiar pra todos os lados, se debatendo, mas eu agarrei-o com tanta força, pois sabia que se ele me jogasse eu estaria morto. Foi muito tempo ali. Sorte que uns dois golfinhos sobreviventes perceberam rápido que eu não ia dar conta sozinho e começaram a ajudar-me. Começaram a fazer aquele barulho ensurdecedor deles e vários apareceram do nada. Foram pra cima do tubarão batendo forte no seu estômago. Foram tantas cacetadas que conseguimos acalmá-lo antes do previsto. O último deu uma porrada muito forte na cabeça e ele ficou meio grogue. Eu segurei pelo rabo, cauda, sei lá, e girei, girei, girei, com tanta força que o arremessei pra fora do mar. E foi assim que venci. Vencemos. Os golfinhos deram saltos de alegria e partiram pra enterrar os que haviam falecido ali. Não os vi mais.
Fiquei mais um tempo na missão e nenhum tubarão se meteu a besta comigo. Depois de um tempo parti. Aquilo não era pra mim.
Claro que sinto saudade. Faz parte. Não sei se a cidade existe ainda. Não sei mais dos manos que ficaram lá embaixo comigo. Não sei de nada. Gostaria até de saber, pois era um troço interessante. Se alguém souber de algo, por favor. E quando me encontrarem, se quiserem prova, peçam pra ver minhas mãos.
terça-feira, março 16, 2010
GHOSTBUSTERS
Acordei com o mundo girando. Óbvio. Foi um sonho que tive. E o sol que não teve as manhas nem de bater na porta, adentrou o quarto logo cedo tostando todos os meus miolos. Sai caminhando confuso pelo quarteirão, quando anoiteceu, procurando alguma maneira de diluir o efeito da angústia que insiste em se hospedar no meu peito como um viajante solitário. Sopro minha gaita nas caminhadas e toco qualquer nota, que se transforma numa bela canção de ninar. Boi da cara preta? Não. Eu não sou mais criança, mas tenho medo de careta, até hoje.
Percebo que sou vigiado de dentro dos apartamentos dos prédios da Teodoro que piscam suas luzes como árvores de natal. Tenho evitado fazer o caminho de volta pra casa. Até tenho me perdido de vez em quando. Tudo isso pra ver a lua aparecer em algum continente.
Ando querendo esquecer como faço pra chorar às vezes porque tem uma forte chuva fugidia de verão que não vai embora nem a pau. O temporal estilhaçou o vitrô da cozinha e abriu um puta talho na minha testa. Novamente não senti nada, só percebi quando vi o chão manchado. Dói mesmo bem aqui, conseguem ver? Não deixei o cardiologista dar nenhum ponto na evidente buceta na minha testa. Alguém tem o telefone dos Ghostbusters? É assim mesmo que se escreve essa porra?
domingo, março 14, 2010
Espera
No fundo você espera que o telefone toque, que batam à sua porta, ou apertem a sua campanhia. No fundo a gente sempre espera alguém, inventa coisas e cria histórias. E quando olhamos pela janela e não encontramos nada... no outro dia, ficamos com medo de abri-la novamente, porque entra um vento gelado carregado de lastimosas lembranças e o inverno chega com seu forte clima nostálgico. E lá no fundo, bem no fundo a gente fica torcendo por um boa noite dela, pra depois nos deitarmos numa cama fria sob quentes cobertores e esperar que o sono chegue logo com os sonhos. Talvez a única esperança. Mas no fundo queríamos estar tomando chocolate quente na frente de uma boa fogueira, com a cabeça no colo de nossas mães, ouvindo teus contos enquanto procuramos um final para os nossos. E todos os dias a gente corre olhar debaixo da porta esperando chegar alguma carta. Até mesmo uma carta vazia, só o envelope mesmo, com o nosso endereço escrito com letras de mão. E no fundo, no fundo... (um breve silêncio)... são tantas coisas que prefiro mesmo me calar... até o dia em que a vida realmente... (deixa pra lá, apertem o reset e tudo se inicia do zero). Eu não sei, mas no fundo, no fundo... acho que gostaria de saber... merda nenhuma.
Dramaturgia
Um dos maiores dramaturgos do país e também meu brother vai dar uma oficina lá no Célia Helena. Pra quem curte, só aconselho não vacilar. Só não vou por causa do trampo. O flyer tem tudo.




