terça-feira, agosto 21, 2012
PANKADA
terça-feira, agosto 07, 2012
Campeonato de Jiu-Jitsu
Placito Rodrigues
Wagner Meira
Paulinho Faria
Luiz Carlos Romano
terça-feira, fevereiro 14, 2012
Concurso de Fotografia
Acho que nunca fui finalista de nada. Nunca ganhei nenhum concurso, ainda mais estes lançados pela internet. No começo do ano mandei uma foto minha pra um e dias depois veio a notícia de que sou finalista. Agora para vencer, preciso da ajuda de vocês. Entra no link e votem nela, por favor. Cenas Urbanas – Paulinho Faria
domingo, novembro 06, 2011
QUANDO COMEÇA A PRIMAVERA? SENDO QUE LONDRES NEM É TÃO LONGE ASSIM
São quase meia-noite. Penso: As palavras me tem fugido.
Penso em tantas coisas mais, mas guardo estes obscenos pensamentos para depois entregá-los embalados em uma caixa 13X11 com um laço amarelo do tamanho dos cadarços da minha botina marrom.
Penso:
.
O que pensou você?
Só uma pequena manta de lã quadriculada tenta me salvar do vento gelado que entra por brechas da janela de frente pra uma avenida solitária durante a madrugada, onde o sol tem sempre o atrevimento de riscar os tacos mal encerados do chão de um quarto inóspito com o chegar da manhã.
Onde estão as flores? É primavera. Foram embora os tímidos raios do sol do outono. Os mais belos.
Penso em Londres. Penso em franco-brasileiras.
Pequenos flocos de neve devem congelar uma dessas pequenas francesas, de olhos azuis, perdida em alguma estrada sobre calçadas de ladrilhos com poste de luzes coloridas à east da cidade, do lado oposto de Notthingham.
Já vi no mapa Amèlie em sua casa tentando montar um imenso quebra-cabeça e desenhando flores com giz de cera, em imensas folhas de papéis, num bairro de infinitas casas da mesma cor, com o mesmo cheiro e textura, habitadas por eslovacos banguelos e imensos camundongos devoradores de tomate.
Corra Amèlie, corra... Pratique defesa pessoal. Meta-lhe os dedos em todos os olhos que ele tiver, mas evite os olhos do cu, senão seus dedos nunca mais terão esse cheiro parisiense e ainda por cima poderão cair.
É primavera aqui. Mas onde estão as flores? Estou me afogando numa forte chuva torrencial que o inverno deixou.
O cometa Halley riscou o céu, eu vi. Já tive lunetas, um planeta, fui amigo do Pequeno Príncipe. Tenho cinco dobermans que dormem no tapete poliéster do meu quarto. Tenho alguns rotweillers e não mais do que dez pitbuls.
Tenho sonhos e vassouras. Tenho até amigos que já viveram em Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Plutão.
Ah, também tenho me alimentado com peixe fresco comprado a preço de banana em imensos mercadões de cereais. Eu como filé de pescada e por lá comem-se deliciosos salmões assados com legumes.
Nada me deixa bravo, mas odeio mentirosos.
Não consigo mentir enquanto escrevo.
Ah, o teu sorriso. Como poderia não falar dele?
Mas e as flores? É primavera, não é?
Estão escondendo o prédio de alumínio que eu via aqui da minha janela e que o Minduim, pobre macaco, não tirava os olhos. Mas o que tem a ver o cu com as calças?
Estão escondendo tudo. Não ouço mais aquelas canções antigas de Buenos Aires. A manivela da minha vitrola, parou de rodar.
Avisto uma tesoura em sua mão e um olhar tenso de frente pro espelho.
Uma almofada recebe pedaços de finos fios de cabelo. Um a um. Enquanto em sua testa uma espécie de arco-íris de cabeça pra baixo vai surgindo. Todos da mesma cor.
E lembro sempre de alguém quando o caminhão de gás passa tocando aquela repetitiva música infernal de Beethoven, que para os meus ouvidos soam docemente.
E quando a lua aparece com o seu brilho eu me jogo sobre cartões postais perfumados, de ônibus vermelhos de dois andares, ou de típicas cabines telefônicas londrinas.
E é com seu guarda-chuva cor-de-rosa que ela coloca correspondências numa caixa dos correios bem ao lado de onde mora. Pisa em nuvens. E sussurra canções francesas. Aquelas mesmo que mais tenho gostado de ouvir. Sonho com isso todas as noites.
É primavera, não é?
Algum dia será. Todos os dias são. E serão!
Pra mim...
Pra você...
E mais uma vez o espaço em branco e sem ponto nenhum. Desta vez é proposital.
Por que?
domingo, agosto 21, 2011
A saga de Bob continua
Rose: Você é muito calado. Eu não sei nada sobre você.
Bob: Adoraria ajudá-la se eu também soubesse algo sobre mim.
Rose: Não é isso que quero dizer. Não sei sua história, de onde veio, nada.
Bob: Nada disto me interessa. Já foi.
Rose: A mim interessa.
Bob: Eu escrevo, não preciso ser redundante contando tudo.
Rose: Mas você nunca diz a verdade.
Bob: Algum dia alguém já disse alguma verdade?
sexta-feira, agosto 19, 2011
segunda-feira, agosto 15, 2011
Rose x Bob
Rose: Quando eu sumir da sua vida, você vai sentir falta.
Bob: Como pode ter tanta certeza? Eu me treinei a não sentir falta de ninguém. Tenho sentido falta de mim e só. Há dez anos sai a procura do tão sonhado Jardim do Éden e me perdi pelo caminho. Ainda não o encontrei. Agora não tem mais como voltar. Deixei-me pra trás, porque encontrá-lo virou uma obssessão. Deixei tudo pra trás na verdade e por isso sinto falta de mim.
sábado, agosto 13, 2011
terça-feira, julho 05, 2011
O JARDIM DA CIA HIATO
Essa foto eu tunguei do site da companhia e não sei a quem devo atribuir o crédito. Se alguém souber… por favor…
“O ARTISTA É SEMPRE UM SERVIDOR”.
“O artista que não tenta buscar a verdade absoluta, que ignora os objetivos universais em nome de coisas secundárias, não passa de um oportunista. O trabalho de um artista só se justifica quando é crucial para a sua vida: quando não é uma ocupação passageira, mas sim a única forma de existência para o seu ‘eu’ reprodutor.”
Esses são trechos extraídos do livro “Esculpir o Tempo” do cineasta russo Andrei Tarkovski. E eu tenho a cara de pau de tomá-los emprestados, neste momento, sem sua concessão, óbvio, enquanto não encontro melhores palavras pra falar sobre a grandiosa Cia Hiato, em particular sobre seu último trabalho. O Jardim.
Mas antes de falar especificamente sobre o trabalho, falo um pouco da companhia e as impressões que me causam.
Hiato é uma companhia relativamente nova, formada por jovens que entenderam perfeitamente a lição do mestre Tarkovski, no meu ponto de vista.
Nem sei se eles tiveram acesso a essas suas palavras, pelo menos, quando se propuseram montar a companhia. E nem sei se realmente tiveram algo a aprender, e isto é o que menos importa neste contexto, porque, creio eu, que um artista não é um produto, não se fabrica, não se pode formá-lo, como é o caso do ator, diretor, dramaturgo e seus similares. A arte no seu âmago, não se ensina e o artista não tem o que “aprender”. Ele é e ponto.
Faço-me entender melhor. Um ator, diretor, escritor, desenhista, músico e o que quer que seja, pode-se ensinar, “adestrar”, mas um artista não.
Existem diversas escolas de formação para as profissões citadas, mas não existe escola que crie um artista. O ser já nasce assim, suponho. É um estado de espírito e desde muito cedo, de alguma maneira, ele percebe que tem uma “missão”. A missão de servir, de transformar, sem esperar nada em troca como um legítimo franciscano, que abre mão de sua vida, por opção, para se dedicar ao outro.
Tarkovski acertou na mosca dizendo que o artista é um servidor. (Notem que insisto nisso o tempo todo e insistirei até o final desse texto.) Ele está aqui para servir e nem sei se ele tem plena consciência disto. O artista não julga, não compara, não se sente especial, apenas é e apenas faz. E sua arte é proveniente, dentre tantas outras coisas, da sua inquietação, da sua crença utópica?... Ou não?... De transformação.
Assim entendo a arte e não entendo, porque nós “artistas”-operários nos sentimos tão especiais e diferentes com as realizações dos nossos trabalhos.
E sentir-se “especial” tem um pouco a ver apenas com os profissionais da “arte”, aqueles que não são necessariamente artistas, pois apenas exercem seu ofício, cumprindo-o como o dever de casa e muitas vezes muito bem cumprido. Eles apenas nos fazem rir ou chorar e nada mais além disto. E não estou dizendo que isto não é bom, apenas comparando para me fazer compreendido.
Entendam, não estamos fazendo nada demais. Não estamos fazendo mais do que nossas obrigações. É isso que tem que ficar claro. Não somos especiais.
O artista renunciou teu ego, se é que um dia já teve. Apenas serve o próximo. Não entendo a arrogância de alguns e neste alguns e também sobre tudo o que discursei nos parágrafos finais desta primeira parte, obviamente, não me excluo disto, como podem notar. Aliás, respondo apenas por mim. Sou um “ator”.
Mas ao assistir trabalhos como este, entro em conflito, principalmente em relação ao que penso sobre o assunto. Sobre a utopia da arte.
A “arte” infelizmente está elitizada e por isso soa-me utópica.
A CIA
Meu primeiro contato com o trabalho da companhia foi em 2008/2009, não lembro exatamente. Mas lembro que alguns amigos comentavam sobre uma peça em cartaz na praça Roosevelt em São Paulo. Eu tava meio sem ânimo pra assistir teatro e qualquer outra coisa. Então me disseram pra ir ver “Cachorro Morto”. Fui sem expectativa nenhuma, ainda mais quando soube sobre o que se tratava. Uma investigação sobre portadores da Síndrome de Asperger, que é um nível mais baixo de autismo, superficialmente falando. O tema é interessante, pensei. Mas pensei também: Lá vem mais um grupo querendo falar de coisas das quais não tem a mínima noção.
Caralho! Estrepei-me quando sai da sala. Fiquei pasmo. Pois eles tinham propriedade total sobre o assunto e o tratavam de uma maneira muito delicada, peculiar e respeitosa. Toma bobão! Voltei pra casa em silêncio, pensando muito naquilo. Recomendei a amigos e os que foram partilharam da mesma opinião.
No ano seguinte, ouvia algumas pessoas falando sobre o tal “Escuro”, quando só depois me dei conta de que era a mesma companhia de Cachorro Morto. Resolvi assistir. Era a última semana lá no TUSP. E o mote desta vez era “o campeonato de natação de cegos, surdos e mudos da cidade de Arujá.” O que? – Pensei de novo.
- “Caralho, como penso. E como falo caralho”.
A peça acabou e mal consegui me levantar da cadeira. Tremia. Fui embora com a sensação de que tinha acabado de assistir um dos melhores trabalhos dos últimos tempos, se não, o melhor. E o melhor não é em comparação a nenhum outro. É o melhor pra minha pessoa. Que me fez bem e me pegou de um jeito, que... sei lá. Outra pesquisa incrível sobre o assunto. Os atores dominavam a linguagem de surdos e mudos e se não bastasse, de surdos e mudos cegos que é mais foda ainda.
Tudo muito detalhado e limpo. A direção de Leonardo Moreira impecável. Bem cuidada, um acabamento fora do comum. E realmente, os caras não estavam pra brincadeira. O grande respeito e o amplo conhecimento sobre o tema tratado estavam acima de qualquer expectativa mais uma vez. Tanto que no ano seguinte não me espantou nenhum pouco a quantidade de indicações que receberam ao prêmio Shell. Passei o resto do ano falando só sobre o trabalho. Torcendo pra que voltassem e amigos pudessem assistir.
E agora finalmente, consegui assistir O Jardim.
Desde o surgimento desta companhia, é isto que vejo em suas obras. A inquietude de jovens artistas, sem a pretensão de sê-lo.
Eles entendem que o artista é um servidor e por isso nos presenteiam com tanta qualidade humana. A companhia consegue transcender o simples papel do operário “artista”.
Hoje em dia a parada está tão banalizada que aposto que se eu for até o poupa tempo consigo tirar o DRT na hora (documento necessário para a legalização do trabalho do ator, diretor e outros) e ser um ator, diretor. Mas jamais serei um artista.
A Cia Hiato tem andado contra o fluxo. Realizam seus trabalhos muito bem alicerçados com pesquisas instigantes.
O JARDIM, até que enfim.
Após assistir O Jardim, o trabalho mais recente da companhia. Sai sentindo muito bem novamente. Uma sensação de leveza, transformação. Alma lavada.
Um trabalho profundo de investigação da alma humana, nada diferente dos anteriores neste aspecto.
Há muito tempo não me sentia tão especial e tão respeitado.
A direção da peça é mais uma vez certeira porque além de despretensiosamente bem sacada é invisível. Não tem grandes “experimentos”, mas é totalmente inovadora, porque mergulha na questão proposta. É isso que to tentando dizer até agora sobre os trabalhos anteriores. Ela nos serve. Está ao nosso serviço. Não quer ser complexa, apenas clara, o que possibilita o acesso a qualquer tipo de público. Toca a todos. Fala de indivíduos e suas particularidades, mas ao mesmo tempo fala de todos nós. O inconsciente coletivo.
Assim também estão os atores, que gentilmente emprestam seus próprios nomes aos personagens e o mais interessante é que em momento algum os vemos em cena e somente vemos os personagens, pois eles eximem suas vaidades e se entregam ao papel. Estão invisíveis. Não estão preocupados em mostrar o quão talentosos, técnicos etc são. Servem aos seus personagens, que consequentemente estão nos servindo.
Eu que há muito tempo estava desacreditando da função catártica e de transformação da arte, volto agora a ter alguma esperança.
Volto a dizer que contaminamos a arte com o nosso ego e ela, tornou-se utópica, elitizada, incapaz de nos proporcionar qualquer tipo de transformação.
Sai daquela sala sentindo-me grande. Os atores durante os aplausos sorriam singelamente, parecendo que nos agradeciam por termos lhes dado a oportunidade de poder partilhar aquele momento especial com eles.
E com a dedicação que tem ao trabalho, nota-se claramente que cada apresentação é muito especial. O trabalho é especial. Um trabalho sobre “memória” que teve como ponto de partida, a história particular de vida de cada integrante da companhia.
Pareciam extremamente felizes por aquele momento e porque logo em seguida repetiriam a seção. (Fui na semana em que estavam fazendo duas apresentações, uma seguida da outra.)
A genealidade de uma obra de arte é quando a forma é apenas conseqüência da sua verticalidade. A estética acontece por necessidade. Como é o caso deste trabalho muito bem cuidado.
Ideias todos temos. Estamos cheios de referências, mas o mergulho, a verticalidade, parece que temos sempre medo de atingir, pois não sabemos o que pode sair do buraco se este for cavado tão fundo.
A peça nos devolve o sentido à vida.
Voltei pra casa com lágrimas nos olhos, mas muito feliz por ter presenciado um momento como este e me sentido tão respeitado. Foi um presente.
E que fique bem claro, não sou amigo de ninguém da companhia e infelizmente não os conheço pessoalmente. Não sou crítico, escritor e porra nenhuma, mas gosto de expelir palavras em folhas em branco, quando me sinto estimulado a isso. E neste caso...
Não deixem de ver. Só não sei quando e nem onde agora. Pois já cumpriram temporada em SP e agora estão indo pro RJ.
Vida longa à Cia!
domingo, junho 19, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
COM O CU VIRADO PRA LUA
Uma mulher mal-encarada, antipática e muito, muito feia, entra numa loja com duas crianças. O gerente da loja, querendo ser gentil, pergunta para a mulher:
- São gêmeos?
A mulher, fazendo uma cara de poucos amigos e, ficando ainda mais feia, diz:
- Não, paspalho!!! O mais velho tem 9 e o mais novo tem 7 anos. Porque?! Você, realmente acha eles parecidos, seu idiota?
- Não, absolutamente. É que eu só não posso acreditar que alguém tenha comido a senhora duas vezes!
terça-feira, junho 07, 2011
MAFFEI
Fui visitar, na UTI, o meu vizinho, japonês, vítima de grave acidente automobilístico.
Estava entubado, olhos fechados, totalmente imóvel.
Em pé na beira da cama, vendo ele sereno, repousando com todos aqueles tubos, fiz uma oração silenciosa!
Em dado momento, repentinamente ele acordou, arregalou os olhos e gritou:
- "Sanso no hoso kara ashi o tote kure konoyaro!!!" Suspirou e morreu.
As últimas palavras do amigo ficaram gravadas na minha cabeça!!
Na missa de sétimo dia, fui dar os pêsames à mãe do amigo:
- 'Dona Fumiko, o Sujiro, antes de morrer, me disse esta palavras:
"Sanso no hoso kara ashi o tote kure konoyaro". O que isso quer dizer?'
Dona Fumiko me olhou espantada e traduziu:
- "TIRE O PÉ DA MANGUEIRINHA DE OXIGÊNIO, FILHO DA PUTA"!
sexta-feira, maio 13, 2011
A HISTÓRIA DE TODOS NÓS
Até que enfim consegui ver o filme Vips.
Se tem um cara com quem trabalhei um dia e nunca me esqueço é o diretor, Toniko Melo.
A ocasião foi em um filme publicitário produzido pela O2, onde me colocaram pra carregar a réplica de um piano, por mais de oito horas por dia, durante três dias e que pesava no mínimo uns trinta quilos. Foi foda.
Apesar de ter uma baita duma massagista maravilhosa, que mais animava meus hormônios, do que aliviava minha dor, eu sai de lá praguejando aquele diretor que me fazia repetir diversas vezes a mesma cena e tudo por causa de mínimos detalhes técnicos que só ele e mais ninguém detectava. É claro que depois de ver o resultado, calei minha bronca e entendi-o. Quer dizer...
Mas entendi tudo muito melhor no final da sessão desta semana. O ritmo alucinante do filme, é uma grande sacada e quase que uma novidade. Novidade, porque é algo que acredito e pouco vejo, nada comum. Vem apoiado exatamente nos pequenos detalhes, imperceptíveis para tantos. E isto faz com que a gente não despregue os olhos da tela por nem um instante. Está tudo no lugar. Cada elemento faz parte e acrescenta à história. É tudo muito bem construído e amarrado. Uma finalização quase rara no cinema nacional. E olha que nunca atentei-me muito a isso, mas o capricho é tão grande que não teria como deixar passar batido.
Não à toa Toniko é um dos maiores diretores publicitários do nosso país e isso no cinema soou como um mérito e o que na minha opinião, coloca-o na mesma posição nesta sua nova carreira. Vê-se de imediato o quão promissor ele é na sétima arte.
Optaram, por uma narrativa simples e linear, outro mérito, quando se diz respeito à contar, em particular, a história de alguém. E o que faz o filme agradar o grande público não é a forma pela qual optaram em conduzi-lo, pois dizem por ai que esta estrutura cinematográfica simples e linear é construída exatamente pra isso. Grandes críticos sempre na busca do que dizer, acabam caindo em suas armadilhas igualmente clichês.
A arte é “libertadora” e por isso nos oferece infinitas possibilidades de acessos e construções. E mais do que um filme comercial, porque não propõe só o entretenimento. É sobretudo artístico, apesar de todo bem feito e bonito, consegue nos fazer refletir e ainda é preenchido com críticas, provocações sobre a fútil sociedade extremamente consumista. Mais do que a história de um mentiroso, ou qualquer outra coisa, ele fala sobre a história de um sonhador e é por isso que pega. Desafia-nos. Quantos sonhos temos guardados em gavetas?
Marcelo que também tem tantos outros nomes, pra realizar teu sonho não se põe limite. Vai além do que imagina ser capaz, mas que de alguma forma sempre soube que poderia um dia chegar. É óbvio que de praxe, em algum momento se perderia. Crise de identidade. E quem de nós sabemos quem somos na realidade? O cara permitiu-se a ir além. Arriscou e por isso talvez, tantos conflitos. Mas não se deixou vencer por isso. O filme é construído sobre arquétipos e por isso tem essa grandeza e tanta identificação.
Fala-se muito sobre Wagner Moura. Sem sombras de dúvidas, o cara está espetacular. Não é por acaso, que vem sendo considerado o ator do momento, mas o elenco todo está a altura. Vê-se uma grande homogeneidade. Ninguém muito além e muito menos aquém e, isto, sem sombras de dúvidas, em grande parte, é também mérito desta precisa direção. Mais surpreendente do que o protagonista, pra mim, é o diretor.
Vips é tocante e é sem sombra de dúvidas, a história de todos nós.
RACIOCÍNIO LÓGICO
Na aula de Biologia, o professor expõe uma teoria.
Quatro lombrigas são colocadas em quatro tubos de ensaio separados:
A primeira lombriga em álcool;
A segunda lombriga em fumo de cigarro;
A terceira em esperma;
A quarta em terra natural.
No dia seguinte o professor mostra aos alunos o resultado:
A primeira lombriga, em álcool, está morta;
A segunda, no fumo do cigarro, está morta;
A terceira, em esperma, está morta;
A quarta, em terra natural, é a única viva e saudável.
O professor comenta que é bastante nítido o que é prejudicial e pergunta à classe:
- O que podemos aprender desta experiência ?
De pronto, responde Joãozinho:
- Quem bebe, fuma e trepa não tem lombriga!
sábado, maio 07, 2011
FELIZ DIA DAS MÃES
Amanhã, oito de maio de dois mil e onze, é dia das mães. Não ligo pra data nenhuma. Natal, aniversário, carnaval, dia dos pais, das crianças, réveillon e essas porcariadas todas. Mas dias das mães pra mim é sagrado. Primeiro porque tenho uma mãe e tanto e sei que ela se importa com este dia. Importa-se com meu abraço, telefonema etc.
Lembro muito bem quando eu fazia aquelas lembrancinhas na escola e depois levava pra ela. Era o máximo que eu podia dar. Era um moleque vadio e ainda por cima bem pobre. Eu escondia e só entregava no domingo mesmo. Óbvio que ela sabia que eu iria fazer uma surpresa, porque todo ano era igual. E ela fingia muito bem que acreditava. Ela gostava, chorava e se emocionava pra valer. Eu não tinha noção. Achava que aqueles presentes feitos de papel e sucata eram um puta presente e pra ela era mesmo.
Eu entendi depois de adulto porque aquilo significava tanto. Ela perdeu a mãe com doze anos e nunca conseguiu fazer surpresas pra ela. Depois ela me teve e me ter foi uma fuga pra sua solidão e a realização de um sonho. Soa como egoísmo. Mas graças a isso estou aqui, às vezes escrevendo um punhado de coisas sem sentido nenhum neste blog. Às vezes tento acertar com ela, mas nem sempre dou conta.
Nunca vi a cara do maluco que embuchou minha velha. Ela sozinha deu um duro danado pra que eu não ficasse sem rango. Ela me contou que chegamos a dormir na rua, em construções etc. E me dava água com açúcar porque o leite materno tinha secado. Ela nem tinha o que comer direito, mas não me deixava sem. Depois casou com um japa que nunca foi muito com a minha cara, mas ele cuidou dela e hoje a gente até que se entende e gosto dele.
Bom, e segundo porque ser mãe, na minha intrometida opinião é uma dádiva, um privilégio que nós homens jamais teremos. É foda e por isso também faço tanta questão desta data.
Eu sai de casa com quatorze anos pra tentar me ajeitar na vida, arrumar uma grana e cuidar dela. Ainda não consegui e isto me frustra pra cacete. Mas é isto que me faz continuar tentando. É daí que tiro toda força pra seguir a cada dia.
Este ano passei dias de angústias e chorava calado aqui no meu quarto. Ela está numa região bem próxima da região onde ocorreram todas aquelas catástrofes na terra do sol. Ela ficou incomunicável por duas semanas e eu sem dormir esses dias todos. Eu não sabia o que tinha acontecido com ela. Isso doía um bocado. Tive notícias semanas depois, mas mesmo assim não conseguia vencer a angústia. Eu sentia um desespero em sua voz quando me ligava, mesmo querendo se passar por tranqüila. Eu acompanhava as notícias e via que as coisas estavam realmente se amenizando, mas tinha e tem a porra da radiação. Isso era um sufoco danado. O carma. Agora ta tudo em ordem. Pelo menos é o que parece. As notícias sobre Osama tomaram conta dos jornais.
A merda é que não vou poder passar o dia das mães ao seu lado este ano e nem sei se vamos conseguir nos falar. É ruim. Não consigo ligar pra lá.
Ela não precisaria passar por nada disto se as coisas já tivessem dado certo Por aqui. Ela ta lá no Japão tentando ganhar uma grana com o japonês que vive perdendo tudo em jogo. Eu gosto dele de verdade, mas fico puto quando ele apronta essas merdas e a minha pobre velhinha acaba pagando o pato junto. Pobre velhinha mesmo. Ta com quase sessenta e ainda rala naquela rotina de trabalho insano daquele país.
Acho que às vezes ela da uma fuçada no meu blog, mas eu não gosto. Não escrevo coisas que a agradem aqui. Isso me priva um pouco. Dei um tempo de escrever aqui por isso também. E ela nesta loucura toda deve ter desistido de lê-lo e nem sei se ela vai ler isto. Não me interessa. Resolvi escrever porque amo demais essa velha e porque meu olhos se encheram de lágrimas quando reli o texto que escrevi do último dia das mães que passamos juntos aqui no meu apartamento. Foi bem incrível.
Isso me fez lembrar da infância, da porra da inocência perdida. Dos dias nos parques, no circo, do algodão doce no zoológico, das pipocas e doces de amendoim nas festas juninas da escola e da vila. Da casa cheia de alegria e as festinhas de aniversário surpresa e as que a gente ajudava preparar. Ela adorava isso. Do meu mau humor por causa do sertanejo dela no talo. Daqueles poucos anos que vivi com ela. Das surras que eu levava na rua e dela me defendendo com unhas e dentes. Das surras até marcar que ela me dava com uma varinha do pé de amora. Eu tentando defendê-la de uma briga com o japonês, com uma espada de plástico que eu havia acabado de ganhar. Porra, nunca mais vai voltar. Eu paro por aqui. Tem algo entalado na garganta.
E desejo a todas as mães um Feliz dia das mães com seus filhos. Aproveitem pra cacete!
Amo você minha coroa.
E este é o texto que escrevi em sua homenagem no último dia das mães que passamos juntos.
ESTA COROA VALE OURO
Minha mãe passou os dias das mães aqui em casa comigo. Fui mais presenteado do que a presenteei. Desde moleque sempre ficamos muito distantes. Coisas da vida. Enquanto ela ia tentando acertar a vida eu morava com uns tios e tudo mais. Ela casou e já me tinha. A família do seu novo marido não aceitava muito a situação. Então pro negócio ir se alinhando, eu passei uma parte da infância em Taubaté com suas irmãs. Devo ter ido morar definitivamente com ela aos cinco ou seis anos de idade.
Com 14 anos eu já tinha decidido morar fora pra estudar em outra cidade. Fui. Quando me formei, ela foi morar fora do país com o marido e o outro filho. Dai em diante, conseguimos nos ver vez ou outra. Eu continuei rodando e hoje estou em São Paulo. Há quase 10 anos. Vida nômade. Quase 15 anos se passaram e ela está de volta. E sempre que pode vem ficar uns dias comigo pra fugir da rotina interiorana, casamento saturado etc. E ter a companhia um do outro.
É emocionalmente desequilibrada, mas é a pessoa mais figura que conheço. No café da manhã já abre logo uma latinha de cerveja e só pára pouco antes de dormir. Nem comida ela bota pra baixo. Não sei como consegue. Fuma que nem um gambá. Acho que o organismo dela já está invulnerável.
Mês retrasado veio pra passar um dia comigo e acabou passando sete. Veio só com a famosa bolsa de mulher. Sem roupa nenhuma. Pegou meus moletons emprestados e tudo mais. Sou bem maior do que ela. Ficava parecendo vocalista de Hip-Hop nas minhas roupas. Andando pelo quarteirão encontrou umas coisas baratas e descartáveis pra vestir e assim foi.
Acordava cedo, preparava o almoço, pegava uma cerveja e descia. Sentava na frente do prédio com o Jair. O Jair é um cara legal que vem todos os dias pra cá. É aleijado das pernas. Nasceu assim. Todos da região estão acostumados com ele. O pessoal passa, o cumprimenta, bate um papo e deixa uma moeda. Sujeito alto astral pra caramba. Carismático. Minha mãe pagava umas brejas pra ele e ficavam lá a tarde toda dando risadas.
A coroa estudou pouco na vida, mas é capaz de fazer qualquer um rir. Quando exagera na bebida fica um pouco pedante e agressiva. É de longe a pessoa mais acolhedora que conheci até hoje.
Tinha acabado de tirar a carta de motorista. Eu devia ter uns 9 anos. Moravamos em Campinas. Ela me acordou de madrugada chorando. Encheu o carro de comida e cobertor. Era uma noite de inverno. E me fez ir com ela até o Taquaral um parque parecido com o Ibirapuera, pra deixar aquelas coisas pra uns moleques que ela tinha conhecido na rua naquele dia. Quando os viu jogado na calçada, começou a chorar, os abraçou, cobriu-os com os cobertores, deixou comida, falou um pouco e quando eles voltaram a dormir, partimos. E aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. E muita coisa em mim mudou por causa disso. Ela deve ter lembrado a infância dura que teve na rua. Ficou órfã total com 13 anos e dai teve que se virar. Passou fome e a merda toda.
Não quer que ninguém passe pelo que passou. Não me assusta o seu desequilibrio emocional, mas tem hora que é foda de aguentar. Apesar de tudo, é a pessoa mais especial da minha vida. A única coisa que quero é que ela dure muitos anos ainda, pra eu poder de alguma forma retribuir a tudo que já me fez. Pra eu poder ter sua companhia sempre por perto. Porque até que enfim agora vamos conseguir passar mais tempo juntos.
Este é o Jair!
quinta-feira, maio 05, 2011
VIVALDI TIROU-NOS DO PRECIPICIO
Enquanto Vivaldi toca em minha vitrola, eu arrisco algumas palavras pra uma nova história.
E penso naqueles dias tristes
Em pedras de gelo derretendo em nossos copos de Logan comprado no Shopping China em Pedro Juan Caballero no Paraguai.
Frio do caralho.
Fechei a janela e o frio continua.
As pontas dos meus dedos estão duras.
Escrevo
Ó felizes dias
Ó felizes noites
Ó a puta que te pariu
Na extinta zona Franca de Manaus.
Enquanto Vivaldi toca em minha vitrola, em algum outro canto da inóspita cidade ela abre uma garrafa de Jack Daniels, enquanto comete suicidio ouvindo alguma daquelas merdas nacionais.
terça-feira, abril 26, 2011
ESPERA
No fundo você espera que o telefone toque, que batam à sua porta, ou apertem a sua campanhia. No fundo a gente sempre espera alguém, inventa coisas e cria histórias. E quando olhamos pela janela e não encontramos nada... no outro dia, ficamos com medo de abri-la novamente, porque entra um vento gelado carregado de lastimosas lembranças e o inverno chega com seu forte clima nostálgico.
E lá no fundo, bem no fundo a gente fica torcendo por um boa noite dela, pra depois nos deitarmos numa cama fria sob quentes cobertores e esperar que o sono chegue logo com os sonhos. Talvez a única esperança.
Mas no fundo mesmo queríamos estar tomando chocolate quente na frente de uma boa fogueira, com a cabeça no colo de nossas mães, ouvindo teus contos enquanto procuramos um final para os nossos. E todos os dias a gente corre olhar debaixo da porta esperando chegar alguma carta. Até mesmo uma carta vazia, só o envelope se possível, com o nosso endereço escrito com letras de mão. E no fundo, no fundo... (um breve silêncio)... são tantas coisas que prefiro mesmo me calar... até o dia em que a vida realmente... (deixa pra lá, apertem o reset e tudo se inicia do zero). Eu não sei, mas no fundo, no fundo... acho que gostaria de saber... merda nenhuma.
sábado, abril 16, 2011
MAIS UMA VEZ HORÁRIO NOBRE
Camilo mandou mais um belo texto sobre a peça. E hoje é a última apresentação do mês lá no espaço e depois a peça segue em algumas viagens. Não percam. Às 20h, no Ponto de Cultura Garapa, na rua D. Pedro II, 1313, atrás do terminal central. Os ingressos são limitados. Então façam sua reserva pelo telefone (19) 3377 2001
Teatro de Plínio?
(sobre a peça Horário Nobre)
Plínio Marcos era um dramaturgo da era obscura da política brasileira, dos tempos que sabiamente saíram das datas comemorativas de 31 de março, posta na tal para evitar o golpe do riso de primeiro de abril de 1964, em que as “otoridades” de então lançaram o país no atraso. Numa época de censura em que era proibido se reunir, debater, (nessa época até reuniões políticas se faziam às escondidas ou em alguma comunidade eclesial) o seu teatro era a forma de mostrar o reflexo nefasto na vida das pessoas, como na “Quando as máquinas param”. Forte crítica social ao desemprego e seus reflexos na vida da família – após a peça, o debate, mesmo em casa, era inevitável. As pessoas se defrontavam com problemas reais e de sobrevivência. Como o governo da época se dava ao luxo da violência, o teatro de Plínio era mais uma amostragem doméstica, uma valvulazinha neurótica.
Horário Nobre surge neste ano de 2011, com um viés semelhante – chocar e provocar a reflexão. Peça muito bem escrita, montada e dirigida por Paulo Faria e encenada por Charles Mariano e Bruno Agulhari. Passa toda ela num quarto de pensão de terceira categoria, num lugar horrível de nosso inconsciente – em algum lugar do presente com algum analfabeto ou alfabetizado desempregado; a falta de higiene e bem-estar, as discussões de Zé com Rato sobre uma televisão que este roubou ou comprou com o dinheiro da dispensa do trabalho dão o tom de uma realidade imediata de Rato, a TV; e a visão sonhadora de Zé, melhorar de vida.
Onde está a nobreza de suas vidas, o título Horário Nobre foca o horário esnobe de algumas novelas em que o cenário montado é imitação de casas luxuosas da classe rica e o glamour de suas vidas, em que os problemas domésticos é de alguém que entra em depressão porque quebrou a unha ou o namorado morreu ao decolar de seu aviãozinho particular, ou uma doença que parece que só ataca ricos como câncer, ou um caso de algum jovem que está assumindo a homossexualidade (agora virou moda e é até chique novelas defenderem algumas bandeiras, dá mais audiência), é a vida de pessoas de sucesso e seus problemas, mas o povo quer ver e sonhar, talvez até imitar ou saber que pode repetir no seu mundo – também querem ser pessoas de sucessos, ter avião particular, lindas esposas, carrões e esses probleminhas para chorar essas lágrimas solidárias.
Rato, vai montando seu quebra-cabeças e desmontando a qualquer momento de sua demência obcessiva, este pode num momento fazer um gesto de amor e noutro matar o amado, mas na TV está o acesso ao mundo, às mulheres bonitas, aos carrões, à vida “real” da sociedade (pensa).
Bem, se você não quer perder a novela, não assista ao Horário Nobre de Paulo Faria; todavia, o que vai passar hoje? A dúvida atormenta, mas a Vida não é a simples lógica e no bar da esquina ou na igreja da matriz tudo pode acontecer, até aquilo que não acontece e o Nada deixa dá um tempo para pensar. Se fecharmos a mente como o Zé vamos viver alienados, se sonharmos como o Rato, podemos estar mortos num momento qualquer. E se... desculpe-me, se não queria ler este texto, paciência, já leu...
Camilo Irineu Quartarollo
terça-feira, abril 05, 2011
Eu, a Land Rover e, você? Na Africa do Sul
Ok baby! Eu sei que chove forte lá fora. Eu não tenho carro pra te levar pra um passeio nesse domingo entediante, mas tenho uma mountain bike em ótimo estado que ganhei de um amigo “velho”. Tenho dois pares de patins rollers e podemos patinar quando o sol sair. Por favor, baby não ria se eu cair, pois estarei tentando te impressionar com alguns giros que vi numa revista sobre o assunto. Não me importo se eu me machucar. O que eu quero mesmo é te agradar. Porra, rimou, mas juro que não foi de propósito.
Ei baby. Você tem sua bike? A gente pode ir de um lugar pro outro com ela. Eu e você. Debaixo da chuva, com nossos walkmans no máximo volume. E se você não tiver, eu arrumo uma da minha irmãzinha. É uma Ceci rosa, bem clichê e ela sempre carrega flores no cesto. Mais clichê ainda. Mas foda-se. A gente nem vai lembrar disto quando estivermos sobre elas em alguma estrada a oeste do país.
Não, eu não quero uma carona. Essa longa caminhada faz parte da minha rotina diária de treinos. Tomei muito sorvete de flocos nas férias. Agora preciso emagrecer. Minha barriga ta fora do calção.
Olha, vou ligar o rádio aqui e deixar uma canção tocar. Pode ser aquela? Aquela que você tanto gosta? “Don´t Cry Baby” de Madeleine Peyroux. To tentando deixar fluir essas palavras da mesma maneira que ela canta essa bela música, mas não tenho talento com as letras e muito menos com a melodia. Mas é bonita e sempre lembro de nós dois.
Ah, você nunca mais me ligou. Eu chorei várias vezes. Como é que ta ai? Sabe no que ando pensando? Isso mesmo. Eu sabia que você saberia.
Eu queria saber compor boas canções de amor. Mas eu não sei. E também não me sinto um fracasso por isso. Não fico nem triste. Quero ser como todo mundo que declama poemas melados pras suas garotas bundudas. Mas tocaria todos os dias, se eu soubesse, muitas canções no antigo violão.
Ok baby! Vamos dar uma trégua. Ando ouvindo muito blues Mississipi e por isso te chamo assim. Não tenho uma Land Rover, mas vou te levar pra selva. Não tenho nenhum teco-teco, mas vamos chegar ao céu, passear por Machu Pichu, Honolu e nadar com tubarões brancos no Caribe. Ahhhh baby. O que mais poderia dizer pra te fazer sorrir? O que mais tem debaixo dos panos? Por que não olha pra mim? Fiquei feliz em te reencontrar. E agora to bem. Sempre quis escrever algo assim. Sei que é uma merda, mas sempre quis. Pelo menos agora vou dormir bem!
segunda-feira, março 28, 2011
SOBRE A ESTREIA por CAMILO IRINEU
Sábado rolou a estreia da peça Horário Nobre em Piracicaba. Fiquei surpreso com o resultado, pois era um texto que eu já tinha desistido e não botava muita fé. A rapaziada deu uma vida legal pra ele. Determinados pra cacete, montamos a peça toda em pouco mais de um mês e cinco ensaios comigo. Superou minhas expectativas. Conseguimos o proposto. Fazer os cinquenta minutos sem trilha e sem iluminação. Só os dois atores e nada mais. To feliz.
E o amigo e grande escritor piracicabano a quem admiro muito, Camilo Irineu esteve lá nos prestigiando e escreveu sobre a peça.
Já estou com o seu novo livro no meu monte e ansioso pra lê-lo. “O Seminário.”
Por Camilo
Vi no ponto de cultura Garapa qui em Pira.
O Charles comentou de eu escrever sobre a peça, mas ainda estou um pouco atônito pelo realismo da mesma. É assim que ocorre na miséria humana (Deus queira sejamos poupados). Deve dar um medinho na plateia ou horror, ou aversão, aqueles dois cidadãos neurotizados pela miséria. É para fazer pensar ou não pensar? Pensar, quem se acostuma com isso? Mostra a face sórdida do capitalismo de competição, a TV era a única fantasia, o único elo com o mundo e ela estava desligada, quebrada.
Os diálogos muitos bons e próprios do gênero. Como os conheço e lhes tenho amizade, me preocupou o desgaste em cena, imagine-se na vida real todos os dias, espero que esta não seja a rotina do Pankada. Digo-lhes que, apesar de roupas limpas e engomadas, quem é que não passou por situações parecidas, por brigas em família ou enfrentou coisas do tipo, onde a loucura prevalece, o mundo não é uma redoma, a gente cria isso na cabeça da gente (afinal, a gente precisa sonhar), as personagens, como o Rato, sonhava e projetava seus sonhos numa "dona bonita" que nunca terá fora de sua cabeça e muitos, apesar de classe média, não fazem isso também (num machismo de rodinha de amigos e só aí se realizam, porque na realidade, vem o desgaste de uma vivência cotidiana).
A personagem do Zé é mais conservadora e veio de um meio melhor que o Rato e o autor (Paulo Faria) fez nele suas experiências creio, este sem pai (ou de pai duvidoso), mãe todos têm, mas a imagem de pai, de disciplina, correção que Zé tinha Rato não tem, Rato só está vivo e pode morrer a qualquer hora por qualquer motivo fútil, já Zé zela por uma vida que sonha, nossa vida na cabeça do Zé talvez seja um sonho, eles não têm o mínimo de higiene.
Não é o gênero que me dá prazer, mas do qual não se pode fugir simplesmente. Questiona às visceras e para os que os acham que podem transformar a sociedade com meias dúzia de palavras, um partido político ou alguns livros de autoajuda isso é uma frustração. Não é dadaísta ou niilista sua peça é realista ao extremo, um choque de realidade social.
Parabéns Bruno, Charles e Paulo (pankada).
Camilo

