quinta-feira, março 04, 2010

CINCO

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Deitado. Sem muita força, ele apertou a mão dela, como nunca tinha feito antes. Como se fosse a última vez, como se tivesse pedindo socorro, ou perdão pelo monte de merda que fez durante uma vida toda. Trinta anos, pelo menos. Tava inconsciente. Ela me olhou pelo vidro que nos separava e sem entender muita coisa, ou sem saber o que fazer, retribuiu aquele gesto carinhoso e deixou uma lágrima molhar teu peito. O mesmo peito onde já havia repousado a cabeça, quando ainda era um bebê e nem lembrava mais. Ele confuso, meio desacordado, não sabia o que tava acontecendo, nem onde estava e muito menos o que tava fazendo ali, mas não tinha dúvida de quem era ela. Isso a aliviava. Devia estar feliz por ela estar ali com ele naquele momento, mas não sabia disto, talvez. De alguma forma isso lhe dava alguma segurança. A segurança que ele nunca passou a ela. Podia ter sido a última chance de fazerem aquilo. Isso devia estar passando pela cabeça deles. E depois de tantos anos, se redimiu. Talvez ele nunca tivesse dito que a ama e nem ela a ele, mas aquele pequeno ato compreendia todos esses anos sem essa palavra. Foi talvez a cena mais bonita e sincera que já vi, pois sei exatamente de toda a história. Do outro lado do vidro eu me segurei pra não deixar lágrimas desamparadas.

quarta-feira, março 03, 2010

QUATRO

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E um dia, estamos felizes comemorando e no outro, se dermos muita sorte estaremos deitado numa maca no corredor de algum velho hospital, esperando pela chance de sobreviver. E se a sorte não estiver de bem com a gente, talvez essa maca vire só história. E daí pode ser tarde pro último abraço, ou por aquela palavra entalada esperando a hora exata de sair.

terça-feira, março 02, 2010

TRÊS

E há sempre tempo pra uma nova chance. Mesmo que seja no nosso último suspiro.

segunda-feira, março 01, 2010

DOIS

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Sempre lembro do Paulo Marcelo. Ele foi como um irmão. A última vez que nos vimos, guardo a lembrança do sorriso malandro, pedindo pra eu ir visitá-lo com mais freqüência. Ele morava em Limeira e eu já estava aqui em SP. Eu disse que voltaria logo, apesar da vida corrida. Um pouco mais de um ano depois, no meio da madrugada, recebo uma ligação de que ele tinha acabado de morrer afogado. Era Páscoa. E é só aquele último sorriso que guardo.

Na foto ele é o que se destaca. Em 1990. Eu tô lá atrás de bermuda vermelha.

domingo, fevereiro 28, 2010

UM

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E o palhaço, entrou no picadeiro com duas caixas imensas. Discretamente uma maior do que a outra. E todo cheio de graça perguntou:

- Qual é a maior caixa de surpresas?

Rufaram os tambores e no silêncio, no meio da platéia, lá longe, um ser minúsculo foi o único que teve coragem de levantar as mãos e arriscar um palpite. O palhaço todo cheio de graça intimou:

- Você sabe amendoim?

E todos riram.

- Sim. – Respondeu aquela criança que não devia ter nem 4 anos ainda.

- Então qual é a maior caixa de surpresas?

- A vida.

E o palhaço chorou pela primeira vez no picadeiro diante do seu grande público.

- Quá, quá, quá, quá, quá, quá.

Todos mijaram de tanto rir.

E também pela primeira vez o palhaço foi realmente engraçado.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

MEMÓRIAS DA SAUNA FINLANDESA

E hoje dia 23 de fevereiro de 2010, meu grande brother e sem dúvida alguma um dos maiores escritores da atualidade, de quem já falei muito aqui, vai lançar, seu novo livro lá na praça Roosevelt, mais precisamente no Espaço dos Parlapatões à partir das 18h. Já ouvi dizer que é sensacional. Não percam a oportunidade de comprar o livro das mãos do próprio autor.

sendbinary1.asp

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A SAGA DE UM MORFÉTICO (A) PERNILONGO

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Jurema é o nome que dei ao maldito pernilongo que me importunou a noite toda. Nem sei se era homem ou mulher a desgraça, mas achei simpático e principalmente sarcástico chamá-lo assim. Coincidentemente, este é também o nome de uma tia minha. Juro que só me liguei nisso agora. Tava lesado demais pra pensar essas coisas. Faço questão de dizer que não tenho nada contra ela e nem contra o seu nome. Muito pelo contrário. Foi mera coincidência mesmo.

Um zumbido filho da puta na orelha. Igual uma orquestra de cornetas. Tava num sono pesadão, com os olhos pregados. Já devia ta babando e roncando há muito tempo. Quer dizer, não sei se ronco, realmente. Já disseram que sim, mas nunca fui persuadido disto.

Levantei, apertei o interruptor e fiquei imóvel, como um monge tibetano meditando, só observando. Tava obstinado a executá-lo. Os olhos ainda estavam embaçados e ardentes. Fiquei em silêncio absoluto. Só depois de algum tempo consegui ouvi-lo. Zummmmmmmmmmmmmmmmmmmmm... Passei pelo menos, uma meia hora tentando encontrá-lo, só com movimentos aleatórios dos meus olhos supersônicos, mas o malandro se escondia muito bem. Deixem-me justificar melhor. Eu que ainda tava lento, na verdade, por causa do sono.

Ele sabia que eu estava a sua procura e por essa razão se escondia tão bem. Estrategicamente fechei os olhos e abaixei a cabeça. Fingi que tava cochilando, pra tentar ludibriá-lo. O zummmmmmmmmmm passou ao lado da minha orelha. Há há, enganei-o. Agora estava mais próximo ainda e eu podia sentir o vento das suas asas por perto. Mantive a mesma estratégia do cochilo por um tempo. O toque de corneta enfraqueceu e senti quando ele pousou em um dos meus ombros. Antes de picar-me espalmei a mão, alongando bem os 5 grandes dedos que a preenche e bati com toda a força, onde a espécie tinha se aconchegado.

Mantive a mão pressionada no ombro por um tempo. Quis ser bem cruel. Torci-a e a retorci várias vezes. Lentamente a levantei e quando verifiquei, a palma estava completamente limpa. Só meu ombro muito vermelho, por causa do forte tapa que me dei. Ardeu, pacas.

Não é possível, pensei. Esse filho de Pernalonga não pode ser mais ágil do que eu, que já passei por diversos treinamentos ninjas, incluindo um de pegar insetos com hashis que fiz com o seo Miagy, aquele do Karatê Kid, em 1989, quando ele ainda era vivo.

Em seguida ouvi um zummm zummm zummm. Era ele. Sobrevoando um pouco acima da minha cabeça, distante pra não tomar outro tapa e rindo da minha cara. Fiquei emputecido com isso. Acorda-me a tantas da madruga e ainda fica tirando uma onda comigo? Vá plantar coquinho, sei lá.

Esta foi a primeira vez que nos encaramos frente a frente. O bicho era anormal de grande. Devia ter uns 30 cm de comprimento. Gigantesco. Nunca tinha visto nada igual. Assustei-me, mas não o deixei perceber isso e fiz uma cara de mau pra ele, que com certeza o deve ter congelado de medo. Mexeu com o cara errado, balbuciei.

Levantei, abri o guarda-roupa e procurei minha máscara de mergulho e meu snorkel pra me sentir bem protegido. Corri até o banheiro e peguei a latinha de baygon mata baratas que comprei uma vez pra proteger a Diva contra invasões de baratas cascudas; e me pus em posição de batalha. Agora estava mascarado e armado. Declarei guerra.

Voltei pro quarto ligadão e fiquei atento olhando por todos os cantos e nada. Nenhum barulho. Comecei a procurá-lo(a) por todas as partes. Nada também. Ele tava afim de brincar. Eu não.

Desisti da euforia e preferi voltar à primeira estratégia. Sentei-me na cama, silenciei e esperei. 30 min depois, quando eu já tava quase capotando novamente o zummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm. Ra, rá, pensei. Virei a latinha de baygon na sua direção. Vi a cara de espanto que fez. Sentiu-se encurralado. Recompus a cara de mau, agora escondida atrás da máscara e apertei sem dó. O morfético conseguiu se esquivar do primeiro jato e riu escrachadamente mais uma vez. Zummmm, zummm, zummmm.

Como venho treinando airsoft há algum tempo, sei muito bem lidar com uma metralhadora e fiz aquela latinha virar isso. Certeza que ele não contava com essa minha nova habilidade. Sempre tenho truques escondidos nas mangas. Sou bem treinado.

Rajadas e rajadas daquele aerosol foram disparadas. Não acertei nenhuma em cheio, ele era um bocado esperto também, mas eu tava convicto de que em algum momento ele ficaria zonzo com aquele monte de veneno espalhado pelo ar do quarto. Eu já tava meio grogue, mesmo protegido pela máscara e o snorkel.

Quinze minutos depois ouvi o zum, intervalado, como o do riso, só que um pouco mais sufocado e agudo. Levantei e segui o barulho. Lá estava ele com a barriga pra cima tossindo feito um gambá. Tava pálido. Vi seus olhos se estatelarem quando me viu. Ele tentou rastejar pra um lugar seguro, mas me apressei e meti um dedo em uma das suas asas. Ta vendo? Perguntei. Você não é tão esperto assim. Os tiros não precisam ser certeiros, pois são tão potentes que os rastros deles foram capazes de te derrubar. Certeza que ele entendeu tudo o que disse, afinal deve ter nascido no Brasil.

Ele se esforçou pra sair, mas não deixei e fiz força contra, arrancando a asa, onde meu dedo tava apoiado. Ouvi um abafado grito de ai. Sorri sarcasticamente, porque agora poderia me vingar. Não ia matá-lo sem vê-lo sofrer antes. Várias vezes apontei-lhe o baygon, deixando-o completamente em pânico.

Neste momento queria apenas torturá-lo pra me vingar da tortura que passei tentando pregar os olhos e rolando pra lá e pra cá por causa do calor absurdo e da sua corneta ensurdecedora.

Com o dedo mindinho fiz cócegas na sua barriga. Já tinha ouvido dizer que pernilongos gigantes sentem cócegas e não tem tortura pior pra eles. O coitado tava tão grogue que nem tinha mais forças pra rir. Na seqüência segurei em uma das suas perninhas e comecei a esticá-la. Ele pediu pelo amor de Deus pra não arrancá-la. Parei. Pensei. Não arranquei-a, mas puxei até o limite e dei uma boa mordida no seu pé.

Rá, rá. Faça mais corneta, pedi. Ele não respondeu e me encarou. Alguma coisa aconteceu. Ficou estático ali, me encarando firmemente, com um olhar de piedade talvez. Aquilo me comoveu. Ele sacou que ando com a sensibilidade aguçada e que seria incapaz de lhe tirar a vida. Soltei-o.

Fizemos um longo silêncio. Sai e fui buscar um esparadrapo pra remendar o pedaço da asa que tinha arrancado. Abri as janelas pro veneno sair, abanei todo o ar e correndo lhe trouxe um copo com água. Ele bebeu e começou a melhorar. Ficou me olhando novamente e sem dizer nada apontei-lhe a janela, antes que mudasse de idéia e o prendesse novamente.

Com muita dificuldade o gigante pernilongo se levantou e silenciosamente começou a bater as asas. Tava voando todo torto, meio manco. Coloquei um pequeno pedaço de esparadrapo, quase imperceptível, mas mesmo assim devia pesar muito.

Ao se aproximar da janela, ele se virou e encarou-me mais uma vez, segurando uma lágrima e acenou. Partiu, sem fazer nenhum zummmmm. Mesmo escuro consegui vê-lo tomar distância. As luzes da cidade me permitiam isso. Elas brilhavam mais nesta noite por causa da chuva que caia. Fiquei preocupado. Não sabia se sobreviveria por muito tempo naquele estado, mas pelo menos tava livre pra picar quem quisesse agora. Meu último dizer foi: “Võe em paz Jurema.”

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

UMA FORÇA AI

Bom, to caindo na estrada. Essa rapaziada que faz um trabalho pra lá de decente e tudo na raça ta precisando de uma força ai. Vamos nos juntar a essa campanha. Valeu!

CARTAZ CADEIRAnet

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

PANKADA

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Fazia tempo que eu não encarava um adversário tão forte. Acordei com a cara toda inchada. Foi loucura minha, admito. Andava destreinado, mas como tinham nos proposto essa luta há muito tempo, resolvi encarar. Não ia afinar nem fodendo.

Comecei soltando potentes jabs de direita, mas ele tava com a guarda muito fechada e não entrava nenhum. Senti uma pequena brecha e mandei o direto de esquerda, seguido de um cruzado e um upper. Ele se esquivou e começou a contragolpear. Demorou pra eu pegar o tempo de seus golpes e conseguir esquivar legal. Foi ai que tomei os primeiros. Quando percebi um belo de um cruzado vindo na direção do meu queixo, por pouco sai, deixando-o no vazio do ar. Ai acertei o rim e percebi que se curvou, mandei em sequencia e deve ter entrado pelo menos uma meia dúzia entre a linha de cintura e o nariz. O primeiro round foi todo assim, essa trocação ensandecida.

No segundo e no terceiro round, não foi muito diferente, mas como eu tava um pouco sem gás, não consegui fazer entrar mais bons golpes e fiquei só na defesa e contra ataque, pra mantê-lo longe e não ser tão surrado. A luta acabou sem nocaute. Senti que nos respeitamos. Era um adversário que já conhecia há algum tempo e sabemos bem dos nossos pontos fortes e fracos. Alguns momentos foram apelativos e demos golpes baixos acertando nossos pontos fracos, mas faz parte, quando estamos tão suscetíveis. Entendemos perfeitamente e não saímos bronqueados um com o outro. A luta durou quase 4 horas.

A conseqüência hoje de manhã foi quando me vi no espelho. To realmente inchadaço. Pra ser sincero, pensei que acordaria pior e com o rosto todo roxo, mas os anos de tantas lutas pelos menos serviram pra me dar uma pele de crocodilo. Nunca abri os supercílios, por exemplo. Absorvo bem os golpes. Claro, protejo bem a ponta do queixo, me preocupo muito com ele, porque sei que ali não precisa mais do que um belo upper de direita bem encaixado pra derrubar.

O que me deixou mais intrigado é que meu adversário batia muito no rosto e arriscava poucos golpes baixos. Não senti nenhum na linha de cintura e no tórax que me comprometesse. Em contrapartida, o primeiro que lhe dei no rim, o fez curvar. Senti sua pele dobrando sobre a minha luva. Agora! O mais estranho é que foi essa dor que começa no peito, bem em cima de onde fica o coração, e que reverbera até a barriga, foi quem me nocauteou hoje de manhã.

sábado, fevereiro 06, 2010

Litoral Norte

O Litoral Norte virou meu segundo lar, desde que descobri que é o melhor lugar pra se encontrar pererecas. Essa semana foi um troço doido. Deixei trabalho, computador, estudos, mulher, filhos, sobrinhos, bebida e a merda toda pra ficar ilhado por lá em companhia das pererecas mais sensacionais da face da terra. Claro, nem todas são tão interessantes assim. Sempre tem uma que vira a nossa cabeça. E a que fez isso comigo é essa aqui. Não me tenham por pornográfico, por favor. Mas desde que adquiri uma máquina legal, prometi a mim mesmo que jamais deixaria nada de bonito, passar despercebido às suas lentes. Tem algo mais bonito que pererecas? Foi uma espécie de amor a primeira vista. Não nos desgrudamos mais.

Pra não dizerem que penso apenas nisto, tem fotos das paisagens também. Não tinha mais espaço na máquina. Descarreguei e selecionei mais ou menos 1/3 somente pra poder postar, senão não faria nunca. Tava ansioso pra ver as imagens numa tela maior. São fotos de várias idas e vindas.

Numa revista de viagem, li uma pesquisa sobre as dez praias mais bonitas do Brasil. Entre elas tinham 3 do nosso litoral norte. A Almada de Ubatuba ficou em primeiro lugar. É realmente de tirar o fôlego o lugar.

É bom saber que nem se precisa ir tão longe pra encontrar uma natureza tão...

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segunda-feira, janeiro 25, 2010

Ensaio Aberto

Nesta quarta 27 às 22h lá no Satyros 1, faço uma única apresentação do monólogo. Rodolfo cedeu a sala pra filmarmos a peça. Eu e Ruy tivemos a idéia de abrir pro público e cobrar um valor simbólico de 5 pilas pra dar uma força pro nosso amigo Marião que está em casa há algum tempo já, se recuperando bem, mas ainda tem altos gastos. Tá com o braço esquerdo imobilizado e tem ido frequentemente aos médicos, tomando vários remédios e muito mais.

Quem puder dar uma força com a divulgação, postando o flyer em seus blogs, facebook, twitter, orkut etc ajudará muito, pois estamos muito em cima. Espero que apareçam. Valeu!

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sexta-feira, janeiro 22, 2010

CINZAS NA JANELA DE UMA FOTOGRAFIA BRANCA E PRETA

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Esse cheiro de fumaça que entra pela porta, vem da foto preto e branco que está queimando em cima do travesseiro no meu quarto. No vão da janela estão as mensagens escritas nas cinzas. Um telefonema, um email, ou a carta entregue pelas mãos do carteiro, não chegam. Sobre a linha do trem, com todo o cuidado pra não cair, uma criança de sorriso singelo, com uma viseira quadriculada e um grande laço do lado, caminha com o olhar distante, pra se manter longe de “Esta Propriedade Está Condenada”. Está feliz, brincando. Talvez nunca se sentirá tão leve assim. Em silêncio, faço de tudo pra não assustá-la, não quero desestampar o sorriso do teu rosto.

O trem apita e já é outro dia. Lá está ela, clara como flocos de neve. Agora com uma imensa flor presa do lado direito da cabeça. Dessa vez vou-me embora e muitos anos se passaram. Lembro-me de tudo como se fosse agora. Daquele passado registrado no retrato preto e branco. Lembro-me dela por causa dos olhos amendoados. Lembro-me que odeio filmes por isso. Fico querendo que cenas da vida aconteçam exatamente daquele jeito.

Se eu tivesse muita grana, compraria o tempo, pra ir e vir como bem entendesse. Iria pra um passado, não muito longe e acertaria os ponteiros com as merdas que fiz. Se eu tivesse muita grana mesmo, compraria uma passagem só de ida pra Tristeza até o espaço sideral. Daí distribuiria a Alegria em sacos de confetes pra todos os amigos.

Rio de mim. Da minha falta de senso. Vou sentar, e continuar observando o esforço dela pra não deslizar no trilho do trem. (Silêncio.) Olha (Espantado.) Agora ela fala com Monteiro Lobato e faz caretas pra Cuca. Como pode? Alma inocente de criança.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

SÃO LUIS DO PARAITINGA

O estrago lá foi grande mesmo e pelo o que sei a cidade ta precisando de muita ajuda ainda. Quem puder ajudar pelo menos divulgando. Entre ai e espalhe. www.ajudeslp.blogspot.com

Valeu!

UGFB

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Eu e Pedro Lucas. Um grande brother da infância.

A primeira vez em que me arrebentei pra valer foi quando ganhei a primeira roupa de um super herói qualquer. Acho que era o Capitão 7. Só não me perguntem quem era, porque até hoje não sei. Tinha o 7 na capa e me denominei assim. Devia ser a mais barata que encontraram. Encomenda da 25. Fiquei feliz pra cacete. Esperei todo mundo sair fora e consegui subir no telhado de casa pela torre da antena. Década de 80. To chutando alto se disser que tinha 6 anos de idade.

Esta não é uma história diferente da maioria das crianças da minha época e sei bem disto.

Lembro claramente do frio que tomou conta da minha barriga, quando vi o tamanho da encrenca em que eu tava me metendo. Só continuei porque na minha imaginação lúdica infantil, tinha a certeza de que a capa não deixaria nada de ruim me acontecer. Daquele instante tenho apenas a recordação de um grito. O meu. E flashes de rostos apavorados ao meu redor. Foi ai que inconscientemente devo ter entendido a questão da gravidade.

Essa obsessão me perseguiu por muito tempo, na verdade resquícios dela ainda estão em mim. Nunca tive muita noção do perigo. Devo ter os ossos muito fortes, porque nunca sofri nenhuma fratura exposta, mas foram incontáveis às vezes em que acordei numa cama de hospital espetado por uma porrada de agulhas de soro, depois de várias outras tentativas perigosas e obviamente frustradas.

Cresci com a certeza absoluta de que salvaria o mundo. Do que? Do monstro do pântano? Achava que poderia acabar com todo o mal. “Sem noção”. Como nunca tinha o que fazer, passava o dia assistindo aos super heróis e minha cabeça ficava cada vez mais cheia dessas baboseiras.

Esse deve ter sido um dos motivos em me envolver tão cedo com as artes marciais. Bruce Lee, McGyver, Ninjas, Jaspion, Changeman, Jiraya, Demolidor, Super Homem, Homem Aranha, Batman, ops, Batman não. Não gostaria de ter aquele tipo de intimidade com o Robin.

Ficava ligadão nos treinos desses malucos na TV e armava tudo igual no fundo de casa. Morava numa simples casa de cerca de bambu podre, numa pequena vila de Campinas. Tinha um grande quintal que dava fundo pra um enorme pasto de uma fazenda gigantesca. A mesma fazenda onde o “Boi Falou”, e que virou uma lenda folclórica. Outro dia conto isso. Minha coroa ficava louca com as arapucas que armava no seu jardim.

Pra passar por treinamentos semelhantes ao do exército, fui ser guia florestal. UGFB (União dos Guias Florestais do Brasil). Imaginei que pudesse acrescentar muito na minha formação de herói. Que léro-léro. O pior é que o bagulho era puxado mesmo. O cara que coordenava esse troço era meio psico. Levava a gente lá pras matas do fim do mundo, onde armávamos um acampamento selvagem pra ficar por pelo menos 15 dias. Dormíamos no meio do mato e comíamos a própria caça etc. E não é marmelada isso. Comi muita rã. O cara devia ser algum desertor e queria formar uma equipe de guerrilheiros, com moleques de 9 a 15 anos. Cai na armadilha, mas curti muito. Voltava pra casa depois dos acampamentos bem mais magro do que já era e com a cabeça cheia de piolhos. Apesar da farda, era tudo bem diferente dos escoteiros. Bem mais punk. A gente achava os escoteiros uns mariquinhas.

A curtição eram os sábados de manhã, quando saia com a minha farda e percebia que todo mundo ficava olhando no bairro. Sentia-me qualquer um dos personagens de Platoon. Fodástico. Ainda mais que o filme tinha acabado de estreiar e tava bombando nessa época. Esperava pelos sábados, mais ansioso do que o natal. E olha que papai Noel me enganou por anos a fio.

Tinha fé absoluta de que essas coisas poderiam definitivamente me transformar num herói imbatível. A gente atravessava uns lagos fundos feito bicho preguiça pendurados numa corda de cipó. Rastejava na lama de porco e ainda tinha que meter a cara nela. Comia com neguinho vomitando na sua frente e não podia fazer cara feia. Fazíamos caminhadas de até 30 km no deserto debaixo de um sol de 100 graus Celsius, sem água e com uma mochila de quase uma tonelada nas costas. As viagens eram todas dentro de trens cargueiros e que levavam dias pra chegar ao destino, nas piores condições possíveis. Com menos de 10 anos sobrevivi a isso. Não sei o que aconteceu com o Liro, o coordenador e nem com o resto da rapaziada. Nunca mais ouvi falar da UGFB. O cara só pode ter sido preso.

Demorei muito, mas muito mesmo pra entender, que esse lance de super poderes não existe. Mesmo depois disto tudo. E na verdade, tudo que era semelhante a essas loucuras, me atraia. Insisti muito. Quis ser soldado, bombeiro, médico, aliás, num momento tinha certeza de que seria médico e rodaria o mundo salvando a vida das pessoas. A intenção maior de ter super poderes na minha ingênua cabeça dente de leite era essa. Ainda ficava torcendo pra acontecer um incêndio, só pra ver os bombeiros em ação. Uma vez possuído por muita coragem, ofereci-me pra ajudar. Riam, leitores.

Também quis ser jogador de futebol, de basquete, rugby etc., não sei o que tem a ver, mas quis ser. Fui lutador profissional, técnico em mecânica industrial, animador de festas infantis, professor, pirofagista, malabarista, acrobata, serelepe, manejador de nutchaco e atualmente sou ator. Ufa!

Foi a maneira mais errônea que encontrei pra poder ser tudo isto.

Não sei realmente se é uma profissão útil, mas agora não me interessa mais, porque já não sei fazer outra coisa. Se fosse mais jovem, talvez me jogasse no exército ou aeronáutica, ou tentaria ser desativador de bombas, mas neste momento só da pra ser isso. E quando quiser posso ser os heróis fantasiosos dos desenhos animados. Só assim pra enganar a frustração. Maldita herança deixada pelo tempo.

Não quero terminar isso sem confessar uma coisa, que ta engasgado há muito tempo. Não tenho mais noção das porradas que tomei, mas acreditem, no fundo, no fundo, ainda tenho esperança, de ser picado por uma aranha de laboratório e começar a subir nas paredes e soltar teia pelas mãos. Ou encontrar por ai alguma pedra de outro planeta que solte uns troços que quando eu encostar me faça voar, ou ter força suficiente pra levantar uma manada de elefantes com um braço. Ou... sei lá, um poder que com o estalar de dedo posso ter e fazer tudo o que quiser, como o gênio da lâmpada. Esfrego muitas ainda por ai. Como dizia Juba e Lula, num lençol que cobria minha cama. Ser herói, não é apenas ter super poderes, é muito mais e bla, blá, blá... não lembro o resto. Esse papo também não me interessa. Eles eram uns imbecis surfistas. Não entendiam nada de super heróis, mas bem que quando moleque eu até gostava. Merda.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Martha

Meu inglês é tão bom quanto o meu mandarim. Tom Waits é um dos malucos que mais gosto de ouvir. Tem estilo completamente inusitado, diferente de tudo que já se ouviu por ai. Graças a Ela (segundo texto da página) tenho a discografia completa dele hoje. Ouço quase que o dia todo. Essa música do vídeo, tem me pegado de jeito. Fiquei curioso e resolvi traduzir via vagalume.com. Não é por acaso que ta batendo de jeito. A letra é realmente muito foda e a melodia nem preciso comentar, vocês vão ouvir. Tradução é uma merda, mas como tenho um inglês espetacular, jamais saberia do que se trata se não fizesse isso. Preparem lenços.

 

Operador, número, por favor: faz tantos anos
Ela lembrará da minha velha voz
enquanto eu combato as lágrimas?
Oi, olá, Martha?
este é o velho Tom Frost,
Eu estou ligando de longe,
não se preocupe com o custo.
Porque faz quarenta anos ou mais,
Martha agora por favor queira recordar,
Encontre-me para um café, aonde vamos
conversar sobre tudo.


E esses eram os dias de rosas,
poesia e prosa
E Martha tudo o que eu tinha era você
e tudo o que você tinha era eu.
Não havia amanhãs, nós
mandamos para longe os nossos sofrimentos
E nós os salvamos para um dia chuvoso.


E agora eu me sinto muito mais velho, e
você mais velha também,
Como está o seu marido? E as crianças?
Você sabe que eu casei também?
Sorte sua ter encontrado alguém
para fazer com que se sinta segura,
porque nós éramos tão jovens e estúpidos,
agora estamos maduros.


E esses eram os dias de rosas,
poesia e prosa
E Martha tudo o que eu tinha era você
e tudo o que você tinha era eu.
Não havia amanhãs, nós
mandamos para longe os nossos sofrimentos
E nós os salvamos para um dia chuvoso.


E eu era sempre tão impulsivo,
eu acho que continuo sendo,
E tudo o que realmente importa
é que eu era um homem.
Eu acho que o nosso estar junto
nunca foi para ser.
E Martha, Martha, eu te amo
você não vê?


E esses eram os dias de rosas,
poesia e prosa
E Martha tudo o que eu tinha era você
e tudo o que você tinha era eu.
Não havia amanhãs, nós
mandamos para longe os nossos sofrimentos
E nós os salvamos para um dia chuvoso.
E eu me lembro de tardes calmas
tremores perto de você...

quinta-feira, janeiro 14, 2010

AIRSOFT

To no projeto de um trampo bem maneiro, com um elenco du caralho. A maioria já conhecia por ai. Tudo indica que estréia ainda este semestre. Pelo menos a correria de preparação de elenco já começou a mil por hora e tenho cedido uns dias da semana pra isso. Estamos treinando AIRSOFT, pra termos intimidades com armas. É uma modalidade esportiva que ainda não conhecia. To amarradão nisto.

O nosso treinador é o Tulio. O cara é da segurança nacional, já foi do BOPE e mais uma porrada de coisas, que não me lembro. O baguio é pesadíssimo, mas bom pra caralho. Pra quem curte queimar umas calorias, é indicadíssimo e divertidíssimo. Salvo os tiros que tomamos. As armas são réplicas reais, mas todas de ar comprimido. Todas legalizadas e com porte de uso. Essas fotos que seguem, tirei essa semana num dos treinos, no dia em que gravamos o making off.

DSC_0949 DSC_0950 DSC_0843 DSC_0860 DSC_0887  DSC_0901 DSC_0902 DSC_0908 DSC_0920 DSC_0924  DSC_0928Mais aqui

terça-feira, janeiro 12, 2010

Arroba

marquinhos

Em 2008 fizemos uma micro temporada de Chapa Quente no RJ. Adaptação e direção do Mário Bortolotto. Ficamos num hotel no centro e felizmente tive que dividir o quarto com um grande brother, um maluco beleza. Marquinho @

Sou um sujeito que não leva muito jeito com bebidas, mas neste dia tava tão feliz de ta fazendo a peça com a rapaziada que resolvi acompanha-los no uísque. Enfim, ressaca brava no dia seguinte. Eu e Marquinhos fomos passear na praia e eu não parava de vomitar. O cara foi parceiro pra caralho.

Voltamos pro hotel com um taxista que por sorte tinha um engov, tomei o bagulho e fui melhorando. Tinha menos de uma hora pra ficar bom, pois precisava chegar no teatro pra última apresentação.

Resolvi gastar o pouco do tempo dando um cagão. Azar. Não sabia que Marquinhos tava na mesma pegada, mas foi generoso e me deixou ir primeiro.

Dois minutos depois ele bate desesperado no banheiro.

- Porra Marquinhos, me deixa cagar em paz.

- É rápido Pankada. Só abre ai um pouco.

- Caralho. To morrendo.

Ele abriu a porta com um copo descartável na mão.

- Vou jogar no lixo.

- Dai que eu jogo.

- Não põe a mão aqui.

- Por que?

- Tem bosta dentro dele.

- Porra Marquinhos. Você cagou no copinho?

- Não aguentei Pankada.

Só pra sentirem o naipe do figura. E hoje ele comemora mais um ano de vida. Desejo ao cara toda a felicidade do mundo e que possa ainda comemorar muitos e muitos anos de vida. É de um coração indescritível de bom. Espero  esbarrar mais com ele por ai nestas aventuras. Parabéns!

Ah, depois que caguei melhorei bem.

COXINHA DE MADRUGADA

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Ia comer só um pedaço de pizza. Tava resolvido e ponto final. Eram mais de meia-noite. Encostei no balcão de um boteco qualquer e pedi um pedaço de portuguesa pra uma garçonete morena e lábios grossos. Devia ser decendente de índia. Veio um pedaço pelando que ela havia acabado de esquentar no microondas. Tudo despencando, queijo pingando. Saboroso. Enquanto eu a degustava percebia que estava sendo observado assiduamente.

Fiquei um pouco incomodado. Não sabia muito pra onde olhar. Tentei procurar moedas no bolso, dar nós nos canudos em cima do balcão, quebrar palitos de dentes, ver mensagens no celular e principalmente me concentrar na refeição, tudo pra tentar disfarçar, mas foi pior.

Começou a apelação. De dentro da estufa ao meu lado, uma imensa coxinha de frango não parava de me assobiar. Fiz de conta novamente que não era comigo. Ignorei-a mesmo. Fiz jogo duro. Paguei de gostoso. Tipo o gaúcho do youtube. Assim talvez ela pudesse desistir. Parecia que tanto esforço era em vão. O pedaço de pizza até até que tava bom, mas já tava acabando, pra minha infelicidade.

Comecei a tramar um jeito de derrotar a gostosinha, mas a pressão era tanta que não conseguia pensar em nada mirabolante naquele instante. Tipo adolescente apaixonado quando é atacado de uma gagueira, ou de um silêncio, ou de um monte besteiras quando se vê frente a frente com a tão desejada mulher da sua vida. Só fala merda e quanto mais tenta acertar, pior fica. Enfim... É humilhante, mas tenho que confessar que tava bem irresistível. Não queria parecer tão fácil depois de todo charme que tinha feito.

Eu tava extenuado esta noite e tudo que queria era chegar logo em casa. Tinha acabado de vir de uma grande rotina de trabalho. Por isso meu estômago tava semelhante a uma escola de samba, de tanto barulho que fazia. Certeza que as pessoas passando pela rua me olharam estranhamente porque ouviram a barulheira da minha barriga.

Os assobios ficaram mais constantes e estridentes. Ela mostrava-se disposta a não desistir tão facilmente. Achei um pouco vulgar até. O foda é que tinha só mais um pequeno pedaço de pizza no prato e eu não sabia mais o que fazer, o samba no meu estômago continuava igual. Olhei pro relógio e já tinha passado mais de meia hora que eu estava ali naquela briga contra a safada e inofensiva coxinha.

Saquei a carteira do bolso com uma velocidade fora do comum. Habilidade que adquiri na época em que via todos os filmes de western possíveis. Recontei os trocados.

Dei um forte suspiro e pensei, pensei e pensei... olhei-a novamente de esgueio, só com as beiradas dos olhos. A infeliz, mais uma vez correspondeu ao olhar. Pra que? Ai foi a merda. Essa palhaçada deve ter durado umas duas horas. Tarde pra cacete. Resolvi dar uma chance. Elegantemente chamei a garota que me atendeu. Num volume baixo de voz e com toda discrição possível apontei. Ela sorriu, com muita classe e se aproximou da estufa. Lentamente abriu-a e com muito cuidado tirou-a lá de dentro, colocou num prato com guardanapo e serviu-me. Tava molhadinha.

Era linda, mas tão linda que inicialmente fiquei com um pouco de pena de cravar meus dentes ali. Fechei os olhos e sem pensar muito aboncanhei. Ouvi-a rindo, um riso feliz, como se eu estivesse massageando sua barriga com minha boca. Confesso. Quase que rolou um amor a primeira vista.

Olhamos-nos pela última vez. Uma lágrima quase escorreu. Eu não resistia mais. Estava completamente feliz. Fechei os olhos só pra saborear mais gostoso e mandei a ver. Mastigava com calma, como nunca tinha feito antes. Tava tão boa que só me dei conta que terminou quando mordi meu dedo. Dei um grito de filho da puta muito alto. As poucas pessoas que ainda estavam por ali me olharam. Devolvi-lhes um leve sorriso. Levantei. Juntei as últimas moedas e paguei pela prostituta. Pronto. Missão cumprida. Sem constrangimentos, fui dormir. Era só do que precisava agora. O caminho até em casa ainda foi longo e durante o tempo todo só pensava nela, mas ela estava em mim. Pra sempre. Quer dizer, pelo menos até a próxima cagada. Há muito tempo não dormia tão bem assim.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Cananéia

Fim de ano é sempre a mesma merda. Aquela angústia que se hospeda no peito e parece que não vai embora de jeito nenhum. O pior é que os dias param de passar. Fico doido pra me enfiar no mato e sair dessa overdose urbana.

Desta vez fui pra ilha de Cananéia, Cardoso e Marujá. Bonito pra cacete. Fiquei numa casa com um pessoal bacana, no meio do mato mesmo. Selvagem. Sem dúvida, é uma das melhores viagens que fiz. O grande barato foi nadar bem perto dos golfinhos. Só tinha visto em parque aquático até então. Não tem preço que pague a sensação. Bom paro por aqui e deixo as fotos dizerem mais.

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Mais aqui

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Hein?

terça-feira, dezembro 29, 2009

Férias

Até que enfim. Vou cair na estrada hoje com um brother mineiro. O rumo é Cananéia. Não conheço, mas dizem que é bom pra cacete, cidade montonhas rodeada de ilhas. A famosa ilha do Cardoso, Ilha Comprida etc. Pra quem fica. Um excelente ano novo e tudo mais.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

25

Férias. No interior. Acordo com o canto dos passarinhos. Eles estão presos na gaiola. Pensei em soltá-los, mas sei que os assassinaria fazendo isto. Um nasceu todo defeituoso. Parece que cresceu bem. Ta bonito. São canários. Pelo menos não tem aquele barulho maldito de trânsito martelando minha cabeça.

O pior já passou. O Natal. Enquanto o ano não acabar e as novidades não começarem acontecer, vai continuar igual. Concluo com isso, que o pior ainda pode estar por vir. Enganei-me.

Minha mãe confundiu Natal com carnaval e assim enfeitou a casa. Ficou engraçada. Deitei no colo dela depois de tantos anos. As fotos penduradas na parede do meu quarto, fazem um estardalhaço em mim. Vejo a criança que fui e que gostaria de continuar a ser. Hoje marquei um encontro com amigos de bolinha de gude.

Ainda este papo de amor não me convenceu, mas já acredito um pouco mais. Não acho que seja esta novela, mas... Ta tudo muito fácil. Fiz uma lipoaspiração no coração. Pra ver se muda alguma coisa. O foda é o cinto lá dentro, que está apertando pra cacete. Não sei quando vou poder tirar.

Tem hora que acho que tudo isto é só um pesadelo. Daqui a pouco vem alguém e chama meu nome. Óbvio que não vou acordar assim tão fácil, daí ele vai perceber e dará um murro bem na ponta do meu baço. Vou dar um pulo assustado e em seguida um abraço agradecendo por ter me acordado.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Copiem e colem

Agora sim. Em vários lugares as fotos de 3 dos 4 filhos das putas que atiraram no nosso brother Mario Bortolotto. Quanto mais espalharmos essas fotos por ai, mais rápido eles serão pegos. Os caras não vão conseguir se esconder por tanto tempo assim, uma hora vão sair pra cagar. Da pra perceber pelas fotos que sem arma, os lobos cruéis estão mais pra singelos cordeiros. Que arranquem-lhes os olhos.

Por favor, espalhem o máximo possível por ai.

bandidos

MM

Tem uma porrada de lobo, como sempre, por ai querendo tirar proveito da situação do Marião. Até entendo essa é profissão dos caras, mas os filhos da puta extrapolam. Hoje saiu no Congresso em Foco, um texto sobre o assunto do grande Marcelo Mirisola. Nada como um amigo próximo e que tem exatamente o mesmo caráter, pra escrever sobre o ocorrido. É uma das coisas mais honestas que já li sobre amizade. Vale a pena cada palavra. Confiram.

http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=31122

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Na praça

manisfesto

FRU-FRU

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Odeio o calor em São Paulo. Não serve pra porra nenhuma, a não ser pra nos dar preguiça e nos forçar a ficar trancados dentro do apartamento com o corpo todo úmido, cheirando o próprio cecê. Os bagos ficam todos tostados. Os testículos quase encostam nos joelhos.

Daí você se liga que a sua angústia quem trouxe foi o fim do ano, cada vez mais próximo, que junta com um monte de merda e tudo parece parar, porque a essa altura do campeonato já não tem mais com o que se ocupar. Olho no espelho, tem umas gotas caindo, não sei se são de suor, ou se são lágrimas. O que importa? Abro a torneira e jogo água no rosto. Daí mistura tudo.

Digito no Google “putas pelancudas” e depois “gatinha de teta murcha” e na sequencia... fico a tarde inteira digitando um monte de palavras deste naipe e é claro não encontro nada, pra ser sincero, nem clico nos links que aparecem. É só pra esquecer o calor, enquanto construo uma ratoeira pra pegar o espectro que ta escondido debaixo da cama do meu quarto. O calor aumenta. Meto a bunda na banheira cheia de gelo e nada. Fico o dia todo xingando e resmungando. Pode cre que xingo até você que está lendo aqui. Não tem nada legal pra fazer quando a temperatura sobe muito. A cidade deu um tiro na brisa que tentava chegar.

Quer dizer, tem uma coisa boa. Ver garotas paradas na esquina esperando o farol abrir com seus finos vestidos vermelhos que fazem fru-fru quando o vento sopra, enquanto meu coração desmaia vendo o sol se esconder atrás de algum edifício e... opa... perai.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

HOJE

 mariao

terça-feira, dezembro 08, 2009

Boas

Marião segue bem. Já consegue se comunicar com os familiares por gestos.

E quinta-feira os amigos que tocam com ele vão se reunir no Café Aurora em sua homenagem pra tentar arrecadar uns trocos pra ajudar na sua recuperação depois. Som de primeira. Quanto mais gente aparecer, óbvio, melhor.

Café Aurora

R 13 de mail, 112. Bixiga-SP

22h

BOB NA MADRUGA

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- “Caralho, ninguém me liga a esta hora”- pensei. Tava num sono pesado, devia ta roncando pra cacete. Duas da madruga. Foi foda despregar as pálpebras. Não lembro muita coisa. Vi um número desconhecido e só por isso atendi. Não botei no silencioso como geralmente faço e meu celular tem um toque estridente.

- Alô?

- Paulo? Pode falar agora?

- Na verdade...

- É o Bob.

- Caralho!!!

Esperava qualquer pessoa, menos o Bob. Jamais imaginaria que o cara fosse de ligar pra alguém. Até porque conversamos muito pouco lá na ilha e nem lembrava que tinha deixado meu número com ele, enfim.

- Descobri uma coisa.

- Conta.

- Pensei que minha garota tivesse me deixado pra ficar sozinha.

- Não me leva a mal Bob, mas são duas da madruga e acordo às 6 pra trampar. Você não prefere me ligar amanhã de manhã?

- Foi mal. É que dói um bocado.

- Quantos anos você tem?

- Por que?

- Quantos?

- Acho que 48.

Nunca ia adivinhar a idade do Bob. Ele ta com uma cara bem acabada. Deve ter usado drogas pra cacete e feito um monte de merda, mas tem um espírito bem jovem e isso nos engana. É daquele tipo que nuca conseguimos acertar a idade.

- Poxa Bob 48 anos e você ainda não aprendeu?

- Pois é.

A partir daqui eu já tava mais acordadão. Não adiantava, porque ele não ia me deixar dormir.

- Nenhuma garota nesta vida te deixa porque quer ficar sozinha. No mínimo porque ela conheceu um outro cara e já está saindo com ele, ou ta tramando isso. Porra Bob, você é um cara muito mais vivido do que eu e já devia saber disto.

- É foda Paulo. O tempo passa e a gente nunca aprende. A gente erra pra cacete e nunca aprende. Ela jurou que era pra ficar sozinha.

- Elas sempre juram de pés junto. Jamais vão assumir que tão te deixando pra ficar com outro. Acho que nem a madre Tereza de Calcutá cumpriria essa jura. - - Elas podiam ser mais compreensíveis.

- Adoraria se fossem.

- Ela viajou dizendo que precisava descansar a cabeça e ontem descobri que ela já tava com um cara há algum tempo.

- Não fica investigando a vida da garota.

- Nem to, mas as coisas aparecem. É foda, eu to sentindo muita a falta.

- Vamos passar a vida fazendo merda Bob, não tem jeito. É foda. Também me arrependo de uma porrada de coisas. Sei o que você ta sentindo.

- E agora?

- Você não pode ficar esperando-a. Vá fazer o que você tem que fazer.

- Não consigo. Amo aquela garota.

- Não acredito em amor.

- Como assim?

- Ta muito tarde pra tentar te explicar isso, mas esbocei o assunto com você aquele dia. O amor é conveniente. Já leu Corintios 13?

- Já.

- Naquilo acredito um pouco, é o mais próximo do que quero te dizer, mas ainda não é.

- Você ta bêbado?

- Não. Só sono mesmo.

Neste momento rolou um baita silêncio e quase dormi com o celular na orelha, como geralmente faço, mas senti que o cara precisava falar mais um pouco e não sei como, pela primeira vez consegui me manter acordado.

Escrevendo parece ser longo, mas esse papo com ele na real, acho que não durou nem dez minutos.

- Bob, ela deve ter cansado de ter uma vida assim como a nossa, meio de improviso e deve ta querendo um cara que a leve em restaurantes sem precisar pesquisar preço no cardápio e que nunca ofereça um PF. Um cara que pague a conta depois do jantar, sem precisar rachar, ou um que de presentes caros, encha a bola delas com palavras bonitas etc. Mas fica tranquilo estes caras não fazem mais do que isso, pode acreditar? Um dia elas se cansam pra valer deles. Nossa vida pelo menos tem diversão. A deles não. É sempre igual e eles na verdade não dão a mínima pra elas, porque tem dinheiro suficiente pra comprar a próxima garota. Fica tranquilo meu irmão. Você é um cara bacana. Vai se dar bem.

- Ufa!!!

- Deixa o tempo fazer o serviço. Vai chegar uma hora talvez, que você nem vá mais se lembrar dela.

- Eu não queria isso.

- Eu também não, mas enfim. Tem um travesseiro sozinho dormindo do meu lado todas as noites há muito tempo. Sinto falta. Ta ligado aquelas fotos que ficava tirando na ilha? Tenho exercido essa atividade de fotógrafo há algum tempo sozinho. E digo que não tem graça nenhuma, mas...

- Foi mal te ligar a essa hora. Você virou um irmão.

- Quando precisar pode ligar. Fiquei muito feliz. Só peço pra não ligar depois das 23h. Durmo cedo e tenho sono pesado. Depois nunca lembro no dia seguinte claramente o que acontec... zzzzzzzzzzzzzzz...

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Ajuda

mario

O Marião segue internado na Santa Casa em estado grave. A família ta precisando de uma força pra ajudar arcar com algumas despesas. Peço por favor que contribuam e ajudem a divulgar isso.

Para ajudar Mario Bortolotto, deposite na conta da mãe da filha dele: Cristiane do Carmo Viana - Unibanco ag 0935 conta poupança 127721-6

A direção de Santa Casa também precisa de doadores de sangue que devem se dirigir à própria entidade situada à rua Cesário Motta Jr, 112

domingo, dezembro 06, 2009

Manifesto

Do Blog dos Parlapatões

O Teatro Resiste! Bortolotto Viverá!
O espaço público é do cidadão.
O Teatro não vai se intimidar com a violência, muito menos se submeter aos bandidos, aos que querem a escuridão nas ruas, aos querem que o povo fique em casa, acuado.
Mário Bortolotto é um símbolo de nossa Praça Roosevelt. Seu estado de saúde é grave, mas está resistindo e viverá.
Vamos nos reunir no Espaço Parlapatões, hoje, dia 06/12 (domingo), às 21h, para mostrar o quanto queremos que nosso amigo se recupere completamente.
Nosso amigo Carcarah, também atingido, passa bem e está conosco em pensamento pela recuperação do Bortolotto.
Não apresentaremos a peça O Papa e a Bruxa, para que todo nosso elenco, artistas, produtores, técnicos e funcionários do teatro possam participar desse ato.
Chamamos os amigos, artistas, público, freqüentadores da praça, vizinhos, jornalistas e todos os que se dispõe a enfrentar a violência para vir a este encontro.
Vamos ler trechos de suas peças, seus poemas e vamos mostrar que o nosso palco não está a serviço das tragédias reais, mas que faz dramas, comédias e tragédias para dar fôlego à sociedade para enfrentar suas mazelas.
Compareça! O Teatro resistirá mais uma vez.
Bortolotto viverá e escreverá muito mais de nossa história!
A praça é do povo, da cultura, da comunhão, da arte e da paz!

Dia 06/12 - Domingo, às 21h

Espaço Parlapatões - Praça Roosevelt, 158 - tel. 11 3258-4449
Fonte: http://parlapablog.blogspot.com/

sábado, dezembro 05, 2009

INGRATIDÃO

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Foto do filho da puta que atirou no Marião

Lembro que quando cheguei em São Paulo, sempre ouvia histórias assombrosas e criminosas sobre a praça Roosevelt. Não tinha coragem de passar por ali nem durante o dia, a noite então, nem se fala. Os moradores não podiam chegar tarde em casa, pois corriam o risco corriqueiro de serem assaltados ao parar em frente as suas garagens, esperando o portão abrir.

Há 12 anos atrás, onde hoje está localizado o Espaço Parlapatões existiu uma padaria, onde ocorreu uma grande chacina. A praça foi um dos maiores pontos de tráfico e prostituição de São Paulo. Alguns apartamentos tem marcas de bala dos frequentes assaltos.

Os moradores começaram a desabrigar aquele lugar, não aguentavam mais, enquanto nenhuma providência era tomada. Uma terra sem lei, sem vida e cada dia mais abandonada.

Em 2000 a Cia do Satyros ousadamente resolveu instalar-se ali, mesmo sabendo dos riscos. Pouco a pouco e insistentemente cheios de idéias e vontade foram devolvendo vida ao lugar. Inovaram inclusive os hábitos rotineiros da classe teatral paulistana, com horários alternativos de peças, eventos como a Satyrianas etc.

A praça chegou a funcionar quase que 24h, além de diversos espaços teatrais, tem livrarias noturnas, bares, restaurantes e muita gente bacana. Tornou-se para muitos um lugar provinciano, quase uma cidade do interior, onde todos se conhecem. Eu, durengo do jeito que sou, só apareço lá. Encontro amigos e não tenho nenhum tipo de gasto. Enfim.

Claro que com toda essa revitalização, a praça começou a chamar atenção da classe média e os apartamentos desapropriados que foram vendidos a preço de banana, passaram a ser super valorizado. Existe fila pra se conseguir um lugar pra morar por ali.

Como nem tudo é um mar de rosas, essa classe média que habitou lá, não felizes com a revitalização passou a se incomodar com o barulho dos frequentadores. Iniciou-se assim uma guerra. É comum estar conversando com um amigo e de repente alguma coisa cair na tua cabeça, como água quente, mijo, vômito cerveja choca e até objetos pesados. Não conseguindo nos derrotar pela agressão, entraram com vários baixoassinados na justiça.

Os moradores de tanto insistir conseguiram fazer revigorar algumas leis. A partir de um horário, não pode mais ter mesa nas ruas, barulho etc. E com isso devolveu-se aquela aparência de abandono que a praça tinha deixado pra trás.

A cada 2 minutos parados lá, somos abordados por pessoas pedindo alguma ajuda e na maioria das vezes são pessoas na fissura pela próxima pedra de crack ou qualquer outro tipo de droga. Os famosos nóias.

Óbvio que com toda essa merda a praça vem perdendo a cara que conquistou nestes dez anos desde a chegada do Satyros. Depois da uma da manhã já não tem mais nada na rua. Só dentro dos bares. A maioria das pessoas preferem voltar pra casa. O grande barato era ficar sentado ali na frente tomando uma cerveja com os amigos e atento a tudo. Isso chamava a atenção das pessoas que passavam pela rua, ajudando a criar o movimento naquele lugar. Agora, ali vem se transformando a cada dia num alvo fácil para os bandidos.

E foi o que aconteceu na madrugada de sexta pra sábado, 5 de novembro de 2009. Quatro bandidos armados, invadiram o Espaço Parlapatões. Chegaram gritando com uma violência absurda. Mandaram todos deitarem e passarem tudo o que tinha. Agarraram uma garota e deram uma coronhada na cabeça de outra. Dois amigos inconformados com a agressividade foram pra cima e consequentemente e injustamente baleados.

Dizem que Carcarah levou 3 tiros na perna, mas já passa bem. E o Mário Bortolotto levou 4 tiros e está até hoje internado na UTI da Santa Casa em estado grave.

Muitas vezes escrevi deles por aqui. O Carcarah é um ilustrador, músico e tem um blog com os melhores textos que já li. O link ai do lado. O Marião é simplesmente um cara que deu animo há uma geração esquecida, ou apagada em São Paulo. Pode-se dizer que ele com seu estilo e caráter tem vários seguidores. Ele inovou a dramaturgia no país e a maneira de pensar de muita gente. Inovou o jeito de fazer teatro e foi incentivador de uma porrada de malucos. Sou eternamente grato a este cara.

O Marião é uma das figuras mais representativas da praça.

Escrevo esse texto por algumas questões. Uma pra torcermos pela recuperação destas pessoas. As chances do Marião sobreviver são grandes.

Onde vamos parar com tanta violência? Até quando os filhos da puta desses políticos vão passar por cima disto tudo, vão continuar nos roubando e nos dando essa condição precária de vida? Kassab se reelegeu dizendo que ia concretizar diversos projetos, inclusive o da reforma da praça. Prometeram tirar aquela marquise ridícula que serve apenas de esconderijos pros bandidos. Cadê você seu prefeito filho duma…

E a última questão é: a praça estava sendo desapropriada pela infinidade de assaltos e atrocidades que aconteciam. Os grupos de teatro reverteram a situação e agora as pessoas como sempre ingratas e insatisfeitas querem boicotar ao invés de agradecer que podem morar num lugar “tranquilo” e que tem um imóvel que valorizou pelo menos 300%. É foda né?

Há dez anos desde a vinda das sedes dos grupos não se ouvia mais nenhuma notícia deste tipo por ali. Em menos de um mês, depois que os moradores conseguiram colocar mais uma lei em atividade e as mesas definitivamente sairam das calçadas, ouve esse tiroteio e um espancamento de um mendigo na porta do Satyros 1. Dez anos em atividade, contra um mês dessa porcaria e já viu-se o resultado.

Essa tendência da insatisfação humana é nata, mas ta na hora de abrirmos mãos dos nossos desejos egoístas e pensarmos melhor nesta merda toda. Certeza que se os teatros sairem de lá, a praça voltará a ser o que era antes e certeza que os moradores terão que deixar o lugar novamente. Babacas.

Segue um dos links com a foto do valentão do assaltante. Peço que divulguem em todos os meios possíveis pra eles serem encontrados. Blogs, orkut, facebook, twiter etc. Só gostaria de vê-lo pra saber se o cara é tão valente assim sem a arma. Meu sonho é que a polícia os levassem no mesmo lugar e pedissem pra dar o mesmo show, só que desarmados. Teriam coragem?  E óbvio, que nos deixassem a vontade pra fazer o que bem entendermos.

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4141548-EI5030,00-Policia+divulga+foto+de+suspeito+de+atirar+em+dramaturgo.html

Tem o blog do Mário e Carcarah ai do lado.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Ai

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E a dor... Hoje chegou a minha conta de telefone, mais de 3 mil pilas. É que ontem liguei pra todos os asilos do país. Passei dia e noite fazendo isso. Queria encontrar o Sr. Hilário, que é o senhor de quem falei no texto abaixo. Precisava rir um pouco. Fodi-me. Não o encontrei e agora estou com esta conta absurda pra pagar. Não sei o que vou fazer. Mudar de nome, endereço, ou me entregar a polícia. Este é um valor que gastaria em 5 anos usando o telefone todos os dias e gastei numa paulada só.

A esta altura imaginei que já tivessem jogado o velhinho num asilo beira de estrada. Ia contar que ele me fez rir aquele dia na ilha se escondendo dos seus netos no meio do mato na escuridão, com as velhinhas berrando seu nome. E dizer também que aquela cena hilária virou trecho de um texto. Bosta, por onde anda o velhinho? Aquela imagem já se esgotou na minha cabeça e não me faz rir mais. Certeza que Sr. Hilário tem piadas na manga.

Uma hora todo mundo é deixado. Pensar nisto da um medo danado. A solidão é um troço engraçado. Quando nos habituamos a ela, gostamos pra cacete e não queremos abrir mão desta condição de forma alguma. Mesmo assim passamos a vida toda com medo de no último suspiro não ter ninguém por perto nos vendo, ou pra gente ver pela última vez. Não quero dizer adeus olhando só pra paredes.

Eu compreendo perfeitamente a melancolia do Bob. Toda garota mal cuidada e maltratada, corre pra Buenos Aires à procura de algum amante. Não é só por isso que odeio argentinos. Os caras são uns folgados mesmo e ainda por cima querem comer as nossas mulheres. Que comam as deles. As tchecudas cabeludas. Se um dia você ler esse texto Bob e quiser ir pra lá enche-los de porrada, é só me deixar um comentário ai. Vou junto, nem que seja pra pedir carona na estrada.

Quando me enchem o saco, meto a porrada em todo mundo, mas sou um fracote, palavras me machucam mais do que os nocautes que já tomei e sei que as minhas tem forças também e se as desfiro feito metralhadora, acabo me acertando, o que é pior. Dai corro pra pequena casa da minha mãe no interior, só pra ver ela parada no portão chorando e acenando enquanto o carro ganha distância na despedida.

E a dor... Os anos nos ensinam a nos esquivar bem dela, mas uma hora o soco acerta em cheio, daí fodeu. Não tem remédio. Daí você percebe que é mortal mesmo e por mais casca grossa que seja, ainda existem infinidades de partes que não estão calejadas. Só resta, sentar e chorar, chorar e chorar... feito criança mimada esperando a mamadeira com o leite morno.