terça-feira, maio 26, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
O PORTEIRO ZÉ E SUAS PÉROLAS NOTURNAS
Quando me mudei pra este prédio em Pinheiros, fiquei bem amigo do porteiro da noite, o Zé. As vezes ficava horas e horas trocando idéias com ele. Estava desempregado e não tinha hora pra acordar, então ficava lá. Hoje em dia não da mais, mas na medida do possível, sempre fico pra bater um papo rápido. Ele gosta pra caramba de televisão, principalmente essas séries de violência. Tem uma que passa toda segunda na record. Nunca perdeu nenhum capítulo. Ele fica atento esperando começar. Gosta pra caramba também de Prison Break. Se amarra mesmo. É raro não vê-lo assistindo. Pra atravessar a madrugada fria sozinho, tem que ter alguma distração mesmo. Se não o cara endoidece. 8 horas no mais absoluto silêncio é punk. Ele gostava de ler jornal, mas o sindíco o proibiu. Se ele quisesse isso (silêncio), teria escolhido ir pra um mosteiro, sei lá. Descobri um tempo atrás que ele foi baterista de várias bandas e até tocou com uns nomes importantes da época dele. Veio do nordeste, como a maioria dos outros porteiros, não conhece muita coisa ainda não. Mora numa vila simples na zona Sul. Deve ser uns 4 anos mais velho do que eu. Largou a vida de músico pra poder ficar mais tempo com a mulher e o filho. Há quase 15 anos trabalha de porteiro. Hoje quando cheguei entrei no prédio notei que a televisão estava desligada e ele bem quieto no canto de braços cruzado. Perguntei porque ele estava quieto. Ele disse que não tinha nada na televisão. Aquele horário era ruim. Tava passando Jô Soares e ele não gosta. Acha muito chato. Finalizou dizendo:
“Jô Soares só é legal quando está de férias, porque dai passa um monte de séries boas no horário dele.”
Esse sabe das coisas.
UMA DUPLA QUE DEU CERTO
Thiago Luciano e Beto Schultz se não me engano se conheceram num curso de teatro. Além da grande amizade resolveram fazer parceria em trabalhos. Sempre um dando uma mão pro outro e desenvolvendo projetos juntos. São pirados em cinema. Estão sempre envolvidos em produções próprias. Numa brincadeira dessas fizeram um longa, sem pretensão nenhuma. São raladores. Não ficam esperando cair do céu não. Vão atrás e fazem. Do jeito deles, mas fazem. Sempre conseguem reunir um pessoal legal nos trabalhos e amanhã vai rolar a estréia de um curta deles lá no HSBC. Claro, fui convidado pessoalmente e por isso não deixarei de ir de jeito nenhum.
O MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA
Já falei rapidamente sobre essa peça aqui. É o primeiro texto pra teatro montado do grande escritor e amigo Marcelo Mirisola. A critíca infelizmente não deu nenhuma nota digna para a peça. Mirisola escreveu a respeito. Se ele permitir postarei. Bom, confesso que no começo resisti um pouco em assistir. Estava curioso pra ver o texto do Mirisola, mas ao mesmo tempo tinha um pouco de medo, por causa do elenco. Me arrependo profundamente em não ter ido antes. Uma peça exatamente do jeito que gosto. Sem firulas nenhuma e que dá o recado. Alberto Guzik se encaixou perfeitamente no papel. Se eu estivesse com tempo iria sem dúvidas outras vezes, mas pra quem não foi ainda, esta semana (quarta e quinta) e semana que vem, nos mesmos dias, serão as últimas apresentações. Pra quem ta afim de ver algo inteligente, de humor ácido e bem porradeiro. Não pode perder.
“Monólogo da Velha Apresentadora” mostra o desabafo da velha Febe Camacho, que vem do teatro de revista e dos tempos históricos da televisão brasileira. Ela está furiosa porque sua empregada foi seqüestrada e exigem dinheiro para liberar a mulher.
Febe chega a pensar em não pagar o resgate e deixar a empregada entregue à própria sorte. Mas os sequestradores ameaçam denunciar a velha e famosa apresentadora por “falta de sensibilidade social”. Febe aproveita então seu programa para desabafar. Compara seus tempos com os tempos atuais, xinga, briga, faz confissões que envolvem presidentes e altos mandatários do país, lembra dos tempos da revista, de seu começo na televisão.
A velha apresentadora vai revelando aos poucos que tem muita raiva e muitos preconceitos. E aproveita esse momento para dizer com total franqueza tudo que pensa. É uma comédia com ácido cítrico, como costuma fazer Mirisola, que não tem papas na língua e nem nos dedos para escrever o que pensa e para sacudir a pasmaceira, as acomodações, a passividade.
quinta-feira, maio 14, 2009
BLOG SOBRE BOXE
Essa dica é do grande Pedro Pellegrino. Já fucei no blog. Boxe está entre os esportes que mais gosto. Não conheço tanto quanto o cara do blog. Só sei colocar a luva e ir pro abate. Confiram lá. Legal pra cacete.
quarta-feira, maio 13, 2009
Cividanes
Conheço poucos fotógrafos, designers etc. E os que conheço gosto do trabalho. Fotografia é um negócio que tem me atraido muito ultimamente. Juntei uma graninha e comprei uma máquina bem legal agora e ando por ai fotografando tudo o tempo todo. Assunto pra outro post, porque este é pra divulgar o novo blog que acabei de descobrir, porque também acabou de ser criado. É de uma das melhores designer gráfica que conheço e mulher de um dos diretores de teatro de quem mais tenho gostado de ver os trabalhos. Ruy Filho de quem já falei algumas vezes aqui. Patricia Cividanes, sua mulher, é responsável por todo o trabalho gráfico da Cia Antro Exposto. Sem medo de dizer. Os trampos são de tirar o chapéu. Acabei de ler o texto de apresentação e achei du caralho, bem receptivo. Volto sempre. “Quer dizer sempre que eu entrar na internet, pois tem sido raro.” Vale a pena conferir.
ESTA COROA VALE OURO
Minha mãe passou os dias das mães aqui em casa comigo. Fui mais presenteado do que a presenteei. Desde moleque sempre ficamos muito distantes. Coisas da vida. Enquanto ela ia tentando acertar a vida eu morava com uns tios e tudo mais. Ela casou e já me tinha. A família do marido não aceitava muito a situação. Então pro negócio ir se alinhando, eu passei uma parte da infância em Taubaté com suas irmãs. Devo ter ido morar definitivamente com ela aos 5 ou 6 anos de idade. Com 14 anos eu já tinha decidido morar fora pra estudar em outra cidade. Fui. Quando me formei, ela foi morar fora do país com o marido e o outro filho. Dai em diante, conseguimos nos ver vez ou outra. Eu continuei rodando e hoje estou em São Paulo. Há quase 10 anos. Vida nomade. Quase 15 anos se passaram e ela está de volta. E sempre que pode vem ficar uns dias comigo pra fugir da rotina interiorana, casamento saturado etc. E ter a companhia um do outro.
É emocionalmente desequilibrada, mas é a pessoa mais figura que conheço. No café da manhã já abre logo uma latinha de cerveja e só pára pouco antes de dormir. Nem comida ela bota pra baixo. Não sei como consegue. Fuma que nem um gambá. Acho que o organismo dela já está invulnerável.
Mês retrasado veio pra passar um dia comigo e acabou passando 7. Veio só com a famosa bolsa de mulher. Sem roupa nenhuma. Pegou meus moletons emprestados e tudo mais. Sou bem maior do que ela. Ficava parecendo vocalista de Hip-Hop nas minhas roupas. Andando pelo quarteirão encontrou umas coisas baratas e descartáveis pra vestir e assim foi. Acordava cedo, preparava o almoço, pegava uma cerveja e descia. Sentava na frente do prédio com o Jair. O Jair é um cara legal que vem todos os dias pra cá. É aleijado das pernas. Nasceu assim. Todos da região estão acostumados com ele. O pessoal passa, o cumprimenta, bate um papo e deixa uma moeda. Sujeito alto astral pra caramba. Carismático. Minha mãe pagava umas brejas pra ele e ficavam lá a tarde toda dando risadas.
A coroa estudou pouco na vida, mas é capaz de fazer qualquer um rir. Quando exagera na bebida fica um pouco pedante e agressiva. É de longe a pessoa mais acolhedora que conheci até hoje.
Tinha acabado de tirar a carta de motorista. Eu devia ter uns 9 anos. Moravamos em Campinas. Ela me acordou de madrugada chorando. Encheu o carro de comida e cobertor. Era uma noite de inverno. E fez eu ir com ela até o Taquaral pra deixar aquelas coisas pra uns moleques que tinha conhecido na rua naquele dia. Quando os viu jogado na calçada, começou chorar, os abraçou, cobriu-os com os cobertores, deixou comida, falou um pouco e quando eles voltaram a dormir, partimos. E aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. E muita coisa em mim mudou por causa disso. Ela deve ter lembrado a infância dura que teve na rua. Ficou órfã com 13 anos e dai teve que se virar. Passou fome e a merda toda.
Não quer que ninguém passe pelo que passou. Não me assusta o seu desequilibrio emocional, mas tem hora que é foda de aguentar. Apesar de tudo, é a pessoa mais especial da minha vida. A única coisa que quero é que ela dure muitos anos ainda, pra eu poder de alguma forma retribuir a tudo que já me fez. Pra eu poder ter sua companhia sempre por perto. Porque até que enfim agora vamos conseguir passar mais tempo juntos.
SOB O POR DO SOL EM ALGUMA CIDADE DO INTERIOR DE SÃO PAULO
Enquanto escrevia o texto abaixo, me lembrei de quando era moleque e morava no interior. Sem compromisso nenhum, passava a maior parte do dia em cima de uma bike pra baixo e pra cima, sempre com algum amigo.
Se tem algo legal pra se fazer no interior, é sentar em algum lugar na parte mais alta da cidade e ver o por do sol. Numa época fazia isso religiosamente. Depois voltava pra casa, tomava banho, rangava, jogava um pouco de video game. Ligava pra alguma garota, colocava a cabeça no travesseiro e esperava o sono bater. O sono suave e tranquilo. Repousava. Bom demais pra ser verdade.
Lembrei que sempre antes do sono chegar eu pensava. “Na vida o homem só precisa de uma bicicleta velha, uma bela garota, o por do sol e bons amigos. Nada mais do que isso.”
FAMÍLIA JIU-JITSU
Bem ao contrário do que todos pensam, o jiu-jitsu é um esporte bacana. Há um tempo atrás, quando foi provado ser uma das artes marciais mais eficientes para defesa pessoal etc, o esporte ficou malvisto, pois começaram aparecer os conhecidos “Pitboys”. Os caras de cabelos curtos, orelhas couve-flor, bombados e com uma corrente pendurada no pescoço. Eles saiam exclusivamente para arrumar encrenca. Era moda.
Algumas pessoas mais centradas até escondiam que praticavam, por conta disso. Mas hoje em dia a história é diferente. O esporte tem se profissionalizado cada vez mais, junto com o MMA (Vale-Tudo). Então os mais enérgicos ao invés de arrumarem encrenca na rua vão pros ringues e ainda ganham uma grana. Já me enfiei nisto no passado. Não é tão punk quanto parece aos olhos, pois quem está ali em cima, está altamente preparado. Passam por treinos diários de até 6 horas na pauleira. Claro, acidentes tem em todos os lugares. Penso em voltar.
No jiu-jitsu os nossos desafiantes são nossos amigos, irmãos, companheiros de treinos, sei lá, chamem-os como quiserem, mas nossos adversários somos nós mesmos. Quando começamos lutar o negócio pega, é um querendo atropelar outro, só que o desafio maior não está em derrotar o outro, mas sim em superar os próprios limites pra poder ver até onde se consegue ir. Pra que isso? Não me perguntem, mas percebo que é isto que tem mantido a vontade de seguir em frente de muita gente.
O treino é de puro confronto fisíco. Algumas posições são até comprometedoras, não posso negar, mas o respeito no tatami entre os praticantes é tão grande que em hipótese se encontra maldade. As garotas que treinam ficam bem a vontade. Mesmo na embolação. Às vezes rola lesões e até desentendimentos, mas quando saimos dali, já está tudo em ordem, com a alma lavada e somos outros. Meu professor é um grande amigo e o adotei há muito tempo como irmão mais velho, pois nas horas punk foi o cara que esteve presente pra ajudar segurar a barra. Uma mão sempre foi lavando a outra desde então.
Semana passada deixei minha bike amarrada no portão de casa. Algum filho da puta cortou o cadeado e a levou. Dois dias depois um outro brother de treino me liga, dizendo que tinha uma bike Trek importada (uma das melhores marcas) em ótimo estado e que iria me dar, pois disse que teria mais utilidade pra mim do que pra ele, sabendo do corre que faço diariamente. Confesso que me emocionou. Até hoje não sei expressar toda minha gratidão pelo ato. Às vezes tem aquela sensação de que passamos pela vida sem ao menos ser reconhecido pelo menos pela nossa honestidade sei lá. Não que quero ser reconhecido por algo e também não sou um sujeito politicamente correto, devo confessar que tenho até um pouco de ojeriza por esses tipos, mas vejo que de alguma forma é um sinal de que vale a pena não sacanear com ningúem, neste sentido. Fiz muita merda, mas nunca tive as manhas de tirar nada de ninguém. Nem passar por cima de ninguém pra conseguir algo. Acredito que cada um tem sua história.
Nestes 15 anos de treino passei por uma porrada de equipes e nunca me senti tão em casa como nessa. Nunca me diverti tanto. É du caralho. E outras coisas de grandes amizades já rolaram por ali, faria o maior post deste blog descrevendo isto, mas é mais numa de dizer que estou bem acompanhando e muito agradecido pelo belo presente. Não é todo dia que ligam te oferecendo uma bike boa pra caramba. E não é da bike em si que falo, mas sim da acolhida e recíprocidade. E não é em qualquer lugar que se encontra uma rapaziada deste naipe. Ossss.
sexta-feira, maio 08, 2009
ALGUMAS COISAS
Tanta coisa pra escrever aqui, que na hora que penso em fazer, dá uma preguiça danada, até porque tem aquela velha história do tempo. Estou focado em outras coisas, por enquanto. Essa semana foi de louco. Roubaram minha bike, meu único transporte. Adquiri uma máquina fotográfica bacana pra começar trampar. Atores e atrizes que precisarem de material novo. Entrem em contato. Na sequência ganhei uma bike ferrada de um grande amigo e por ai vai. Semana que vem espero sentar pra colocar tudo isso em dia. Por enquanto, um bom fim de semana e bom dia das mães. A minha vem pra cá e acho du caralho. Ela é a pessoa mais especial da minha vida. Escrevo sobre ela também em breve aqui. Valeu!
O QUE ANDEI VENDO POR AI E RECOMENDO
“O FINGIDOR” – Texto e direção do grande Samir Yazbek. Está entre as 100 melhores dos últimos tempos na seleção da Bravo, fora a porrada de prêmios que ganhou por ai mundo a fora. O Serviço está num post logo abaixo.
“A NOITE MAIS FRIA DO ANO” Texto e direção do escritor Marcelo Rubens Paiva, com o brother Mário Bortolotto no elenco e mais uma rapaziada de tirar o chapéu. Fazia tempo que não me divertia tanto. Pareciam adolescentes no intervalo no pátio da escola bagunçando ou jogando futebol, sei lá. Nem vou postar o serviço porque até onde sei já está esgotado. Parece que estarão em Teresina.
“COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA” do Club Noir, dirigido por Roberto Alvim e com uma das melhores atrizes que conheço, Juliana Galdino. Esse grupo agora com espaço próprio na rua Augusta, tem dado o que falar, já há algum tempo. Roberto Alvim junto com Ruy Filho e Eric Lenate na minha opinião são os diretores desta nova geração, se é que posso chamá-los assim, em quem mais aposto. Tenho acompanhado o trabalho deles religiosamente. E digo não deixem nunca de assisti-los. Essa peça está imperdível. Estão no Teatro Imprensa, às terças e quartas 21h.
“SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO” adaptação de um conto do russo Dostoievski, dirigido por Roberto Lage e com a monstruosa interpretação de Celso Frateschi. Outra peça transformadora. Grande surpresa. Estão no Teatro Àgora no Bexiga de sexta à domingo.
“O MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA” É o primeiro texto de teatro encenado de um grande amigo e sem dúvidas um dos maiores escritores do Brasil, Marcelo Mirisola. É um monólogo interpretado por Alberto Guzik e dirigido por Josemir Kowalick. Quem conhece Mirisola já sabe mais ou menos o que espera. É risada do começo ao fim, mas isso talvez seja só um disfarce pro choro entalado, pois Mirisola como sempre ataca com sua dura transparência. A peça ta no Satyros I às quartas e quintas às 23h. Vida longa.
quarta-feira, abril 29, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
ATUALIZAÇÕES
Tava em divídida com isso aqui. Em compensação agora, atualizei o blog pra semana toda. Tirei o dia pra isso. Li todos os comentários, agradeço. Bom fim de semana a todos.
Samir Yazbek
Recomendo a peça de um cara que admiro muito. Já tinha falado dele quando divulguei “A Noite do Barqueiro”. Agora estão em cartaz em comemoração aos 10 anos de “O Fingidor.” Assisti há 8 anos atrás, este fim de semana vou de novo. Imperdível.
Pega carona
Teve um dia no set do filme do Lula que apareceu uma atriz de uns 20 anos pra fazer uma diária. Pra não se sentir um peixe fora d´água começou sambar pra lá e pra cá pra tentar se entrosar. Até ai tudo bem, mas na hora que a mina pegou no tranco, fodeu. Deram corda demais. É um tal de sou filha de não sei quem, sobrinha de fulana etc, etc. Se estávamos conversando e falávamos de alguém, ela podia estar do outro lado da rua, que vinha correndo e dizia: “Nossa, adoro essa pessoa, é super minha amiga.” Alguém falou em algum momento da Claudia Abreu. “Nossa a Claudinha, é demais, é super do bem.” Alguém citou Pedro Cardoso, não sei porque. “Nossa, o Pedrinho, é muito sério, sempre que encontro com ele falo e blá, blá, blá.” Caralho, pensei. Ela é amiga de todo mundo, conhece todos, mas ela quem é?
É da turma pega-carona. Não sei se detesto ou tenho pena. Pra mim são só pessoas que não se aceitam, ou que não conseguem se virar sozinhas daí ficam se autoafirmando em cima dos outros. “Meu grupo de teatro.” “Meu melhor amigo é fulano de tal”. E você sem essas pessoas, quem é?
Ia escrever mais, mas me deu preguiça.
O HOMEM COM A BALA NA MÃO
Este texto é o responsável por minha ausência neste blog. 2007 foi um ano que jamais me esquecerei, só espero não passar por nada parecido de novo. Fiquei sem grana nenhuma, não aparecia trampo, nada. Durante um mês descia todos os dias no supermercado e comprava 3 pães. Comia um de manhã, outro a tarde e o último a noite. Parecia que não ia acabar nunca. Já passei por perrengues e perrengues, mas este veio de surpresa e por isso marcou tanto. Como “1933 Foi Um Ano Ruim” do Fante. Não tinha a quem recorrer e nem pra onde ir. Sempre que me trancava no quarto chorava pra cacete, me sentia um derrotado e vinha a merda da vontade de pular pela janela. Um dia cheguei a sentar nela, por sorte o brother que dividia o apê comigo na época apareceu e me segurou.
Só depois de muito tempo vi a merda que tava fazendo, não sei se ia soltar o corpo ou não. Não sei mesmo, mas eu tava lá a ponto de desistir de tudo de um jeito ou de outro. Meus pensamentos começaram a me perturbar muito e então resolvi escrever sobre isso, numa tentativa de salvação. Tinha um pouco de medo do que eu pudesse fazer, involuntariamente. Sempre insisto em dizer que não temos noção do que somos capazes.
Ficava me perguntando, o que passa na cabeça de um sujeito minutos antes de dar cabo da vida? Me liguei que somos todos suicidas em potenciais. Mas porque uns chegam ao ponto de e outros não? São corajosos ou covardes? Perguntas do senso comum, que sempre nos acompanham. Foi então que me fechei e comecei pesquisar sobre tudo relacionado, já sabendo que nunca teria uma resposta exata, mas talvez pudesse chegar próximo, ou descobrir outras coisas.
Com o tempo tudo isso foi me aliviando, mas num determinado momento, comecei desanimar, por achar já um assunto gasto e vi que não ia dar em nada, então convidei dois amigos pra me ajudar escrever, mas por razões próprias, ou desinteresse do assunto na época, não rolou. Quase desisti com isso, tava foda. Foi então que resolvi ir ainda mais afundo nas pesquisas e tentar mais uma vez. Comecei abrir a idéia pra algumas pessoas e elas iam me indicando coisas e coisas.
Conheci irmãos, pais, amigos de suicidas que também foram me ajudando. Descobri histórias e histórias, como a do Vinicius Gageiro Marques, conhecido como Yoñlu no mundo virtual que se suicidou com a ajuda de pessoas que freqüentam um fórum na internet com esse intuito. Estava com a webcam ligada e as pessoas assistiram. Vi um maluco que se jogou do prédio atrás do meu trampo. O corpo ficou lá estatelado o dia todo, com uma arma no chão e os miolos espalhados. Teve outro que estourou um rojão na boca, também do lado do meu trampo etc. Como o tempo percebi que isso tava pesando e novamente quis desistir. Puta assunto punk pra se pesquisar. Começou bater depressão e a porra toda. De não conseguir sair da cama, tomar banho etc. Deixava tudo jogado no quarto, não tinha vontade de arrumar nada. Contei como estava pra uns amigos e disseram que parecia ser depressão mesmo. Preocupado comecei procurar psicanalista público, mas assim que consegui acabar o primeiro tratamento do texto me senti melhor e tive certeza que era isso que tava me fodendo, daí me poupei de gastar uma grana se fosse preciso e tempo. Li muito sobre depressão. Sempre achei que fosse doença de rico, mas tem pessoas que nascem com uma disfunção cerebral, onde ele não consegue produzir serotonina e então, tem que passar a vida tomando remédios. Pensei que tivesse isso.
Enfim, aprendi pra cacete sobre o assunto e consegui escrever o texto. Claro, impossível fugir do senso comum com um tema deste, mas imprimi meu ponto de vista, fruto desse monte de coisas que pesquisei, por um pouco mais de um ano. Quando estava fechando-o, me ausentei daqui. Agora me ausento pra decorá-lo. É coisa pra cacete e como escrevi milhões de versões, na hora de decorar confundo tudo. Espero estréia-lo este ano ainda em São Paulo. Primeiro vou viajar pelo interior pra tentar levantar uma grana. Não consigo esperar projetos, leis etc, prefiro ir fazendo. Se der certo até o fim do ano espero que meus amigos daqui possam assistir. “O HOMEM COM A BALA NA MÃO.” Tem muita gente que me ajudou depois do primeiro tratamento lendo-o e dando opiniões e tem algumas pessoas me ajudando nesta nova empreitada. Valeu.
MOTOBOYS DE MERDA
Não curto encrenca. Sempre fujo, porque se entrar, vou até o final. Devo ter cara de bobo, não é possível, sempre as pessoas insistem em querer arrumar uma comigo, fora os pedintes que me veem e correm pedir grana. Por que será? Quando eu era moleque vivia metido em roubadas. Morei numa vila, mais ou menos perto de uma favela gigantesca e a molecada da favela baixava lá e consequentemente me tornei amigos dos caras. Fui um moleque até um pouco sociável. Tive amigos. Na verdade procurava companhia pra fazer merda e arrumava os mais malucos. Fodeu tudo quando uma vez destruímos uma construção aos pontapés e a marretada, pra roubar todos os canos PVC e fazer estilingues. Era nossa curtição na época fazer guerrinhas com isto. As estilingadas doíam pra cacete. Quando pisei em casa a polícia tava lá esperando. Devia ter uns 11 anos. Já estavam de olho na gente há muito tempo. Foi uma puta confusão. Minha mãe ficou louca, me quebrou de porrada e depois me mandou pra uma cidade minúscula, quase no meio do mato, na casa da minha já falecida avó. Fiquei endoidecido. Ficava trancado num quarto dia e noite, sem poder fazer porra nenhuma. Só saia pra comer, mijar e cagar. Passava os dias com diarréia forçada.
Depois disso as coisas só pioraram, daí é assunto pra outro post. O fato é que hoje fui atravessar a rua de casa correndo, veio um fdp de um motoboy costurando os carros a mil por hora e quase me atropelou. Parei há tempo e cai sentado. Me joguei, pra ser mais claro. Na sequencia tava vindo um carro, sorte que freiou a tempo, senão tinha me fodido. Motoboys já não são bem vindos.
Sei que temos até um certo preconceito com eles, mas não é por menos, fazem por merecer, são encrenqueiros e acham que todos tem medo. Então botam panca. Enfim. Me levantei, desculpei-me com o motorista e segui. De repente ouço um grito: “Ou, ou...” Quando olho era o morfético do motoboy botando panca, lá longe e no meio do trânsito. Bagunçando tudo. O sangue subiu pra cabeça na hora. Ele deve ter achado que eu ia sair correndo. Larguei tudo que tinha na mão. E fui pra cima do cara. Começou querer bater boca. Não sou de bater boca, é perda de tempo. Então falei pra ele descer da moto. Nisto um monte de motoboys foram parando também. Daí o cara se sentiu maior ainda. Ele desceu e foi tirando o capacete. Não dei tempo de deixar o cara dizer mais nenhuma palavra. Soltei-lhe só um soco que pegou de cheio na ponta do queixo. Foi bem mirado. O suficiente pra cair e ficar por lá. Nisto os outros começaram descer e vir pra cima.
Comecei distribuir socos e caneladas pra tudo quanto é lado. Derrubei mais 3, a grande merda foi quando a polícia apareceu. Me pegou. Passei a manhã na delegacia com os 4 que derrubei me ameaçando, consegui falar com uns brother da polícia que conseguiram me livrar desta. Ficou resolvido, mas acho que os motoboys, vão querer me por no pau, ou me apagar, mas enfim... Consegui só sair agora. A sorte que tive testemunhas a favor e disseram que eu estava só me defendendo. Não sei que merda vai dar isso. Só espero que minha mãe não fique sabendo que estive metido em encrenca com a polícia novamente.
sexta-feira, abril 17, 2009
FERIADO
Vou tentar fugir pra algum canto. Quem for ficar, bom feriado e se divertam ai.
A internet deve ter sido a melhor invenção dos últimos tempos. Quem é esperto consegue ficar rico, arrumar enrosco, trabalho etc. Dentre tantas outras razões, é por isso também que gosto dela. Exemplos:
1.Um maluco ai ta querendo arrumar uma mulher séria pra casar. Investiu pesado. Não deixem de ler o texto depois das fotos. Campanha desencalha Wanderson. Aqui.
2. Maior, melhor e mais saboroso cachorro quente do mundo. E a propaganda não tinha como ser inferior ao produto. Aqui.
3. Tragédia. Avião perde a asa e ainda consegue pousar. Aqui.
terça-feira, abril 14, 2009
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA TANTO BATE ATÉ QUE FURA
Enquanto procurava nos meus arquivos umas fotos pra postar, me deparei com a que virá abaixo. Acabei com vontade de escrever. Não sei porque. A ficha às vezes demora pra cair. Às vezes nem cai porra nenhuma. Sempre admirei os persistentes. Aqueles que se fodem pra cacete mas não tem medo de merda nenhuma, nem de se foderem e conquistam seu espaço, ou chegam no seu objetivo. Sabemos que o objetivo de cada um nesta vida é muito peculiar. Sabemos que o que estou dizendo é redundante demais, mas foi necessário pra este texto existir. Sempre me espelhei nestas pessoas. Tenho um pouco mais de 29 anos e meio de idade e até agora não conquistei nada concreto. Num momento da vida, juro que tive a ingenuidade de pensar que as coisas seriam um pouco mais fáceis. Me fodi. Mas agora não tenho como voltar atrás. Não sei exatamente onde vou parar, onde posso chegar, apesar das porcarias dos conflitos, me sinto bem. Já passei perrengue até de ficar sem comer e juro que continuo com esta insegurança às vezes. Nunca sabemos o que virá. A vida é campeã mundial de judô. Mas nada me faz desistir de querer fazer só o que sei e o que gosto. E quando nesta guerra conquistamos aliados, a batalha fica mais divertida e é por isso que escrevo isso. Os olhos que verão, persistiu o tempo todo dizendo que havia se aliado a mim. Fui resistente demais. Burro até. E continuo não muito diferente. E as fichas iam caindo, lentamente, lento até demais, mas gosto assim e acho bom. Apesar de tudo, de todas as dores, parece agora que uma ficha bem pesada bateu de jeito no fundo do velho e quase pifado orelhão. “Alô.” Obrigado. Estou feliz. Assim.
FOTOS
Quem entra aqui sabe que ando fotografando por ai. Enquanto não encontro animo pra voltar escrever, só pra não deixar isso abandonado vou postando algumas fotos. Quem sabe, de repente depois do próximo feriado, eu volte no pique, porque este... Por enquanto ando com a cabeça em outras coisas. É chato pra cacete, mas dou essas satisfações porque gosto pra caramba deste blog. Gosto dos amigos conhecidos e não conhecidos que visitam aqui. Gosto quando deixam comentários. De uma certa forma é uma maneira de manter o contato. É que a fase ta foda mesmo. São outras coisas na cabeça. A preguiça predomina etc.