Já que ando sem nada pra dizer. E tenho curtido muito fotografia. Vou tentar toda semana selecionar algumas que ando tirando por ai e postar aqui. No flickr tem mais coisas. Enfim. Espero ser fiel à idéia e fazer isso sempre.
SÃO ROQUE-SP:
Já que ando sem nada pra dizer. E tenho curtido muito fotografia. Vou tentar toda semana selecionar algumas que ando tirando por ai e postar aqui. No flickr tem mais coisas. Enfim. Espero ser fiel à idéia e fazer isso sempre.
SÃO ROQUE-SP:
Parece que faz tempo que este video circula pela internet e só agora descobri-o. É o caso de um fantasma registrado pelas câmeras de um hotel em Cingapura. Tudo acontece mais pro fim do video. Se alguém sabe de algo, me diz, porque estou abismado.
Sexta é o dia dos sonhos. Dia de diversão. Que o diga este casal apaixonado. Esta foto veio por email enviado pela mãe sexagenária do meu grande brother Rodrigo. Bom fim de semana a todos.
Essa é uma das peças do Marião que mais gosto. Assisti várias vezes e hoje começa a temporada. Não deixem de ver de jeito nenhum. Parece que não vai ficar muito tempo.
E tem essa coisa do amor que não entra na cabeça de jeito nenhum. Vou seguindo em frente. Não encontro explicação pra uma coisa que não sei o que é. Tomo um chuto na bunda e continuo seguindo. É um empurrão na verdade. Já devia ter desistido de tudo, mas essa merda não deixa. E tem também a porcaria da solidão que parece um fantasma fazendo buuu no pé do ouvido. Olho sempre reto e é um breu danado. Sem cautela nenhuma tento descobrir onde posso pisar.
E a bomba relógio dentro da cabeça, que pode explodir daqui a pouco?
Nem vai dar tempo de atirá-la contra a janela pra me divertir vendo os estilhaços pelo chão.
Então sigo martelando, insistindo nessa merda toda. Sinceramente já me convenci e me convenceram de que não nasci pra nada disso. Daqui a pouco pego minha viola, marco um encontro com o Zé Buscapé e ficamos na varanda do seu rancho cantarolando algum blues caipira e contando quantos carneiros pulam a cerca. E tem essa coisa de vida que também não consigo engolir. Chega dessa putaria toda.
Opa! Foi outro vendaval. Por isso dei uma pausa no texto, sem avisar ninguém. Agora estão sabendo. Mesmo assim não deu tempo de fechar toda a janela. Não imagino quanto tempo vou gastar pra por tudo no lugar.
Ando preferindo mesmo bater cartão em alguma firma, ter férias, décimo terceiro, final de semana e dinheiro todo mês. Quero comprar tulipas pro jardim da minha garota. Sorrir como o gato de Alice no país das maravilhas a puta que pariu. Descobrir onde é que dói tanto. Foda-se.
Que nosso país está atrasado num monte de coisas em relação aos outros países do mundo todo, não é nenhuma novidade. Mas tem algo que nunca tinha pensado a respeito até receber isso por email. Nós homens brasileiros estamos realmente atrasados na relação com nossas mulheres. Observem:
OS GREGOS
OS POLONESES
OS IRLANDESES
O que mais me comove nesta foto é a ternura com que ele toma a mão de sua esposa.
Claro, os americanos
e os mexicanos não poderiam ficar de fora.
Já falei do meu brother Guilherme por aqui. Ele é vocalista da banda Rosa de Saron. Ele é como um irmão. Passamos a maior parte da adolescencia juntos. Entrando em roubadas e fazendo merda. Cada um seguiu teu rumo e agora nos vemos bem pouco e vamos nos comunicando por email, msn etc. Onde trampo os malucos deixam na rádio o dia inteiro. Eu não tenho muito hábito de ouvir rádio em casa, mas vira e mexe ta sempre rolando um som dos caras e por isso resolvi por este post. Disse por aqui também que não é o tipo de som que gosto e ele sabe disso, mas como o cara é meu irmão ouço o que ele faz e admiro pra cacete e acho du caralho. Uma coisa é indiscutível, o moleque canta muito, mesmo com seus trejeitos. Ganhou um prêmio recentemente de melhor cantor. Bom, nesta sexta deixo-os com um pouco do seu trampo. Tem bastante coisa no youtube. Esse é o primeiro DVD que produziram. Tinham muita pouca grana e ficaram devendo até as cuecas, mas agora já era. Valeu o esforço.
Como o video de cima não quer abrir. Mando mais um.
Tomei um susto hoje pela manhã quando vi meu rosto na primeira página do principal jornal de São Paulo. Bebi meu café olhando atentamente pra foto, pra me certificar de que era eu mesmo. Sabe como é quando a gente acorda!? Até a ficha cair... Lavei a cara umas 5 vezes pra não restar dúvida nenhuma. Ao abrir o caderno principal, lá estava minha ignóbil figura preenchendo quase toda a página da matéria. Difícil acreditar. Juro que nunca almejei isto, mas aconteceu. E quando eu menos esperava. A-con-te-ceu.
Quem me conhece sabe que não sou de brigas, mas já fui. A última briga foi pra defender um amigo que estava apanhando na porta do colégio de uns 4 caras enormes. Eu tinha 13 anos, ainda não raciocinava direito, então cai na besteira de querer ajudá-lo. Que merda! Dói só de lembrar a surra. Tudo pra tentar impressionar uma garota, que nunca mais vi. Mesmo fazendo muito tempo é inevitável não me recordar deste episódio quando vejo as marcas e cicatrizes que guardo de lembrança daquele dia. Devo admitir que por um lado foi bom, pois isto me fez nunca mais querer me envolver em brigas dos outros, ou melhor, em briga nenhuma. Também convenhamos, puta covardia. 4 gigantes contra dois franzinos. “Vai ser burro assim lá na casa do c...” – exclamo pra mim mesmo, frequentemente.
Hoje gosto de lutas esportivas e todo fim de tarde saio pra fazer uns treinos e levo comigo minha mochila gigante cheia de coisas. É longe pra cacete e sempre saio de casa no horário de pico de São Paulo. Tenho que enfrentar uma hora de viagem de ônibus lotado com a imensa mochila nas costas. É neguinho olhando feio o tempo todo. Um empurra-empurra fodido e eu e minha mochila lá. Sei que é foda, mas não tenho outra saída.
Ontem aconteceu a cagada toda. Busão transbordando, eu pedindo licença, todos colaborando e no fim do corredor, um cara de costas, ouvindo walkman, ocupando todo o corredor do busão. Fiquei atrás pedindo licença e o filho da puta não se moveu. Passei atropelando, dai ele vira pra mim e fala:
- Cara folgado... A mochila tem que passar primeiro sempre.
Fingi que não ouvi, exatamente porque não estava num dos meus melhores dias, insistente ele continua:
- Sempre tem um engraçadinho que quer ser diferente.
Quando ele disse isso o sangue subiu pela cabeça, mas procurei me conter pra não fazer besteira maior e só retruquei, igual criança mesmo:
- A mochila é minha e faço dela o que bem entender.
Ficou me olhando feio durante uns 5 minutos. Até então não havia me encarado ainda. Não aguentei e perguntei o que foi? Nem respondeu e veio pra cima direto com um cruzado. Me esquivei e já emendei uma voadora no seu peito que o deixou caído ali com os olhos bem esbugalhados e ofegante olhando pra minha fuça com cara de bosta. A cagada é que do nada apareceram mais dois caras que vieram pra cima com tudo. Fui mais esperto e antes da porrada deles me acertar, dei dois socos no nariz de um e um chute giratório na orelha do outro. Ninguém ficou em pé e o ônibus todo se pôs contra mim. Eu só estava me defendo, poxa. Quando eu vi que a chapa ia esquentar pro meu lado, tentei fugir por cima dos bancos pisando na cabeça de quem estava sentado. O ônibus tava em movimento e o cobrador logo percebeu que eu tinha gerado a desordem ali e quando eu estava pra saltar pela janela, ele conseguiu me segurar, mas provido de muita esperteza dei-lhe uma cotovelada no queixo que o nocauteou na hora.
O morfético do motorista que assistia tudo pelo retrovisor em silêncio, pra evitar que eu fugisse pisou fundo no acelerador. Irritado, caminhei sorrateiramente até ele e apliquei-lhe uma gravata, fazendo-o apagar e ai assumi a direção. Pra completar a minha sorte, logo a frente avisto uma barreira de carro da polícia, onde sou obrigado parar, pisando seco no freio, pra não fazer mais cagada. Todo mundo do ônibus veio parar na frente.
Os policiais invadiram o busão armados até os dentes. Perguntavam apenas onde estavam os filhos das putas. E os filhos das putas dos passageiros, apontaram pra mim, sem nenhuma hesitação. Os gambé nem quiseram ouvir explicação nenhuma e vieram pra cima feito boi bravo, se não fosse um dos policiais gritar lá do fundo:
- Achei os filhos das putas. Estão todos aqui no chão.
Acho que eu teria rodado bem. Todos os lazarento dos passageiros que quiseram me foder, agora em silêncio voltaram seus olhares admirados pra mim e começaram aplaudir. Palhaçada!!! Prefiro nem comentar nada. O chefe da polícia perguntou meu nome, apertou minha mão e me levantou no ombro. Puta mico! E um bando de micos ovacionando atrás. Uma multidão já me esperava na porta do ônibus. Repórteres, câmeras, fotógrafos. Flashes daqui e dali e essa putaria toda que fazem quando acreditam que alguém é importante. Não acreditava. Fiquei feliz, me senti um herói, me chamaram de herói. Parece que fiz algo bacana pelo menos uma vez na vida.
Quando a ficha começou cair tudo aquilo começou me encher o saco e pedi pra sair dali. Tenho um pouco de fobia. Que nada, sou misógino mesmo. Comecei correr e um monte de gente veio atrás. Que merda. Não consegui nem ir pro treino. Tive que voltar pra casa. Descobriram onde eu morava e ficaram a madrugada toda gritando na minha janela. Mandei todo mundo a merda e ignorei-os, achando que não fosse acontecer nada. Os vizinhos se assustaram. Depois de toda a loucura, quando tudo pareceu mais calmo, deitei e descansei. Olhei discretamente pela janela e tinha uns peças dormindo sentados na minha porta. Se foda! Quando acordei... Tudo pareceu só um pesadelo, mas quando olhei la fora de novo, vi alguns sujeitos se levantando e saindo dali, resmungando. Fui pra cozinha peguei o café abri o jornal e o que vejo? Essa semana to realmente fodido.
Essa mina é firmeza. Bonita, inteligente, charmosa, cheirosa, elegante, advogada, produtora de moda, personal stylist e mais um pouco. Até a esposa do seo Silvio (Santos) ela anda vestindo pra ir na Hebe. Faz um corre diário atrás do seu ganha pão. Corre danado mesmo. Não pára, não chora e não reclama. Admiro-a e muito. Por tudo isso, pela sua inteligência acima da média, pelo seu carinho etc etc etc. Faz um ano que nos conhecemos, pra minha sorte. Tem história pra cacete neste tempo todo, ou neste pouco tempo. Sou besta pra cacete, na maioria das vezes. Hoje é o aniversário dela. Registro aqui toda minha alegria de poder compartilhar isso ao seu lado. Desejo muito mais força, sucesso, felicidades, blá, blá, blá. Desejo tudo que posso desejar a mim mesmo. Nos conhecemos uma semana antes disso, no aniversário de outra amiga. Parece que todo mundo resolveu fazer aniversário neste mês. É foda. Não vou dar presente pra ninguém, já vou avisando. Bom, é isso. Quer dizer, não é só isso, mas por enquanto páro por aqui e a história vai se construindo com o tempo. Bem, estou eu. Pois sou eu que dou uns pega nela. Há um ano.
- Nossa que “Changeman!”
- ???
Vou enviar uma carta pro Guiness. Tenho certeza que vou entrar como o perito em roubadas.
Quem me conhece sabe o perrengue que vivo. Tempos atrás, andei com a sorte perto de mim, descolei uma grana boa até. A grande merda é que não sabia exatamente o que fazer com tanto dinheiro. Aquele velho ditado: “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.” Estava cansado de ficar de busão lotado pra baixo e pra cima. Metrô é asfixiante. Como a grana era boa resolvi ir até a Av. Europa e comprar algum carro de lá. Claro, quem conhece a avenida deve imaginar o quanto de grana se gasta em algum carro por ali. Eu tava decidido, nem que fosse pra tirar da loja e revendê-lo no dia seguinte, mas queria pelo menos uma vez na vida ser dono de qualquer carrão. Fui numa loja de carros costumizados que há muito tempo cobiçava. Monstruosos. A tarde tinha passado no banco e sacado todo meu dinheiro pra fazer bonito na hora. Puta cagaço andar com tudo aquilo no bolso. Uma maçarola gigantesca de notas de 100 pilas. Descolei um belo terno, pra fazer uma panca e não parecer nenhum assaltante e comprei o possante. Paguei no ato e em dinheiro tirado do bolso na frente do vendedor. O cara ficou estático boquiaberto quando viu. Verificou bem as notas e certificou-se de que não eram falsas. Puta sensação boa.
- É que sou ator. – Expliquei.
Lá estava eu com o carango dos meus sonhos. Não acreditava. Era fim de tarde e não queria sair de dentro dele nem fodendo, vai que no dia seguinte realmente tivesse que devolvê-lo pra pagar o resto das contas. O sonho pode acabar. Fiquei rodando pela cidade horas à esmo. Comecei me sentir cansado. Resolvi que ia parar na vila Olímpia, já que nunca tinha ido lá. Sempre ouvi dizer que as garotas mais cheirosas e lindas freqüentam lá, em contrapartida são bem caras. Tinha sobrado um pouquinho de dinheiro. Cheguei. Estava tudo lotado. Abri bem os vidros do carro para todos me verem. Pelo retrovisor via as pessoas com os olhos grudados na minha máquina possante. Parei no manobrista. Deixei a chave e adentrei o recinto, lentamente.
Do outro lado da pista bati os olhos numa das garotas mais lindas daquela noite. Isto depois de horas lá dentro. Tava escuro demais e não consegui ver detalhes. Aproveitei minha alta autoestima comprada e sorrateiramente aproximei-me e cochichei em seu ouvido:
- A música aqui está muito alta. Gostaria de me acompanhar pra um lugar mais silencioso?
- Não.
Óbvio que ela diria isto. Faria seu jogo feminino. Nem precisei insistir muito e já estávamos esperando o manobrista trazer meu carro. Quando chegou, fiquei olhando-a de canto de olho pra ver sua reação que foi... deixa pra lá. Deixei o dinheiro e disse que o resto era comigo. Gentilmente abri a porta do carro para ela, dei a volta pela frente e entrei. Ela me sorriu pela primeira vez naquela noite. Foi só assim, sob a luz de néon que vinha do retrovisor central que pude ver que lhe faltava um canino. Fingi que não tinha visto aquilo, pra não constrangê-la e nem para me desanimar. Era muito investimento pro dia, pra acabar assim. Foi então que ela soltou:
- Nossa, você é um Changeman!
- ???
Existia a possibilidade dela ter um senso de humor bem aguçado, mas... Pra tentar descontrair perguntei se ela queria ouvir alguma música. Ela disse que adorava ouvir música no carro. Quis saber se tinha alguma preferência e ela disse que não. “Fodeu”- pensei. Deve ser do tipo que tirando sertanejo, axé e pagode, qualquer coisa ta bom. Eu não tinha nenhum cd no carro, então coloquei na 102.1 FM. Pelo horário era a menos mal. Estava tocando Beatles. Numa de puxar assunto, mandei:
- Você curte Beatles?
Pensou, pensou e depois de muito pensar:
- Bito, Bito, Bito... bom, assim de nome não to muito lembrada não, mas parece que é bom. Meio agitado, né?
Realmente ela não estava de gozação. Não tinha um humor aguçado e eu realmente tinha acabado de me enfiar numa roubada. Sem novidades. Achei melhor levá-la pra casa e me livrar logo da encrenca. O foda foi quando ela disse onde morava. Pra lá de Itaquera. Praticamente uma viagem. Mais longe do que Campinas à Artur Nogueira, ou São Paulo à São José do Campos. Um pouco mais foda, porque... o trânsito desta cidade dispensa qualquer tipo de comentário. “Caralho”. Lá fomos nós. “E agora? To fodido mesmo.”
No meio do caminho, eis que uma luz parece me iluminar e me surge uma idéia fenomenal.
- Você ta ouvindo esse barulho?
- Não.
- É alguma coisa estranha. Deve ser no pneu do carro.
Aproveitei pela última vez talvez, poder inflar meu ego.
– Merda, carro velho é assim mesmo.
Não dava pra terminar sem soltar essa. Parei.
- Fica ai. Vou dar uma olhada deste lado.
Fui, disfarcei e voltei. Sentei novamente, respirei fundo meio impaciente e ela numa de ser agradável, perguntou:
- E ai o que foi?
- Deste lado não tem nada. Dá uma olhada ai do seu.
- Claro – Sorriu.
Quando desceu pra olhar. Rapidamente bati a porta do carro. Travei e acelerei. Pelo retrovisor a vi acenando e depois desconsolada abaixou a cabeça. Achei até engraçado. Ela estava perto de uma estação de metrô. Quantas vezes não vi o sol nascer esperando um busão, enquanto vários playboys com seus carros possantes passavam por mim e tiravam um sarrinho. Ela não ia ficar na mão. Em meia hora os metros começariam funcionar. Não estava sendo nada cruel e nem queria me vingar. Só não ia viajar de madrugada. Eu tava cansado pra cacete. Afinal tive um dia de cão.
Quando me mudei pra este prédio em Pinheiros, fiquei bem amigo do porteiro da noite, o Zé. As vezes ficava horas e horas trocando idéias com ele. Estava desempregado e não tinha hora pra acordar, então ficava lá. Hoje em dia não da mais, mas na medida do possível, sempre fico pra bater um papo rápido. Ele gosta pra caramba de televisão, principalmente essas séries de violência. Tem uma que passa toda segunda na record. Nunca perdeu nenhum capítulo. Ele fica atento esperando começar. Gosta pra caramba também de Prison Break. Se amarra mesmo. É raro não vê-lo assistindo. Pra atravessar a madrugada fria sozinho, tem que ter alguma distração mesmo. Se não o cara endoidece. 8 horas no mais absoluto silêncio é punk. Ele gostava de ler jornal, mas o sindíco o proibiu. Se ele quisesse isso (silêncio), teria escolhido ir pra um mosteiro, sei lá. Descobri um tempo atrás que ele foi baterista de várias bandas e até tocou com uns nomes importantes da época dele. Veio do nordeste, como a maioria dos outros porteiros, não conhece muita coisa ainda não. Mora numa vila simples na zona Sul. Deve ser uns 4 anos mais velho do que eu. Largou a vida de músico pra poder ficar mais tempo com a mulher e o filho. Há quase 15 anos trabalha de porteiro. Hoje quando cheguei entrei no prédio notei que a televisão estava desligada e ele bem quieto no canto de braços cruzado. Perguntei porque ele estava quieto. Ele disse que não tinha nada na televisão. Aquele horário era ruim. Tava passando Jô Soares e ele não gosta. Acha muito chato. Finalizou dizendo:
“Jô Soares só é legal quando está de férias, porque dai passa um monte de séries boas no horário dele.”
Esse sabe das coisas.
Thiago Luciano e Beto Schultz se não me engano se conheceram num curso de teatro. Além da grande amizade resolveram fazer parceria em trabalhos. Sempre um dando uma mão pro outro e desenvolvendo projetos juntos. São pirados em cinema. Estão sempre envolvidos em produções próprias. Numa brincadeira dessas fizeram um longa, sem pretensão nenhuma. São raladores. Não ficam esperando cair do céu não. Vão atrás e fazem. Do jeito deles, mas fazem. Sempre conseguem reunir um pessoal legal nos trabalhos e amanhã vai rolar a estréia de um curta deles lá no HSBC. Claro, fui convidado pessoalmente e por isso não deixarei de ir de jeito nenhum.
Já falei rapidamente sobre essa peça aqui. É o primeiro texto pra teatro montado do grande escritor e amigo Marcelo Mirisola. A critíca infelizmente não deu nenhuma nota digna para a peça. Mirisola escreveu a respeito. Se ele permitir postarei. Bom, confesso que no começo resisti um pouco em assistir. Estava curioso pra ver o texto do Mirisola, mas ao mesmo tempo tinha um pouco de medo, por causa do elenco. Me arrependo profundamente em não ter ido antes. Uma peça exatamente do jeito que gosto. Sem firulas nenhuma e que dá o recado. Alberto Guzik se encaixou perfeitamente no papel. Se eu estivesse com tempo iria sem dúvidas outras vezes, mas pra quem não foi ainda, esta semana (quarta e quinta) e semana que vem, nos mesmos dias, serão as últimas apresentações. Pra quem ta afim de ver algo inteligente, de humor ácido e bem porradeiro. Não pode perder.
“Monólogo da Velha Apresentadora” mostra o desabafo da velha Febe Camacho, que vem do teatro de revista e dos tempos históricos da televisão brasileira. Ela está furiosa porque sua empregada foi seqüestrada e exigem dinheiro para liberar a mulher.
Febe chega a pensar em não pagar o resgate e deixar a empregada entregue à própria sorte. Mas os sequestradores ameaçam denunciar a velha e famosa apresentadora por “falta de sensibilidade social”. Febe aproveita então seu programa para desabafar. Compara seus tempos com os tempos atuais, xinga, briga, faz confissões que envolvem presidentes e altos mandatários do país, lembra dos tempos da revista, de seu começo na televisão.
A velha apresentadora vai revelando aos poucos que tem muita raiva e muitos preconceitos. E aproveita esse momento para dizer com total franqueza tudo que pensa. É uma comédia com ácido cítrico, como costuma fazer Mirisola, que não tem papas na língua e nem nos dedos para escrever o que pensa e para sacudir a pasmaceira, as acomodações, a passividade.
Essa dica é do grande Pedro Pellegrino. Já fucei no blog. Boxe está entre os esportes que mais gosto. Não conheço tanto quanto o cara do blog. Só sei colocar a luva e ir pro abate. Confiram lá. Legal pra cacete.
Conheço poucos fotógrafos, designers etc. E os que conheço gosto do trabalho. Fotografia é um negócio que tem me atraido muito ultimamente. Juntei uma graninha e comprei uma máquina bem legal agora e ando por ai fotografando tudo o tempo todo. Assunto pra outro post, porque este é pra divulgar o novo blog que acabei de descobrir, porque também acabou de ser criado. É de uma das melhores designer gráfica que conheço e mulher de um dos diretores de teatro de quem mais tenho gostado de ver os trabalhos. Ruy Filho de quem já falei algumas vezes aqui. Patricia Cividanes, sua mulher, é responsável por todo o trabalho gráfico da Cia Antro Exposto. Sem medo de dizer. Os trampos são de tirar o chapéu. Acabei de ler o texto de apresentação e achei du caralho, bem receptivo. Volto sempre. “Quer dizer sempre que eu entrar na internet, pois tem sido raro.” Vale a pena conferir.
Minha mãe passou os dias das mães aqui em casa comigo. Fui mais presenteado do que a presenteei. Desde moleque sempre ficamos muito distantes. Coisas da vida. Enquanto ela ia tentando acertar a vida eu morava com uns tios e tudo mais. Ela casou e já me tinha. A família do marido não aceitava muito a situação. Então pro negócio ir se alinhando, eu passei uma parte da infância em Taubaté com suas irmãs. Devo ter ido morar definitivamente com ela aos 5 ou 6 anos de idade. Com 14 anos eu já tinha decidido morar fora pra estudar em outra cidade. Fui. Quando me formei, ela foi morar fora do país com o marido e o outro filho. Dai em diante, conseguimos nos ver vez ou outra. Eu continuei rodando e hoje estou em São Paulo. Há quase 10 anos. Vida nomade. Quase 15 anos se passaram e ela está de volta. E sempre que pode vem ficar uns dias comigo pra fugir da rotina interiorana, casamento saturado etc. E ter a companhia um do outro.
É emocionalmente desequilibrada, mas é a pessoa mais figura que conheço. No café da manhã já abre logo uma latinha de cerveja e só pára pouco antes de dormir. Nem comida ela bota pra baixo. Não sei como consegue. Fuma que nem um gambá. Acho que o organismo dela já está invulnerável.
Mês retrasado veio pra passar um dia comigo e acabou passando 7. Veio só com a famosa bolsa de mulher. Sem roupa nenhuma. Pegou meus moletons emprestados e tudo mais. Sou bem maior do que ela. Ficava parecendo vocalista de Hip-Hop nas minhas roupas. Andando pelo quarteirão encontrou umas coisas baratas e descartáveis pra vestir e assim foi. Acordava cedo, preparava o almoço, pegava uma cerveja e descia. Sentava na frente do prédio com o Jair. O Jair é um cara legal que vem todos os dias pra cá. É aleijado das pernas. Nasceu assim. Todos da região estão acostumados com ele. O pessoal passa, o cumprimenta, bate um papo e deixa uma moeda. Sujeito alto astral pra caramba. Carismático. Minha mãe pagava umas brejas pra ele e ficavam lá a tarde toda dando risadas.
A coroa estudou pouco na vida, mas é capaz de fazer qualquer um rir. Quando exagera na bebida fica um pouco pedante e agressiva. É de longe a pessoa mais acolhedora que conheci até hoje.
Tinha acabado de tirar a carta de motorista. Eu devia ter uns 9 anos. Moravamos em Campinas. Ela me acordou de madrugada chorando. Encheu o carro de comida e cobertor. Era uma noite de inverno. E fez eu ir com ela até o Taquaral pra deixar aquelas coisas pra uns moleques que tinha conhecido na rua naquele dia. Quando os viu jogado na calçada, começou chorar, os abraçou, cobriu-os com os cobertores, deixou comida, falou um pouco e quando eles voltaram a dormir, partimos. E aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. E muita coisa em mim mudou por causa disso. Ela deve ter lembrado a infância dura que teve na rua. Ficou órfã com 13 anos e dai teve que se virar. Passou fome e a merda toda.
Não quer que ninguém passe pelo que passou. Não me assusta o seu desequilibrio emocional, mas tem hora que é foda de aguentar. Apesar de tudo, é a pessoa mais especial da minha vida. A única coisa que quero é que ela dure muitos anos ainda, pra eu poder de alguma forma retribuir a tudo que já me fez. Pra eu poder ter sua companhia sempre por perto. Porque até que enfim agora vamos conseguir passar mais tempo juntos.
Enquanto escrevia o texto abaixo, me lembrei de quando era moleque e morava no interior. Sem compromisso nenhum, passava a maior parte do dia em cima de uma bike pra baixo e pra cima, sempre com algum amigo.
Se tem algo legal pra se fazer no interior, é sentar em algum lugar na parte mais alta da cidade e ver o por do sol. Numa época fazia isso religiosamente. Depois voltava pra casa, tomava banho, rangava, jogava um pouco de video game. Ligava pra alguma garota, colocava a cabeça no travesseiro e esperava o sono bater. O sono suave e tranquilo. Repousava. Bom demais pra ser verdade.
Lembrei que sempre antes do sono chegar eu pensava. “Na vida o homem só precisa de uma bicicleta velha, uma bela garota, o por do sol e bons amigos. Nada mais do que isso.”
Bem ao contrário do que todos pensam, o jiu-jitsu é um esporte bacana. Há um tempo atrás, quando foi provado ser uma das artes marciais mais eficientes para defesa pessoal etc, o esporte ficou malvisto, pois começaram aparecer os conhecidos “Pitboys”. Os caras de cabelos curtos, orelhas couve-flor, bombados e com uma corrente pendurada no pescoço. Eles saiam exclusivamente para arrumar encrenca. Era moda.
Algumas pessoas mais centradas até escondiam que praticavam, por conta disso. Mas hoje em dia a história é diferente. O esporte tem se profissionalizado cada vez mais, junto com o MMA (Vale-Tudo). Então os mais enérgicos ao invés de arrumarem encrenca na rua vão pros ringues e ainda ganham uma grana. Já me enfiei nisto no passado. Não é tão punk quanto parece aos olhos, pois quem está ali em cima, está altamente preparado. Passam por treinos diários de até 6 horas na pauleira. Claro, acidentes tem em todos os lugares. Penso em voltar.
No jiu-jitsu os nossos desafiantes são nossos amigos, irmãos, companheiros de treinos, sei lá, chamem-os como quiserem, mas nossos adversários somos nós mesmos. Quando começamos lutar o negócio pega, é um querendo atropelar outro, só que o desafio maior não está em derrotar o outro, mas sim em superar os próprios limites pra poder ver até onde se consegue ir. Pra que isso? Não me perguntem, mas percebo que é isto que tem mantido a vontade de seguir em frente de muita gente.
O treino é de puro confronto fisíco. Algumas posições são até comprometedoras, não posso negar, mas o respeito no tatami entre os praticantes é tão grande que em hipótese se encontra maldade. As garotas que treinam ficam bem a vontade. Mesmo na embolação. Às vezes rola lesões e até desentendimentos, mas quando saimos dali, já está tudo em ordem, com a alma lavada e somos outros. Meu professor é um grande amigo e o adotei há muito tempo como irmão mais velho, pois nas horas punk foi o cara que esteve presente pra ajudar segurar a barra. Uma mão sempre foi lavando a outra desde então.
Semana passada deixei minha bike amarrada no portão de casa. Algum filho da puta cortou o cadeado e a levou. Dois dias depois um outro brother de treino me liga, dizendo que tinha uma bike Trek importada (uma das melhores marcas) em ótimo estado e que iria me dar, pois disse que teria mais utilidade pra mim do que pra ele, sabendo do corre que faço diariamente. Confesso que me emocionou. Até hoje não sei expressar toda minha gratidão pelo ato. Às vezes tem aquela sensação de que passamos pela vida sem ao menos ser reconhecido pelo menos pela nossa honestidade sei lá. Não que quero ser reconhecido por algo e também não sou um sujeito politicamente correto, devo confessar que tenho até um pouco de ojeriza por esses tipos, mas vejo que de alguma forma é um sinal de que vale a pena não sacanear com ningúem, neste sentido. Fiz muita merda, mas nunca tive as manhas de tirar nada de ninguém. Nem passar por cima de ninguém pra conseguir algo. Acredito que cada um tem sua história.
Nestes 15 anos de treino passei por uma porrada de equipes e nunca me senti tão em casa como nessa. Nunca me diverti tanto. É du caralho. E outras coisas de grandes amizades já rolaram por ali, faria o maior post deste blog descrevendo isto, mas é mais numa de dizer que estou bem acompanhando e muito agradecido pelo belo presente. Não é todo dia que ligam te oferecendo uma bike boa pra caramba. E não é da bike em si que falo, mas sim da acolhida e recíprocidade. E não é em qualquer lugar que se encontra uma rapaziada deste naipe. Ossss.
Tanta coisa pra escrever aqui, que na hora que penso em fazer, dá uma preguiça danada, até porque tem aquela velha história do tempo. Estou focado em outras coisas, por enquanto. Essa semana foi de louco. Roubaram minha bike, meu único transporte. Adquiri uma máquina fotográfica bacana pra começar trampar. Atores e atrizes que precisarem de material novo. Entrem em contato. Na sequência ganhei uma bike ferrada de um grande amigo e por ai vai. Semana que vem espero sentar pra colocar tudo isso em dia. Por enquanto, um bom fim de semana e bom dia das mães. A minha vem pra cá e acho du caralho. Ela é a pessoa mais especial da minha vida. Escrevo sobre ela também em breve aqui. Valeu!
“O FINGIDOR” – Texto e direção do grande Samir Yazbek. Está entre as 100 melhores dos últimos tempos na seleção da Bravo, fora a porrada de prêmios que ganhou por ai mundo a fora. O Serviço está num post logo abaixo.
“A NOITE MAIS FRIA DO ANO” Texto e direção do escritor Marcelo Rubens Paiva, com o brother Mário Bortolotto no elenco e mais uma rapaziada de tirar o chapéu. Fazia tempo que não me divertia tanto. Pareciam adolescentes no intervalo no pátio da escola bagunçando ou jogando futebol, sei lá. Nem vou postar o serviço porque até onde sei já está esgotado. Parece que estarão em Teresina.
“COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA” do Club Noir, dirigido por Roberto Alvim e com uma das melhores atrizes que conheço, Juliana Galdino. Esse grupo agora com espaço próprio na rua Augusta, tem dado o que falar, já há algum tempo. Roberto Alvim junto com Ruy Filho e Eric Lenate na minha opinião são os diretores desta nova geração, se é que posso chamá-los assim, em quem mais aposto. Tenho acompanhado o trabalho deles religiosamente. E digo não deixem nunca de assisti-los. Essa peça está imperdível. Estão no Teatro Imprensa, às terças e quartas 21h.
“SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO” adaptação de um conto do russo Dostoievski, dirigido por Roberto Lage e com a monstruosa interpretação de Celso Frateschi. Outra peça transformadora. Grande surpresa. Estão no Teatro Àgora no Bexiga de sexta à domingo.
“O MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA” É o primeiro texto de teatro encenado de um grande amigo e sem dúvidas um dos maiores escritores do Brasil, Marcelo Mirisola. É um monólogo interpretado por Alberto Guzik e dirigido por Josemir Kowalick. Quem conhece Mirisola já sabe mais ou menos o que espera. É risada do começo ao fim, mas isso talvez seja só um disfarce pro choro entalado, pois Mirisola como sempre ataca com sua dura transparência. A peça ta no Satyros I às quartas e quintas às 23h. Vida longa.
Tava em divídida com isso aqui. Em compensação agora, atualizei o blog pra semana toda. Tirei o dia pra isso. Li todos os comentários, agradeço. Bom fim de semana a todos.
Recomendo a peça de um cara que admiro muito. Já tinha falado dele quando divulguei “A Noite do Barqueiro”. Agora estão em cartaz em comemoração aos 10 anos de “O Fingidor.” Assisti há 8 anos atrás, este fim de semana vou de novo. Imperdível.
Teve um dia no set do filme do Lula que apareceu uma atriz de uns 20 anos pra fazer uma diária. Pra não se sentir um peixe fora d´água começou sambar pra lá e pra cá pra tentar se entrosar. Até ai tudo bem, mas na hora que a mina pegou no tranco, fodeu. Deram corda demais. É um tal de sou filha de não sei quem, sobrinha de fulana etc, etc. Se estávamos conversando e falávamos de alguém, ela podia estar do outro lado da rua, que vinha correndo e dizia: “Nossa, adoro essa pessoa, é super minha amiga.” Alguém falou em algum momento da Claudia Abreu. “Nossa a Claudinha, é demais, é super do bem.” Alguém citou Pedro Cardoso, não sei porque. “Nossa, o Pedrinho, é muito sério, sempre que encontro com ele falo e blá, blá, blá.” Caralho, pensei. Ela é amiga de todo mundo, conhece todos, mas ela quem é?
É da turma pega-carona. Não sei se detesto ou tenho pena. Pra mim são só pessoas que não se aceitam, ou que não conseguem se virar sozinhas daí ficam se autoafirmando em cima dos outros. “Meu grupo de teatro.” “Meu melhor amigo é fulano de tal”. E você sem essas pessoas, quem é?
Ia escrever mais, mas me deu preguiça.
Este texto é o responsável por minha ausência neste blog. 2007 foi um ano que jamais me esquecerei, só espero não passar por nada parecido de novo. Fiquei sem grana nenhuma, não aparecia trampo, nada. Durante um mês descia todos os dias no supermercado e comprava 3 pães. Comia um de manhã, outro a tarde e o último a noite. Parecia que não ia acabar nunca. Já passei por perrengues e perrengues, mas este veio de surpresa e por isso marcou tanto. Como “1933 Foi Um Ano Ruim” do Fante. Não tinha a quem recorrer e nem pra onde ir. Sempre que me trancava no quarto chorava pra cacete, me sentia um derrotado e vinha a merda da vontade de pular pela janela. Um dia cheguei a sentar nela, por sorte o brother que dividia o apê comigo na época apareceu e me segurou.
Só depois de muito tempo vi a merda que tava fazendo, não sei se ia soltar o corpo ou não. Não sei mesmo, mas eu tava lá a ponto de desistir de tudo de um jeito ou de outro. Meus pensamentos começaram a me perturbar muito e então resolvi escrever sobre isso, numa tentativa de salvação. Tinha um pouco de medo do que eu pudesse fazer, involuntariamente. Sempre insisto em dizer que não temos noção do que somos capazes.
Ficava me perguntando, o que passa na cabeça de um sujeito minutos antes de dar cabo da vida? Me liguei que somos todos suicidas em potenciais. Mas porque uns chegam ao ponto de e outros não? São corajosos ou covardes? Perguntas do senso comum, que sempre nos acompanham. Foi então que me fechei e comecei pesquisar sobre tudo relacionado, já sabendo que nunca teria uma resposta exata, mas talvez pudesse chegar próximo, ou descobrir outras coisas.
Com o tempo tudo isso foi me aliviando, mas num determinado momento, comecei desanimar, por achar já um assunto gasto e vi que não ia dar em nada, então convidei dois amigos pra me ajudar escrever, mas por razões próprias, ou desinteresse do assunto na época, não rolou. Quase desisti com isso, tava foda. Foi então que resolvi ir ainda mais afundo nas pesquisas e tentar mais uma vez. Comecei abrir a idéia pra algumas pessoas e elas iam me indicando coisas e coisas.
Conheci irmãos, pais, amigos de suicidas que também foram me ajudando. Descobri histórias e histórias, como a do Vinicius Gageiro Marques, conhecido como Yoñlu no mundo virtual que se suicidou com a ajuda de pessoas que freqüentam um fórum na internet com esse intuito. Estava com a webcam ligada e as pessoas assistiram. Vi um maluco que se jogou do prédio atrás do meu trampo. O corpo ficou lá estatelado o dia todo, com uma arma no chão e os miolos espalhados. Teve outro que estourou um rojão na boca, também do lado do meu trampo etc. Como o tempo percebi que isso tava pesando e novamente quis desistir. Puta assunto punk pra se pesquisar. Começou bater depressão e a porra toda. De não conseguir sair da cama, tomar banho etc. Deixava tudo jogado no quarto, não tinha vontade de arrumar nada. Contei como estava pra uns amigos e disseram que parecia ser depressão mesmo. Preocupado comecei procurar psicanalista público, mas assim que consegui acabar o primeiro tratamento do texto me senti melhor e tive certeza que era isso que tava me fodendo, daí me poupei de gastar uma grana se fosse preciso e tempo. Li muito sobre depressão. Sempre achei que fosse doença de rico, mas tem pessoas que nascem com uma disfunção cerebral, onde ele não consegue produzir serotonina e então, tem que passar a vida tomando remédios. Pensei que tivesse isso.
Enfim, aprendi pra cacete sobre o assunto e consegui escrever o texto. Claro, impossível fugir do senso comum com um tema deste, mas imprimi meu ponto de vista, fruto desse monte de coisas que pesquisei, por um pouco mais de um ano. Quando estava fechando-o, me ausentei daqui. Agora me ausento pra decorá-lo. É coisa pra cacete e como escrevi milhões de versões, na hora de decorar confundo tudo. Espero estréia-lo este ano ainda em São Paulo. Primeiro vou viajar pelo interior pra tentar levantar uma grana. Não consigo esperar projetos, leis etc, prefiro ir fazendo. Se der certo até o fim do ano espero que meus amigos daqui possam assistir. “O HOMEM COM A BALA NA MÃO.” Tem muita gente que me ajudou depois do primeiro tratamento lendo-o e dando opiniões e tem algumas pessoas me ajudando nesta nova empreitada. Valeu.
Não curto encrenca. Sempre fujo, porque se entrar, vou até o final. Devo ter cara de bobo, não é possível, sempre as pessoas insistem em querer arrumar uma comigo, fora os pedintes que me veem e correm pedir grana. Por que será? Quando eu era moleque vivia metido em roubadas. Morei numa vila, mais ou menos perto de uma favela gigantesca e a molecada da favela baixava lá e consequentemente me tornei amigos dos caras. Fui um moleque até um pouco sociável. Tive amigos. Na verdade procurava companhia pra fazer merda e arrumava os mais malucos. Fodeu tudo quando uma vez destruímos uma construção aos pontapés e a marretada, pra roubar todos os canos PVC e fazer estilingues. Era nossa curtição na época fazer guerrinhas com isto. As estilingadas doíam pra cacete. Quando pisei em casa a polícia tava lá esperando. Devia ter uns 11 anos. Já estavam de olho na gente há muito tempo. Foi uma puta confusão. Minha mãe ficou louca, me quebrou de porrada e depois me mandou pra uma cidade minúscula, quase no meio do mato, na casa da minha já falecida avó. Fiquei endoidecido. Ficava trancado num quarto dia e noite, sem poder fazer porra nenhuma. Só saia pra comer, mijar e cagar. Passava os dias com diarréia forçada.
Depois disso as coisas só pioraram, daí é assunto pra outro post. O fato é que hoje fui atravessar a rua de casa correndo, veio um fdp de um motoboy costurando os carros a mil por hora e quase me atropelou. Parei há tempo e cai sentado. Me joguei, pra ser mais claro. Na sequencia tava vindo um carro, sorte que freiou a tempo, senão tinha me fodido. Motoboys já não são bem vindos.
Sei que temos até um certo preconceito com eles, mas não é por menos, fazem por merecer, são encrenqueiros e acham que todos tem medo. Então botam panca. Enfim. Me levantei, desculpei-me com o motorista e segui. De repente ouço um grito: “Ou, ou...” Quando olho era o morfético do motoboy botando panca, lá longe e no meio do trânsito. Bagunçando tudo. O sangue subiu pra cabeça na hora. Ele deve ter achado que eu ia sair correndo. Larguei tudo que tinha na mão. E fui pra cima do cara. Começou querer bater boca. Não sou de bater boca, é perda de tempo. Então falei pra ele descer da moto. Nisto um monte de motoboys foram parando também. Daí o cara se sentiu maior ainda. Ele desceu e foi tirando o capacete. Não dei tempo de deixar o cara dizer mais nenhuma palavra. Soltei-lhe só um soco que pegou de cheio na ponta do queixo. Foi bem mirado. O suficiente pra cair e ficar por lá. Nisto os outros começaram descer e vir pra cima.
Comecei distribuir socos e caneladas pra tudo quanto é lado. Derrubei mais 3, a grande merda foi quando a polícia apareceu. Me pegou. Passei a manhã na delegacia com os 4 que derrubei me ameaçando, consegui falar com uns brother da polícia que conseguiram me livrar desta. Ficou resolvido, mas acho que os motoboys, vão querer me por no pau, ou me apagar, mas enfim... Consegui só sair agora. A sorte que tive testemunhas a favor e disseram que eu estava só me defendendo. Não sei que merda vai dar isso. Só espero que minha mãe não fique sabendo que estive metido em encrenca com a polícia novamente.
Vou tentar fugir pra algum canto. Quem for ficar, bom feriado e se divertam ai.
A internet deve ter sido a melhor invenção dos últimos tempos. Quem é esperto consegue ficar rico, arrumar enrosco, trabalho etc. Dentre tantas outras razões, é por isso também que gosto dela. Exemplos:
1.Um maluco ai ta querendo arrumar uma mulher séria pra casar. Investiu pesado. Não deixem de ler o texto depois das fotos. Campanha desencalha Wanderson. Aqui.
2. Maior, melhor e mais saboroso cachorro quente do mundo. E a propaganda não tinha como ser inferior ao produto. Aqui.
3. Tragédia. Avião perde a asa e ainda consegue pousar. Aqui.
Enquanto procurava nos meus arquivos umas fotos pra postar, me deparei com a que virá abaixo. Acabei com vontade de escrever. Não sei porque. A ficha às vezes demora pra cair. Às vezes nem cai porra nenhuma. Sempre admirei os persistentes. Aqueles que se fodem pra cacete mas não tem medo de merda nenhuma, nem de se foderem e conquistam seu espaço, ou chegam no seu objetivo. Sabemos que o objetivo de cada um nesta vida é muito peculiar. Sabemos que o que estou dizendo é redundante demais, mas foi necessário pra este texto existir. Sempre me espelhei nestas pessoas. Tenho um pouco mais de 29 anos e meio de idade e até agora não conquistei nada concreto. Num momento da vida, juro que tive a ingenuidade de pensar que as coisas seriam um pouco mais fáceis. Me fodi. Mas agora não tenho como voltar atrás. Não sei exatamente onde vou parar, onde posso chegar, apesar das porcarias dos conflitos, me sinto bem. Já passei perrengue até de ficar sem comer e juro que continuo com esta insegurança às vezes. Nunca sabemos o que virá. A vida é campeã mundial de judô. Mas nada me faz desistir de querer fazer só o que sei e o que gosto. E quando nesta guerra conquistamos aliados, a batalha fica mais divertida e é por isso que escrevo isso. Os olhos que verão, persistiu o tempo todo dizendo que havia se aliado a mim. Fui resistente demais. Burro até. E continuo não muito diferente. E as fichas iam caindo, lentamente, lento até demais, mas gosto assim e acho bom. Apesar de tudo, de todas as dores, parece agora que uma ficha bem pesada bateu de jeito no fundo do velho e quase pifado orelhão. “Alô.” Obrigado. Estou feliz. Assim.
Quem entra aqui sabe que ando fotografando por ai. Enquanto não encontro animo pra voltar escrever, só pra não deixar isso abandonado vou postando algumas fotos. Quem sabe, de repente depois do próximo feriado, eu volte no pique, porque este... Por enquanto ando com a cabeça em outras coisas. É chato pra cacete, mas dou essas satisfações porque gosto pra caramba deste blog. Gosto dos amigos conhecidos e não conhecidos que visitam aqui. Gosto quando deixam comentários. De uma certa forma é uma maneira de manter o contato. É que a fase ta foda mesmo. São outras coisas na cabeça. A preguiça predomina etc.
Amigos e amigas, ando sem vontade de escrever aqui e em qualquer outro lugar. Deve ser culpa do monólogo que passei mais de um ano tentando terminar. Me consumiu muito. Assim que essa fase passar, escrevo por aqui sobre “O HOMEM COM A BALA NA MÃO”. Pretendo descansar e espero voltar da Páscoa pronto pra recomeçar. Por enquanto estou assim:
Bom feriado a todos e pra quem pratica: Boa semana Santa e Páscoa. Se sobrar chocolate por ai. Guardem pra mim.
A correria ta danada. Tem faltado vontade de escrever por aqui. Ando mais interessado no blog dos amigos. Nem tive tempo pra responder comentários. Se tudo der certo, semana que vem, este volta ao normal. Não desistam.
Fiquei sabendo que Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade foi muito bem em Curitiba. E já estão encerrando as atividades, por enquanto, aqui em São Paulo. Mais informações nos blogs do Diego Torraca e Ruy Filho ai do lado. Se atentem.
Queria falar sobre Gran Torino, o novo filme de Clint Eastwood, que vi semana passada. Bom, enquanto isto não é possível, recomendo-o. Recomendo uma porrada de outras coisas. Como a peça Natureza Morta, dirigida pelo brother Eric Lenate. Putz, to sofrendo algum lapso. Minutos atrás tinha várias coisas pra recomendar, agora me deu branco e não to com vontade de fazer nenhum esforço contra este branco, prometo que assim que for lembrando, vou recomendando.
Até que enfim, depois de quase um ano, acabei de escrever meu primeiro monólogo. “O HOMEM COM A BALA NA MÃO”. Falta a querida amiga Virginia de Baumont terminar a revisão gramatical, pra depois eu mandar bala. Espero que os amigos daqui consigam ver ainda este ano. Primeiro, segundo meus planos, é estreiar pelo interior.
Estou um pouco atrasado. Um dia. Ontem era pra ter postado isto. Digo, na verdade, preguiçoso. To finalizando um monólogo que há muito tempo comecei e gasto todo o tempo que me sobra nele. Em breve falo sobre. Inspirados nos dois posts abaixo, resolvi repostar este de hoje. Dizem por ai que depois dos 30, quem fica muito preocupado com seu abdomen tanquinho é porque ai tem… então só pra quebrar um pouco da formalidade. (Pausa). Acabei de ler o texto que ia postar, é uma brincadeira um pouco pesada. Desisti. Fiquem então com este video. É muito bom. Me chegou por email, nunca tinha visto um cachorro com pesadelos. 20 segundos.
Primeiro passei bons dias sem internet e hoje estou de volta. Não pagamos a conta. Cortaram. Segundo, sobre o post que postei, depois de lê-lo e relê-lo penso. O que leva um sujeito gastar seu tempo na academia levantando pesos obstinadamente? Existem loucos pra tudo. Que sejam felizes. Ainda sobre o post debaixo. Amanhã o post de cima será inspirado nele. Fui.
Como ando sem tempo pra escrever novos textos. Deixo ai algo muito interessante enviado por Rodrigo no meu email. Esses são os amigos que tenho.
Por que será que é mais fácil freqüentar um bar, do que uma academia?
Para resolver esse grande dilema, foi necessário freqüentar os dois (o bar e a academia) por uma semana.
Vejam o resultado desta importante pesquisa:
Vantagem numérica:
- Existem mais bares do que academias.
Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho.1x0 pro bar.
Ambiente:
- No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece no primeiro gole de cerveja.
- Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia.2x0.
Amizade simples e sincera:
- No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda.Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio.
3x0.
Compaixão:
Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?
- No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja 'por conta'.4x0.
Liberdade:
- Você pode falar palavrão na academia?5x0.
Libertinagem e democracia:
- No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto, ou do mesmo sexo, problema é seu...
- Na academia, dividir um aparelho dá até briga.6x0.
Saúde:
- Você já viu um 'barista' (freqüentador de bar) reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite?7x0.
Saudosismo:
- Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia?
É só 'bate-estaca' , né?8x0.
Emoção:
- Onde você comemora a vitória do seu time?
No bar ou na academia?9x0.
Memória:
- Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?10x0 pro BAR!!!
Portanto, se você tem amigos na academia, repasse este e-mail para salvá-los do mau caminho!
PS: Você já fez amizade com alguém bebendo Gatorade???
*ENTÃO!!!! TODO MUNDO PRO BUTECO!!!!*
Todo trabalho que gosto muito faço questão que amigos vejam para compartilhar o prazer. Infelizmente, Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade está encerrando sua temporada. É uma peça que vale muito a pena ver pra discutir depois. Nos causa inquietação. O grupo é novo, mas pela qualidade do trabalho, parece que tem anos de estrada. São promissores. Já falei disto por aqui. Tem só mais esta semana e a outra. Não sei se vão continuar depois, por isso acho bom garantirem presença lá, enquanto ainda há tempo.
Coisas legais que me chegam no email. Alguém já tinha lido esta notícia? Gostei.
Os Gerentes de uma Editora estão tentando descobrir,
porque ninguém notou que um dos seus empregados estava morto,
sentado à sua mesa há CINCO DIAS. George Turklebaum,
51 anos, que trabalhava como Verificador de Texto numa firma de Nova Iorque
há 30 anos,
sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava
(open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários.
Ele morreu tranquilamente na segunda-feira,
mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã,
quando um funcionário da limpeza o questionou,
porque ainda estava a trabalhar no fim de semana.
O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse:
'O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias
e o último a sair no final do expediente,
ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não
dissesse nada.
Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho.'
A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias,
depois de um ataque cardíaco.
SUGESTÃO:
De vez em quando acene aos seus colegas de trabalho.
Certifique-se de que eles stão vivos e mostre que você também está!
MORAL DA HISTÓRIA:
*Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo...
Este post é pra mim. Pra não esquecer, porque não quero perder de jeito nenhum amanhã (sexta, 06/03) um documentário no canal Multi Show sobre a vida e a carreira do ator australiano Heath Ledger. Merecidamente levou o Oscar póstumo pelo seu fantástico Coringa. Não tinha pra ninguém.
Este final de semana passado estive em Taubaté e aproveitei pra conhecer o sitio do Pica-Pau Amarelo. Nada demais. Esperava outra coisa. Tinha a casa onde Monteiro Lobato morou até os quinze anos, depois veio pra São Paulo estudar Direito e depois, não sei mais. Tirei umas fotos desta viagem e já está no flickr, quem quiser dar uma conferida. http://www.flickr.com/photos/opankada/show/
Baseado em fatos reais. Tudo o que lerem aqui, não é mera coincidência.
Desabotoei a calça e mandei chupar. Ela disse não. Depois tentei colocar as mãos sobre suas tetas, mas ficou toda cheia de pudor.
- Caralho, quanta frescura – eu disse.
- Também não é assim – retrucou.
- E como é que tem que ser?
Desvencilhando-se.
- Eu vou te mostrar o meu cachorro.
- O que? Odeio cachorros.
Não deu tempo. Antes mesmo de terminar a frase tinha um boxer babão, com mais de 3 metros de altura empuleirado no meu colo, arranhando meu braço e lambendo minha cara. O que me deixou muito puto.
Era um dia de chuva forte e interminável, e a dita cuja da coroa morava do outro lado da cidade. Uma viagem. Eu tava sozinho em casa, me sentindo um pouco carente. A conheci pela internet e não tinha a mínima idéia de como era sua fuça. Arrisquei. Abri meu guarda-chuva e fui pro ponto de ônibus. Domingo. Fiquei lá pelo menos duas horas batendo o queixo de frio, molhado da cabeça aos pés. Enquanto isso sua voz esgarçada berrava no meu celular de vez em quando:
- Você já ta chegando?
- Quando eu chegar você vai saber.
Claro, respondia assim com um tom manso, quase romântico. Ainda não a tinha visto, óbvio que havia alguma esperança. Não dava pra dispensá-la assim. Seria minha salvação, num dia tedioso como aquele. Mas pelo desespero e por me ligar de 5 em 5 minutos, suspeitei que não seria grandes coisas. Devia dar mais ouvidos a minha intuição. Que capa de qualquer revista de mulher pelada, em sã consciência te ligaria tanto, em tão pouco tempo? Enfim... Pelas descrições dadas na sala de bate-papo, parecia uma musa perdida, há muito tempo, entre as pirâmides de Tutankamon, esperando ser descoberta pelo príncipe encantado. Tava até me sentindo um, pra dizer a verdade. Isso confundia minha cabeça. Eu tava numa alegria danada. Não acreditava.
Cheguei, todo encharcado, mas cheguei. Toquei a campanhia, fiz uma pose James Jean e esperei. A porta se abriu e lá de longe ela fez sinal para eu entrar. Uma puta mansão. Por alguns instantes imaginei ter dado o tiro certo. Não via muita coisa por causa da chuva e da distância que nos separava. Minhas vistas estavam embaçadas por causa da água e dos meus 5 graus de miopia. Ainda não tinha apreciado-a direito. Entrei. Seja o que Deus quiser, pensei alto. Minha memória naquele momento avivava nossas conversas. Ela se descrevendo de lingeries, dizendo da fartura das suas coxas, bundas e seios. Hum, que delícia. Dizia que era um sucesso por onde passava. Fiquei loucão. Filha da puta de cabeça. Age por instinto.
Ela deixou uma toalha em cima do sofá e disse que ia tomar um banho e já voltava. Me sequei, olhei no espelho e estava tudo ok. Minhas vistas melhoraram. Nem ia precisar dos óculos. Lentamente um cheiro de formol começou invadir onde eu estava. Uma porta se abriu tão lentamente como num filme de Hitchcock e, foi ai que depois de toda pasmaceira, na contra-luz, ela surge, com seus decotes, rebolando sensualmente, como uma bailarina manca. O espanto foi grande. Fiquei dois minutos estático sem pronunciar uma palavra se quer. Minha visão não podia ter melhorado.
- Que foi? Não gostou? – ela tentando quebrar o gelo.
- Cla-cla-cla-claro que gostei.
Que merda onde tinha amarrado meu burrinho? Aparentemente não tinha 57 anos nem aqui e nem em lugar nenhum, como havia dito. Logo notei que tinham dois barbantes ao redor do pescoço, que saiam dos bicos pretos das suas tetas. Acho que era pra tentar levantá-las e me impressionar. Sem sucesso. Me senti pequeno, mais magro do que já sou. E olha que sou um sujeito que pratica esporte de porrada e peso uns 80 kg. Nem sou tão mirrado. Pesar menos que isso pra um lutador é decreto de morte. Não sei porque lembrei de Dercy Gonçalves e a partir de então comecei achá-la uma menininha. Não lembro na minha vida ter visto tantas pelancas saltando do corpo de alguém. Quando sua dentadura caiu, achei que podia ter sido mais discreta, mas não, a pegou do chão, cheio de baba e pêlos de cachorro e, sem lavar, nem nada, mergulhou na minha frente, numa boca que mais pareciam caçapas de mesa de bilhar e nem se quer se desculpou. Eu entendo, deve ter ficado um tanto sem jeito, mas não deixou de ser brochante. Para não constrangi-la, disfarcei. Velha tarada. Toda cheia de vigor. Só faltava querer dançar.
Antes desta catástrofe, sugeri que nos sentássemos. Ficamos lado a lado, num pequeno sofá, vez ou outra, trocávamos uns olhares. Eu fugia o tempo todo. Não tava nem um pouco afim de puxar papo e muito menos de ficar sendo encarado. Só queria ir embora. A chuva lá fora só aumentava e com isso os trovões cada vez mais nervosos. Cago de medo desses barulhos. E outra, não queria acabar com sua auto-estima, que já não devia estar lá essas coisas. Devia sofrer um bocado com isto. E além do mais, era uma boa chance de mostrar que apesar de tudo, posso ser um bom moço. Não tinha mais nada a fazer, a não ser tentar uma foda. Tava na merda mesmo e sentindo um pouco de culpa e remorso. Mas foi ela quem começou vindo pra cima, quer dizer, lembro que foi ela que me encontrou na internet e ficou me seduzindo.
Pensava que se alguém soubesse daquilo eu jamais seria perdoado, iam me condenar a forca por violentar uma senhora que nem dentes tinha mais. Na verdade eu seria violentado. Resolvi então agir. Pra não parecer muito rude e quebrar o gelo, comecei sutilmente abrindo o zíper da calça. Sorte que ela quis fazer se parecer recatada e nem nas suas tetas me deixou meter as mãos. Acabei sentindo-me um pouco humilhado, confesso. Uma pelancuda, desdentada negando meu parceiro careca… porra, eu tava bem, hein? Sorte mesmo era ela ter um boxer. Minha salvação. Como são belos. Em casa me lavei com álcool e sal grosso durante a semana toda. E os cães passaram a ser os animais por quem tenho mais apreciação. Montei um canil no meu apartamento, com todos da mesma raça. Boxer.
Pra nossa sorte e principalmente pra sorte daqueles que perderam. Nesta quinta reestréia uma das peças que mais gostei nestes últimos tempos. A Noite do Barqueiro. Farão uma curta temporada no Teatro do Centro da Terra com um preço acessível e uma ótima programação. Não durmam no ponto desta vez. Confiram: